terça-feira, 30 de novembro de 2010

Algumas reflexões (in)oportunas sobre o sistema CAPES



Por que se matam os lemmingues? Ou, será possível salvar os lemmingues deles próprios?

peguei aqui: 


"O suicídio da Universidade"

Nos últimos anos, temos observado que os campos e métodos da pesquisa

universitária têm sido cada vez mais pautados pelas agências de

financiamento, comandadas pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de

Pessoal do Ensino Superior) e dirigidas pelo governo federal. Tudo, na

rotina universitária, passa por essas agências, que operam como uma espécie

de FMI do mundo acadêmico: a definição das linhas de pesquisa e das próprias

"areas de concentração", os seminários internos de pesquisa, os colóquios e

simpósios (nacionais e "internacionais"), as publicações, as disciplinas

ministradas e até mesmo a ocupação do espaço físico.


Tal situação gera uma mentalidade de gincana, em que predomina, do ponto de

vista institucional, o "eventismo" (a multiplicação virótica de "eventos

científicos", cada vez mais inchados e improdutivos) e, do ponto de vista da

produção individual, a publicação requentada de artigos antigos ou a mera

colcha de retalhos de citações e auto-citações, produzidos, muitas vezes,

por pessoas que não têm rigorosamente nada a dizer, mas são obrigados a

"tornar públicas suas reflexões", para continuar a receber suas bolsas e

dotações suplementares.


Muitos dos chamados "grupos de pesquisa" se organizam como pequenas seitas,

em que recém-doutores embevecidos com seus títulos, sentem-se autorizados (e

quiçá obrigados) a forjar continuamente novos conceitos e metodos, mesmo que

ainda não tenham conseguido dar conta das idéias que pretendem superar.

Basta analisar a bibliografia adotada pelos participantes de um desses

grupos para se ter idéia de sua homogeneidade intelectual e do centralismo

"metodológico" exercido por boa parte das supostas lideranças acadêmicas.


O teor das pesquisas, teses e dissertações é um problema à parte: anos após

o famoso "caso Sokal", vemos multiplicarem-se aqui, especialmente nas áreas

de artes, letras e ciências humanas, verdadeiros casos de delírio

intelectual, sempre justificados pelo progresso intrínseco da "produção do

conhecimento", mas incapazes de distinguir a ousadia do mero deslumbramento.

Quando não é este o caso, trata-se de exercícios de empirismo bem

intencionado e politicamente correto, a favor de qualquer tipo de "inclusão

social" ditada pelas ONGs ou pelo Estado (que se parece cada vez mais com

uma ONG). Os trabalhos de qualidade são raros. Os que possuem, além da

qualidade, elegância e sobriedade são raríssimos.


Chega a ser constrangedor verificar o zelo com que todo um exército de

pesquisadores (com seus batalhões de bolsistas, da Iniciação Científica ao

Pós-Doutorado) preenche, incansável, todos os relatórios que lhe pedem,

respeitando prazos arbitrários e se submetendo a formulários nem sempre

muito inteligentes. Esses operários do saber passam a maior parte do seu

tempo atualizando o famigerado Currículo Lattes (triste homenagem ao grande

César...) ou produzindo material ad hoc para preenchê-lo, sem deixar passar

nem mesmo o bate-papo informal, devidamente transformado em "palestra" ou

"trabalho de orientação".


Os Programas de Pós-Graduação, por sua vez, vivem em função de um senhor

virtual, sua majestade "o Relatório (da CAPES)", procurando obsessivamente

cumprir não só as exigências da agência, mas até mesmo as expectativas

apenas insinuadas por ela. É possível mesmo dizer que muitos deles se

programam a partir de tais expectativas, chegando a farejar no ar os temas

que agradarão aos comitês científicos ou atenderão às prioridades

proclamadas pelo governo vigente, em nome dos "interesses nacionais" ou

"sociais", conforme o caso.


