terça-feira, 28 de dezembro de 2010

De quantos sons estranhos se faz um Blog? Close Encounters of the Third Kind



Para ser fiel à proposta do Blog, uma trilha sonora clássica... e pra lá de estranha. 
Dois momentos geniais conduzidos por Steven Spielberg e John Williams. 
O segundo filme chama especial atenção por ser executado em câmara. Sorte para poucos. 
Curtam e se arrepiem, se puderem.
Quem não conheceu alguém que ficava irritantemente tirando essas notas no teclado? Bem, limitado que sou, não conseguia... frustração.



domingo, 26 de dezembro de 2010

Laboratório Submarino 2021


Prestando homenagem ao Laboratório Submarino 2021, um dos 10 melhores desenhos animados de todos os tempos do mundo bizarro. Nada podia ser tão absurdo, nada, a não ser o próprio capitão Hank. E o injustiçado do Joaquim... cinco doutorados pra terminar ali... desgraça pouca é bobagem! Nunca mais as noites de domingo foram as mesmas...





sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Canto de Natal: Stalingrado - O Tannenbaum


Último post de Natal, prometo. Saudade do Cine São Luiz. Vi esse filme lá, com meu pai. Outro tempo, muitas promessas. Pra quem gosta de listas, provavelmente um dos 10 maiores filmes de guerra de todos os tempos. Cru, doído, profundo.



Sobre as agruras do período, sugiro a leitura da excelente resenha do livro de Vassily Grossman, Vie et Destin (aqui).

Let's Rock? Crystal Method - Starting Over/ Trip Like I Do



Sem muitas palavras, só som alto e adrenalina. Pra que melhor? Crystal Method!





Let's Rock?

Cisne Negro (2010) de Darren Aronofsky. Ou, bem vindo ao seu Lado Negro


Vi a pouco, e quase por acaso, uma excelente resenha (aqui) sobre o filme Cisne Negro (2010) de Darren Aronofsky.
O mesmo e assutadoramente genial diretor de Réquiem Para Um Sonho e o Lutador. Se ainda não os viu, corra, sugiro aproveitar o dia de Natal para fazê-lo.
Black Swan é um outro filme espetacular que ainda não vi, mas recomendo.
Pra mim, qualquer viagem competente que nos leve ao cadinho primordial entre entre bem e mal que configura de forma indelével nossas personalidades, e por extensão natural o mundo, é bem vinda.
Sobretudo porque o mundo e as pessoas não são boas, não mesmo, e a vida só está ai pra ser vivida até o fim.
Quem viu Réquiem e o Lutador sabe do que falo.
Se o filme já não trouxesse todas as expectativas de ser dirigido por quem é, ainda traz Natalie Portman belíssima e... dançando! Paixão pura! _ Sorry, Scarlet (Johansson), é só por um momento você ainda é mais bonita.
Bem, nesse exato momento passa um carro de som sob minha janela fazendo anúncio de um supermercado ao som de Simone (Então É Natal). É por ai..

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Rock e Religião: Slayer vai à igreja


Essa semana um aluno me corrigiu e disse rock não se dançava.
Pra provar que sim, que se dança Rock'n Roll e também pra mostrar que não sou um homem assim tão sem fé (como os últimos posts possam ter feito fazer crer), segue um vídeo contundente de festas pauleira nas mais undergrounds igrejas do pedaço.

Cruzes! O rock é uma religião...

A COMIDA MAIS SAUDÁVEL DO MUNDO



Andava sem nenhuma inspiração pra atualizar o Del Sons. Depois um tempão, faço-o agora, fim de tarde, com fome, sonhando com coisas gostosas e diferentes, bem diferentes do café com leite e pão (de ontonti) que me espera na cozinha (por preparar, claro).

Mas como blogueiro é um bicho que não sossega nunca (desde que ele mantenha um blog e não um diário), antes de fazer qualquer coisa que valha a pena sempre vai achar um link que leva a outro link... sem parar. Dessa vez o resultado da busca foi uma forma simples de manter seu coração no ritmo certo de um ataque cardíaco. Vejam aí e não tentem em casa!

Não deixem de reparar no contador de calorias no vídeo!

Pensando bem, vou descer e dar uma corrida no calçadão. Melhor.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

LET'S ROCK? Sonic Youth


Banda Novaiorquina do inicio dos anos 1980, o Sonic Youth se projetou como uma banda pós-punk e forte pegada experimental. Sem querer me estender, pois a banda precede longas apresentações, resta dizer que se trata de rock'n roll de alto impacto e forte penetração. Todo esse alcance pode ser sentido, não só pela quantidade de camisas de banda circulando nos lugares descolados de qualquer grande cidade, mas, sobretudo, pelo peso das inúmeras influências deixadas. Enfim, perfeito pra ouvir e enfrentar uma segunda feira. LET'S ROCK!




