segunda-feira, 29 de novembro de 2010

GUERRA AO TRÁFICO: Vitória de Pirro?

Pra pensar quando passar o efeito "Copa do Mundo" das transmissões televisivas das "retomadas de território". O que mudou? O que nós somos? O "bem" está vencendo?... mas, o que é mesmo o "mal"? Qual é a cara da bandidagem? Quem consome as drogas? Onde estão os chefes?
_ Uma coisa de cada vez, alguém dirá (chamando para a nacionalidade discursiva). _ É preciso esclarecer os termos do debate para uma análise mais qualificada.
Entendo, mas não tou a fim! Não confio no Estado, como não confio em boas intenções do andar de cima para com o de baixo na sociedade brasileira.
Ninguém quer viver com medo, mas ninguém admite se olhar no espelho.

Espero que não seja uma vitória de Pirro...

Peguei aqui: http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/o-brasil-derrota-o-brasil-para-delirio-do-brasil.html

28 de novembro de 2010 às 15:03
O Brasil derrota o Brasil. Para delírio do Brasil
por Luiz Carlos Azenha
A população brasileira vibra. “Forças de segurança” garantiram a vitória do Brasil contra… quem mesmo? O Brasil.
Finalmente, nossa gloriosa bandeira está hasteada em Iwo Jima.
A foto foi publicada no site do Sidney Rezende.
O discurso é grandiloquente: o território teria sido “libertado”, o “momento simbólico entra para a história”, é a “atitude emblemática”.
Na cobertura dos acontecimentos do Rio de Janeiro só está faltando aquela vinheta “Brasil!” que a Globo usa na Copa do Mundo.
Em uma única edição do Jornal Nacional, dois populares apareceram falando na vitória do “bem”.
É a negação, pela força, de que o “mal” também somos nós, brasileiros.
Ou fomos invadidos por uma força estrangeira de traficantes? Seriam seres extraterrestres os bandidos do Alemão? Seriam resultado de geração espontânea?
Por trás do heroísmo do BOPE, dos blindados que sobem o morro com a bandeirinha do Brasil tremulando, dos repórteres que usam coletes à prova de bala, por trás de todo o circo há uma guerra do Brasil contra o Brasil.
Os “ratos” que fogem pelo esgoto somos todos nós, brasileiros.
É nessa hora da “exceção” que reconhecemos o verdadeiro Brasil: o que clama pelo fuzilamento, o que nega direitos básicos elementares para os outros (inviolabilidade do domicílio, por exemplo), o que se concentra em soluções de curto prazo, o que esconde a miséria quando vai receber visita (o mais importante é ‘preparar o Rio’ para a Copa e as Olimpíadas).
A maconha, a cocaína e as anfetaminas amplamente consumidas nas festas e casas da classe média brasileira, afinal, aparecem lá por “geração espontânea”, do mesmo jeito que os traficantes do Alemão e da Vila Cruzeiro.
Para que tudo continue como está, eu acrescentaria. Para que o Brasil continue gastando mais com juros do que com saúde, educação e salários.
Para que, assim que a farsa acabar, os “heróis” de hoje sejam acusados de abalar as contas públicas, se continuarem a reivindicar a aprovação da PEC 300, a que visa criar um piso salarial para os policiais brasileiros.
Deveríamos ter vergonha de ter deixado as coisas chegarem onde chegaram. Deveríamos ter a decência de não usar o patriotismo onde cabe a vergonha.




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