No governo anterior, o tripé ensino-pesquisa-extensão favoreceu claramente a

"pesquisa", possibilitando a constituição de uma verdadeira aristocracia de

professores-bolsistas, que soube muito bem defender seus interesses e barrar

o caminho ao baixo clero universitário, relegado ao trabalho pesado das

aulas e da administração acadêmica. No governo atual, a balança pende

fortemente para o lado da extensão, entendida de modo assistencialista e até

mesmo demagógico. No primeiro período, até a própria extensão foi travestida

de pesquisa; no segundo, é a vez da pesquisa disfarçar-se em projetos de

extensão. Nos dois contextos, o ensino viveu praticamente abandonado, como

um primo pobre, solenemente abandonado às cotas e à educação à distância,

apresentada como grande panacéia.


Contudo, há quem pondere que não deveríamos tratar a CAPES como um agente

externo, pois, afinal, são os próprios professores-pesquisadores que compõem

os seus quadros. Mas não passa despercebido a ninguém o fato de que a

maioria dos chamados "representantes das áreas (de conhecimento) na CAPES",

muito rapidamente se transformam em representantes da CAPES nas diversas

áreas de conhecimento, atuando como verdadeiros feitores, que não deixam de

ser recompensados por sua conveniente subserviência. De qualquer modo, não

há como negar que tais agentes, muitas vezes mais realistas que o rei, fazem

parte da chamada "comunidade universitária".


Por isso, quando a Universidade chegar ao esgotamento total de sua força

criativa, quando perder de vez seu melhor material humano, quando

transformar-se completamente numa fábrica de tabelas e relatórios e, de

fato, "morrer", teremos que admitir que isto não aconteceu por obra de

forças hostis ou devido a causas naturais, mas por suicídio premeditado.




LET´S ROCK! - Puteiro em João Pessoa (Raimundos)


Momentos ímpares, onde tudo vira de cabeça pro ar... e melhora!
Ano? 1994... "foi num puteiro em João Pessoa/ descobri que a vida é boa foi a minha primeira vez"
Quase uma metáfora, quase um vaticínio.
Não fazia a menor idéia do vinha pela frente...
Saudades do Biruta, das areias noturnas da Praia do Futuro, calouradas de Psicologia, caminhadas madrigais sem rumo e vinho barato na 13 de Maio...

E hoje Rodolfo é evangélico. É difícil guentar a ôia!

Let´s Rock! Enquanto há tempo. Porque depois, tudo é outra coisa. E tudo mais chato.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Morreu Leslie Nielsen - Airplane (ou, Apertem os Cintos o Piloto Sumiu)

Vou dormir mais triste.
Só soube a pouco, morreu nesse domingo, dia 28/11/10, aos 84 anos, o ator canadense Leslie Nielsen. Minha vida mudou desde que vi "Apertem os Cintos o Piloto Sumiu" no cinema (novamente, não me perguntem como, nem porque). Assisto a todos os "Corra Que a Polícia Vem Ai" trocentas vezes na Tv, basta passar. Quando digo para os alunos adotarem "posição de acidente" antes de distribuir a prova, ninguém entende, passo ridículo. Também, quem manda usar referências do começo da penúltima década do século passado em tempos de Harry Potter e Crepúsculo? Bem feito pra mim, quem manda querer inventar! Meus respeitos ao mestre do pastelão! Me tornei um ser humano melhor graças a ele!







"E TUDO TEM QUE VIRAR ÓLEO PRA POR NA MÁQUINA DO ESTADO"