"Superstar" está na trilha sonora de "Juno"

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ateus vesus Crentes: essa não é uma questão

«O Purgatório» (Divina Comédia de Dante), Gustave Doré, 1868

Considerações de um dedicado cientista amigo meu a respeito das distorções de um tipo de percepção sobre o ateísmo. Como cientista, ele deve saber o que está dizendo, acreditem!
Como é incrível ter amigos cientistas, quando criança os cientistas me fascinavam, fosse nos desenhos animados, fosse nos quadrinhos.
Os cientistas loucos, ou doidos, como esse meu amigo, então... o mundo era deles.
Pena que era só por pouco tempo, até chegar o chato do super-herói e desmontar o plano. Fazer o que, né? Como a Marvel ia ganhar dinheiro?

Tá aqui:
http://www.blogdosperrusi.com/2010/12/11/a-gosma-verde-e-o-ateismo/comment-page-1/#comment-12583

Segue:

A Gosma Verde e o Ateísmo

Li, na coluna de Fernando de  Barros e Silva, lá da Folha, o seguinte:
As imagens de Charlie Chaplin e de Adolph Hitler estão lado a lado. Abaixo do criador de Carlitos está escrito “não acredita em Deus”; abaixo do líder nazista, “acredita em Deus”. No alto, o slogan: “Religião não define caráter”.
Essa é uma das quatro propagandas que a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) estaria veiculando, desde ontem, em ônibus de Porto Alegre e de Salvador
Sou um ateu e acredito, piamente, que a alma é uma secreção verde que sai do nariz vinda do sistema límbico. Posso afirmar, baseado na minha longa experiência, que há muita secreção dentro de mim.
Sim, sou ateu, mas não sou burro. A burrice é o único valor universal e, assim como a peste bubônica, pega todo mundo. Por isso, afirmo que a propaganda acima é burra e terá o efeito contrário do desejado: aumentará o preconceito contra os ateus.
A ATEA parece não compreender que ateu pode ser qualquer coisa. Nada o define, exceto sua negatividade diante da existência de Deus. O ateu é possuído pela Indiferença Absoluta defronte da Grande Gosma Verde do Cosmo. Claro, pode ser uma ou várias, mas  monogosma ou poligosma dá no mesmo. É só isso. Dependendo da época, a Indiferença pode ser uma conduta de resistência à intolerância religiosa, como atualmente, por exemplo. Mas, politicamente, essa resistência não precisa ser expressa como uma posição normativa, com preceitos e dogmas, pois isso seria… religião. O ateu deveria ser o mais laico dos laicos — a laicidade extremada deveria ser sua política.  Só isso.
Claro, é uma bela fantasia um mundo sem religiões e sem gosma verde — sem espiritualidade, por exemplo, esse termo absolutamente irritante, que é expresso como quem masca um chiclete. Sobrariam poucas pessoas no mundo, quase ninguém, e isso seria muito bom. Aos poucos, a espécie humana desapareceria, após o último bocejo de um ímpio. As religiões são gigantescas mães que não param de parir humanos na Terra — há uma correlação positiva entre crenças religiosas e densidade demográfica. Os ateus gostam de trepar, mas não de reproduzir — há algo milagroso na vida, por isso, muito repetitivo. Quem inventou, afinal de contas, o anticoncepcional foi um ateu.
(Os comunistas soviéticos tentaram acabar com a religião. Foi uma bela empreitada, sem dúvida, um assalto aos céus. Mas não deu certo. Não atentaram que a solução mais óbvia teria sido a esterilização total da população soviética. Stalin, infelizmente, era um genocida político e não uma uma marca de contraceptivo)
Seria uma honra ser o último ateu a soprar a velinha cósmica e, enfim, terminar essa peça de teatro ridícula, produzida por Malboro, esse extraterrestre ultrapoderoso de Betelgeuse — sim, foi Ele que armou tudo: produção, roteiro, montagem, direção, cenário e figurino… Deu no que deu.

O Espírito do Natal: A Vida de Brian


Há pouco dias das refastelanças natalícias meu coração fica repleto de considerações sobre a transcendência. Em frente ao mar de Intermares não poderia deixar de ficar tocado pela profundidade de um enebriante "sentimento oceânico" ao pensar em toda Graça presente em cada ser humano, animalzinho e folhinha levada pelo vento. Ah, o Natal, sempre o natal...

A seguir, a mensagem de Natal do blog, dessas difíceis de ouvir em tempos tão politicamente corretos e... chatos. Monty Python: A Vida de Brian

1000 VISUALIZAÇÕES - Caramba!!!



Fazem dois meses hoje que em um acesso absoluto de tédio resolvi botar De Sons e Tempos na blogosfera.

Não existe nenhum sentido último pelo qual ele se mantenha. Nenhuma teleologia, como para as tartarugas de Intermares, que por milhões de anos, continuarão a fazer tudo igual mesmo sem fazer a menor idéia do porque. Se nós não as extinguirmos, é claro.

Para dar sentido às coisas existem os religiosos; para fazê-lo prática, os políticos; pra garantir no pulso sua execução, os militares; como rebanho e alvo, nós; e na esteira disso tudo, os sociólogos, para dissecá-los cartesianamente em seus fatos sociais totais.

- Ah, mas existe reflexividade no blog, no mundo das tartarugas não! Alguém vai dizer.