Houve um tempo em que, como hoje, não acreditava em Revolução. Havia um tempo que "ser contra tudo que ai está" já era "A" revolução. Senão política no sentido largo, antes estética, cognitiva e emocional. Em tempos de tanta música fácil sobre amor barato, com guitarras distorcidas e tudo mais (e muitos grupinhos legaizinhos, cools, bem intencionados, cheios de caras bonitinhos e gente boa), me vejo só, frente a um computador, procurando novos sentidos e novos e diferentes sons na net. Na minha decepção frente a mecânica das intenções humanas e da percepção do avanço do neo-conservadorismo travestido de boa-vontade, percebo que certos momentos exigem que se volte ao básico, e o básico diz muito sobre o que somos, como andamos e pra onde vamos. Quando se acredita em rebeldia é preciso não esquecer o básico, mesmo na velhice, e isso não é tática, é estratégia. Em breve, qualquer um que se rebele frente aos sentidos hegemônicos dessa avassaladora lobotomia universal, promovida por uma Ordem estética e política, terá que se virar em guetos, cada vez mais patrulhados por insidiosos e capilares poderes de disciplinamento e censura. Assim, as festinhas dos velhinhos do mangue-beat, terá que ser feita com senhas secretas em locais móveis, se ainda existirem. Olho a juventude e vejo cada vez menos contestação, interesse e meios pra fazê-lo. Ser produtivo, estar integrado em grandes, decentes e públicas redes sociais são máximas no horizonte que marca o "ser jovem " e o ser aceito. O sonho de uma nova sociedade começa e termina com apartamento seguro, um carro confortável, filhos lindos e um cachorro saltitante. Saudade de um tempo em que alguém dizia nas músicas que no futuro íamos todos nos foder. Triste em perceber que hoje estou cansado e cada vez mais só com minhas tolas locubrações frankfurtianas.

NÃO ENTENDEU? MAIS SOBRE O "BÁSICO":









Ps: E hoje fiquei sabendo que ano que vem vai ter show do U2 no Brasil. Vou, claro! Mas me digam, existe alguém mais mala do que o Bono?... Porém, como sou rebelde, já adiantei, não visto camisa do U2 de jeito nenhum! E a caravana passa...

GUERRA AO TRÁFICO: Vitória de Pirro?

Pra pensar quando passar o efeito "Copa do Mundo" das transmissões televisivas das "retomadas de território". O que mudou? O que nós somos? O "bem" está vencendo?... mas, o que é mesmo o "mal"? Qual é a cara da bandidagem? Quem consome as drogas? Onde estão os chefes?
_ Uma coisa de cada vez, alguém dirá (chamando para a nacionalidade discursiva). _ É preciso esclarecer os termos do debate para uma análise mais qualificada.
Entendo, mas não tou a fim! Não confio no Estado, como não confio em boas intenções do andar de cima para com o de baixo na sociedade brasileira.
Ninguém quer viver com medo, mas ninguém admite se olhar no espelho.

Espero que não seja uma vitória de Pirro...

Peguei aqui: http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/o-brasil-derrota-o-brasil-para-delirio-do-brasil.html

28 de novembro de 2010 às 15:03
O Brasil derrota o Brasil. Para delírio do Brasil
por Luiz Carlos Azenha
A população brasileira vibra. “Forças de segurança” garantiram a vitória do Brasil contra… quem mesmo? O Brasil.
Finalmente, nossa gloriosa bandeira está hasteada em Iwo Jima.
A foto foi publicada no site do Sidney Rezende.
O discurso é grandiloquente: o território teria sido “libertado”, o “momento simbólico entra para a história”, é a “atitude emblemática”.
Na cobertura dos acontecimentos do Rio de Janeiro só está faltando aquela vinheta “Brasil!” que a Globo usa na Copa do Mundo.
Em uma única edição do Jornal Nacional, dois populares apareceram falando na vitória do “bem”.
É a negação, pela força, de que o “mal” também somos nós, brasileiros.
Ou fomos invadidos por uma força estrangeira de traficantes? Seriam seres extraterrestres os bandidos do Alemão? Seriam resultado de geração espontânea?
Por trás do heroísmo do BOPE, dos blindados que sobem o morro com a bandeirinha do Brasil tremulando, dos repórteres que usam coletes à prova de bala, por trás de todo o circo há uma guerra do Brasil contra o Brasil.
Os “ratos” que fogem pelo esgoto somos todos nós, brasileiros.
É nessa hora da “exceção” que reconhecemos o verdadeiro Brasil: o que clama pelo fuzilamento, o que nega direitos básicos elementares para os outros (inviolabilidade do domicílio, por exemplo), o que se concentra em soluções de curto prazo, o que esconde a miséria quando vai receber visita (o mais importante é ‘preparar o Rio’ para a Copa e as Olimpíadas).
A maconha, a cocaína e as anfetaminas amplamente consumidas nas festas e casas da classe média brasileira, afinal, aparecem lá por “geração espontânea”, do mesmo jeito que os traficantes do Alemão e da Vila Cruzeiro.
Para que tudo continue como está, eu acrescentaria. Para que o Brasil continue gastando mais com juros do que com saúde, educação e salários.
Para que, assim que a farsa acabar, os “heróis” de hoje sejam acusados de abalar as contas públicas, se continuarem a reivindicar a aprovação da PEC 300, a que visa criar um piso salarial para os policiais brasileiros.
Deveríamos ter vergonha de ter deixado as coisas chegarem onde chegaram. Deveríamos ter a decência de não usar o patriotismo onde cabe a vergonha.




domingo, 28 de novembro de 2010

Na Sci-Fi, como no cinema, como na internet, como na universidade tudo se copia

Peguei no GATO ZUMBI http://gatozumbi.blogspot.com/

Entenda quem puder...


Originalidade é para os fracos

Né, George?
Poucos entenderão.

LET´S ROCK! - The Prodigy / Kula Shaker



The Fat of The Land do Prodigy é um dos mais bem acabados referenciais do Big Beat dos anos 1990. Não a toa marcou a trilha de Matrix e não sei mais quantos filmes e comerciais. Até em Closer e Charlie´s Angels apareceu... Bem, ouvindo o álbum agora, depois de muito tempo, vi na internet que a faixa Narayan, foi composta em parceria com um cara chamado Crispian Mills, de um grupo chamado Kula Shaker. Estes fazem um rock psicodélico bem interessante... bom pra ouvir num final de domingo...
Encontrei uma versão acústica cover de Narayan, a gravadora não permite divulgar o clipe original no youtube, o que tem está sem o áudio. Isso sim é a Matrix em ação! Porém, gostei muito dessa modesta, mas redonda, versão acústica:





EM SEGUIDA, KULA SHAKER:

THE ROBOTS - 1

Os robôs sempre foram objeto e alimento de um fascínio seminal na ficção científica. É quase impossível pensar um sem o outro. Embora lugar comum, a metáfora da busca humana pela solução do mistério da existência,  representada por Roy Batty, o  robô angustiado que busca saber o que é e quanto tempo lhe resta em Blade Runner, sintetiza a viagem mais longinqua não pra fora, para as estrelas, porém pro mais profundo vazio dos vazios humanos. Os robôs representam na FC tanto a esperança quanto nossos maiores temores. E se, no fim só restar o vazio e o silêncio de uma entropia universal, tanto para humanos como para máquinas? Quem mais terá visto os espetáculos dantescos, maravilhosos ou banais que apenas uma singular pupila mecânica ou humana testemunhou, quem poderá dividir tudo isso ao final? Ninguém, tudo se perde...


Segue uma coleção de meus andróides preferidos das telas de Ficção Científica.  Nem tão bons, nem tão maus. Cada um com suas razões. Ou, nem tanto. "Igual a tudo na vida" diria, Wood Allen.


Antes de mais nada é preciso um esclarecimento, é (quase) tudo culpa desse senhor ai embaixo:




                                                                Isaac Asimov




METROPOLIS (1927)- Maschinenmensch:


De Fritz Lang é uma das primeiras grandes distopias do cinema de sci-fi. A personagem principal, Maria, a humana e representante do operariado da cidadela futurista é substituída por uma andróide, a "mulher-máquina" que seduz e convence os trabalhadores a desistirem da rebelião contra a aristocracia empresarial que domina a cidade. Final desolador e conformista para um filme revolucionário. Mas esperar o que, era república de Weimar e o nazismo estava logo na esquina...






O DIA EM QUE A TERRA PAROU (1951) - GORT:


Em tempos de guerra fria nada mais adequado do que um robô que venha à Terra disposto a trazer a paz, mesmo que precise destruir tudo pra consegui-la hehehe. Na versão do mesmo filme de 2008 o motivo é limpar a Terra de seu principal inimigo - o ser humano. Ambientalismo radical é isso, o resto é robô de origami. Bem talvez seja mesmo a hora da humanidade repensar a relação entre cultura e natureza, só não vejo como a versão atualizada do robô eco-chato de Keanu Reevers possa ajudar em algo.

PERDIDOS NO ESPAÇO (série de TV, 1965-1968) - "B9 Robot":


"Perigo! Perigo! Isso não tem registro!" aos gritos o robô da série alertava seus senhores humanos das armadilhas inusitadas que vilões espaciais preparavam para os desafortunados viajantes espaciais. Certamente um robô do Bem, Serra adoraria ter tido um.



STAR WARS - C3PO e R2D2:


O robô dourado, dizem, foi copiado da Maschinenmensch de Fritz Lang (ver acima). Me parece uma chupada evidente de George Lucas. Mas não a única, com R2D2 ele se inspirou numa... lata de lixo (ver abaixo).



ALIEN - Ash

Ainda tremo ao lembrar da cena em que o andróide Ash, da tripulação do cargueiro minerador Nostromo, se desfaz em uma meleca esbranquiçada. Ao mesmo tempo que avisa que todos na naves estão lascados frente ao invasor da nave que teima em matar um a um...



CONTINUA...


sábado, 20 de novembro de 2010

São Paulo - Poesia 6


São Paulo é um gigantesco clichê de si mesma, tudo que se espera dela se confirma, tudo está lá, exatamente como no roteiro. Porém não sei se posso dizer o mesmo de tudo que ela desperta em quem a experimenta. Talvez o seu diferencial seja esse, seja um clichê tão assutadoramente ampliado, que nada fica imune ao seu poder, algo hipnótico, algo catártico, que refaz a todos de forma imprevisível e indelével. São Paulo é a festa e a ressaca. É a flor solitária num vaso no terraço do prédio de uma rua escura. É um parque verde sob um céu cinza. É tom sobre tom, é furta-cor, é o cinza sobre o cinza.


POR RUAS DESERTAS


Gritos em ruas desertas
Carros largados e lixo
Exótico este presente
Talvez só um velho orgulho
Feito do nada que até agora ecoou
Fumo que circula espaços esquecidos
Fluidos antipessoais
Dissolução dos desejos no escuro
Em cinzas frias
Nos pátios úmidos de velhas grades
Centros, praças e subúrbios
Ermos de poeira
Amontoado de direções
Corrupção dos sentidos
Enfim, gritos
Em ruas desertas
E abrigo e ilusão
Em um pátio de jarros sem plantas
Onde já não incomoda a maldade
A ausência de samambaias
Sem dó de que fluidos viscosos preencham este presente
Carros jazem, jaz uma cidade
Virtude volátil esta que desce lenta
Para qualquer profundidade e,
Quisera, ao menos, ter alguma certeza disso
Nada a importunará


Vancarder






20 de Novembro - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Saudações a todos que trazem e sentem sangue negro correndo em suas veias.


Bem, já tinha publicado o post quando percebi que faltava algo... música, claro. Vi umas coisas muito legais que entraram na composição do álbum Nos Quintais do Mundo do DJ Tudo. Vejam mais aqui: http://euovo.blogspot.com/







quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ZEITGEIST ADDENDUM: você sabe que há algo errado e não sabe exatamente o que?



Filme americano independente lançado em 2008, dirigido por Peter Joseph, revira a mesma ferida purulenta que SURPLUS já descobrira alguns anos antes: megacorporações e o controle total de um mundo rotinizado por fluxos de produção de valor. Se você queria ver a pergunta "o que está errado nisso tudo?" materializada em película, essa é a oportunidade. Claro que a pretensão é imensa e cabe diversas pontuações ao argumento base, mas que é o bicho é sedutor... veja e tire suas conclusões. Ah, som de primeira!

"Ninguém é mais escravo do que aquele que falsamente se acredita livre" (Goethe)



E tem uma resenha legal dele aqui:
http://excelentefilme.blogspot.com/2009/11/zeitgeist-addendum.html

terça-feira, 9 de novembro de 2010

THE DAY AFTER - SIRENES

Não tentem entender, muito menos me perguntem sobre, mas sempre quis postar isso...
Devem ser sequelas traumáticas de quando assisti "The Day After".
Vai saber...

Bem, vamos ao que interessa.

O filme:


O som:


A doidice:

domingo, 7 de novembro de 2010

POESIA 5: Hotel



Hotel

Observo a paisagem
Sem casa
Minha cabeça é um quarto de hotel
Só passagens
Muitos vazios
Nenhum aceno
Muitos apertos
No peito


Vancarder.

O filme: My Blueberry Nights (tristemente traduzido para o Brasil como "O Beijo Roubado" argh!). A Música: Cat Power - The Greatest

Músicas de Guerra: A Fistful of Dollars

Certos momentos pedem uma trilha específica, óbvio. Momentos de guerra pedem músicas de guerra. Poucos sabem fazer isso melhor do que Sergio Leone. O grito "we can fight" da trilha de A Fistful of Dollars (1964) é capaz de fazer qualquer Zé Mané sentir-se capaz de enfrentar uma orda bárbara inteira, sozinho, no pulso. Ouçam e entendam o que digo. Lembram do já quase longínquo "yes we can" de Obama? Desconfio até que ele seja fã de Ennio Morricone/ Sergio Leone...



Não resisti e além de Fistful of Dollars anexei mais dois vídeos. Uma das canções já tinha aparecido por aqui, The Ecstasy Of Gold. Porém a versão orquestrada e ao vivo a seguir é no mínimo arrebatadora. Em seguida, a execução do tema principal de The Good, The Bad and The Ugly.





BOM DOMINGO!

DEMOCLÁSSICOS - Coletivo Mundo


Acabei de chegar da elegante apresentação dos Democlássicos no Coletivo Mundo. A música erudita foi até a balada no Centro Histórico de João Pessoa na turnê nacional "Concertos na Pista". Precisa ainda o público se movimentar pra ir até a música erudita...
Na volta pra casa tentei chegar perto do Vinil-Retrô (ou será o contrário Retrô-Vinil? Nunca sei) pra ver o que tocava por lá, não deu nem pra estacionar nas proximidades...

Uma amostra da música dos Democlássicos:


O Facebook deles: http://pt-br.facebook.com/pages/Democlassicos-Concertos-na-pista/143267315718115

Ps: Tem algo mais estranho que Radiohead?...

sábado, 6 de novembro de 2010

"Midnight Express" - Alan Parker


Tensão, medo, ansiedade, insanidade, injustiça e... música eletrônica. Tudo junto e misturado. O filme de Alan Parker (Mississipi em Chamas, The Commitments - Loucos pela fama, A Vida de David Gale et all) de 1978 conta as agruras vividas pelo norte americano Billy Hayes (interpretação aluncinada do já falecido Brad Davis) preso na Turquia ao tentar embarcar com haxixe para os EUA. Não preciso me demorar pra dizer que ele desce ao pior dos infernos nos calabouços medievais da prisão turca. Condenado a 30 anos e sem direito a apelação, somos levados a declinar junto como o destino do Hayes no delírio da falta de esperança e loucura. Além de uma história imponente, cenas dramaticamente devastadoras como a revista de Hayes  na tentativa de embarque no início do filme, a visita que sua namorada lhe faz na prisão (pouca coisa me emociona mais, sempre calo e quase paro de respirar) e o espetacular desfecho com sua fuga, tornam-o um filme inesquecível. O assisti pela primeira vez numa Sessão de Gala ou Coruja num sábado qualquer da vida (coisas a muito extintas em tempos de TV a cabo), claro que meus pais não sabiam o que estavam acontecendo na sala naquele sábado a noite. Além do choque, por todo o drama, nunca mais saiu de minha cabeça as músicas do filme. Sua trilha hoje é bastante datada, admito, em grande parte por ter sido realmente espetacular a época e assim ter se tornado lugar comum em todo tipo de comercial de TV, vinhetas de rádio e noticiários (propagandas de motel e música de strip too). Porém, ouvida no contexto do filme assume a dignidade do tempo cedida por uma grande obra. Quem assina quase todas as faixas com excessão de Istanbul Blues é Giorgio Moroder. Vejam e ouçam, som estranho e filme tenso é isso ai!





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

APOCALIPSE MOTORIZADO!



Fazem alguns meses que comprei uma bike e tenho me aventurado pelas ruas de Cabedelo/Jampa na tentativa de, sobrevivendo ao trânsito, ganhar um pouco mais de saúde e ficar em forma. Enfim, tentar contrariar a máxima da ineroxabilidade do tempo. Adoro a sensação de liberdade que pilotar a bike proporciona, mas confesso que aprendi uma sensação nova, a de temer tudo que é motorizado. Em outras palavras, esses monstros de metal "guiados" por gente como a gente, e que, por um motivo ou outro, tiram finos lancinantes nas indefesas magrelas. Morro de medo, já fui colocado pra fora da pista por um carro (evitei o choque), mas garanto, não é uma sensação boa.
Bem, pra inspirar a reflexão a respeito, pesquei esse blog: APOCALIPSE MOTORIZADO








quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Massive Attack / Morcheeba - A virada!

Massive Attack e Morcheeba me chegaram em 2001. Não precisa dizer que pirei (vocês já devem ter percebido, piro fácil hehehe). Não havia ainda YouTube, pelo menos não me lembro, e a forma de ouvir música na Internet (discada) eram as rádio UOL e Terra. Durante algum tempo existiu também um site chamado Usina do Som, com repertório muito mais abrangente que as duas primeiras, sobretudo, com músicas estrangeiras. Mas durou pouco tempo gratuito.  
Sempre gostei de coisas que me surpreendessem musicalmente, mas naquele momento foi diferente, sentia que uma possibilidade nova e radicalmente aberta de fusões rítmicas, melódicas, conceituais e poéticas estava em curso.
Não conhecia o termo trip-hop e me acostumei a chamar essa nova experiência sonora de "música aquática" (sugestão de um amigo doido, mas isso é uma outra história). O trip-hop passou, mas nomes como Martina Topey Bird, Tricky e Beth Gibbons e o próprio Massive Attack (ouçam o último álbum Heligoland) continuam a nos fazer mergulhar em escuros oceanos, imprevisíveis e temerários, do fundo da alma de cada um.

Ah, logo depois conheceria Moby e cheguei a achar que a música real, com gente como autor, iria desaparecer! Mas isso foi numa mesa de bar e já tinha tomado algumas cervejas a mais hehehe. Nunca mais esqueceram disso... Volto a falar de Moby, Massive Attack e Cia mais tarde.










EVERYBODY LOVES A LOOSER
Morcheeba
This time, you have to face your future
Although it’s just a dusty road
It’s clear that backing down don’t suit you
I’d hate, to break your sacred code
People, along for the ride
High noon, getting closer
I think you’ll find, everybody loves a loser
So you’ll be fine, you won’t be lonely long
I think you’ll find, everybody loves a loser
So you’ll be fine, you won’t be lonely long
I see, you need a trial of fire
A coward would wisely walk away
Help them, help us buy your time
Hideouts get discovered
I think you’ll find, everybody loves a loser
So you’ll be fine, you won’t be lonely long
I think you’ll find, everybody loves a loser
So you’ll be fine, you won’t be lonely long
I think you’ll find, everybody loves a loser
So you’ll be fine, you won’t be lonely long
I think you’ll find, everybody loves a loser
So you’ll be fine, you won’t be lonely long

Poesia 4: CHOCOLATE!



CHOCOLATE


Amores secretos em caixas de chocolate
Formas antigas de
Com a boca, sem a fala
Dizer as mesmas coisas

Feitos diversos, gestos pausados
Sabores intensos, bocas sedentas
Há chocolate pelos cantos

Línguas febris
Suas procuras não findam
Se desdobram em ânsias
Em reentrâncias e curvaturas
É o chocolate que escorre

Percorre junto e adentro
Realçando com todos os líquidos
Um corpo
Os contrastes entre branco e negro
De um mistério meio-amargo
Profundo
Devassável
Pulsante
Em desmantelar num momento
O próprio tempo

Vancarder