Bem, a reflexividade está ai fora com aqui no blog, sim. Mas estaremos extintos também graças a ela. Alguém duvida? Pense um pouco o que aconteceu na COP 16 no méxico.
Pensou? Agora pense nas contagiantes festas de Natal mundo afora. Pensou?

Pois agora esqueça, vamos tomar uma cerveja que é melhor.

De qualquer forma, pela qual de uma forma ou de outra as coisas continuam, obrigado!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Deus é Uma Viagem - Cidadão Instigado


Como se percebe a passagem do tempo? Quais nossas referências para aferi-lo? De certo que a educação que tivemos sobre o sentido do passar nos faz lê-lo com mais atenção nas mudanças do próprio corpo. As mudanças para o apogeu e o descenso para a perda de funções. O corpo é um mapa da erosão do tempo, antes de anatomia, deveríamos ter uma topografia, tamanhas as vossorocas, canyons, fluxos de fluidos, gargantas e marcas de todos os tipos, cortes e lacerações de atrito abertas por dentro e por fora.

Fernando Catatau e O Cidadão Instigado conseguiram chegar perto da idéia dessa topografia sanguínea/emocional  demarcando alguns dos acidentes que impostos sobre a pele, nos falam do que passou e da incerteza do que virá.
Sinta quem já vê suas veias saltando dos braços esticados...
Ele ainda lembra que usamos os dedos pra contar tudo isso. E agora percebo, como estou pálido!

"É tão ruim se perceber com tantas falhas/ Chato, gasto, cheio de manias e lembranças..."

Curtam, Deus é Uma Viagem" do disco Uhuu! de 2009.


Olho em meus dedos
Quanto tempo se passou
Percebo as marcas
Poros, traços, veias quem me levam aos meus
Braços
Esticados
Como estou pálido
É tão ruim se perceber
Com tantas falhas
Chato, gasto, cheio de manias e lembranças
E lembranças
São tantos ossos divididos em mim
Sangue descendo e subindo
O alimento mutando
Foi Deus que me fez assim
E também você
Olhos, dedos, mãos, pés, me mostram
Que Deus é uma viagem...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ainda o Tempo: porque hoje é terça feira - "Semáforo"


A terça feira passou muito tempo desprestigiada, esquecida, na música e na poesia. Sempre tinham vez, as gloriosas sextas, os sábado festivos, os domingos de sol e, até, as depressivas segundas. Tinham, porque aí veio o VanguarT e gravou essa belezura ai, "Semáforo". "Todos meus amigos. Todos seus amigos (...) querem morrer".

FELIZ TERÇA! Eu não acredito...



Hoje é terça-feira
O céu borrou a cor
Ó minha mão do céu
Ó meu pé do chão
Ó minha mão do céu
Ó meu pé do chão
Eu não ouço vocês
Eu não ouço vocês (mais alto)
Eu não creio em vocês
Só acredito no semáforo
Só acredito no avião
Eu acredito no relógio
Só acredito
Eu só acredito
Hoje é terça-feira
E o céu se põe debaixo do tapete
Um tesouro
Eu não acredito, eu não acredito, eu não acredito, eu não acredito não
Só acredito no semáforo
Só acredito no avião
Eu acredito no relógio
Acredito no coração
Não, não, não
Hoje é terça-feira
Hoje é terça-feira
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Todos seus amigos
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Voam...voam...uuuuhhh...voam
Com olhos de anis
Com asas de fogo
E meus olhos cheios
De mágoa então
Hoje é terça-feira
Hoje é terça-feira
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Todos seus amigos
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Todos meus amigos
Querem morrer..uuuuuuhhh
Querem morrer uuuuuuhhh.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ainda o Tempo. Sempre o Tempo...

                                                   KRONOS

Do tempo dos antigos, que perceberam a rotina de morte e vida do Sol pelo arco celeste, passando pela percepção da fertilidade e decadência dos campos até o chegar ao óbvio dedutivo de que estamos dominados por um prazo de validade de existência, foi um pulo.
E desde então nunca mais paramos de olhar o tempo, e num espirro, o relógio. Primeiro o relógio fora, a máquina e os tempos de resposta as demandas.  Depois o relógio interior, não o biológico, mas o cultural, quando o relógio passa a ser cada indivíduo.
Dos Gregos a Newton, de Ainstein a Castells, passando pelo Coelho de Alice todo mundo dá seu pitaco sobre o tempo. Minha relação é estranhada com o tempo, pois prefiro o ócio. Não o ócio criativo de Domenico De Masi, esse serve muito bem à Fiat e à Google, prefiro o repertório de Macunaíma "o herói sem nenhum caráter" (isso é lindo!): a rede, o gozo, a preguiça e nada mais. Desconfio severamente de quem diz acreditar e defende outras coisas. Entendo, entendo a necessidade... também faço coisas movido pelo tempo. Esperança: o Brasil ainda vai salvar o mundo da adoração do tempo. I hope so...

Segue uma crônica interessante a respeito do tempo.
Peguei aqui: http://www.artilhariacultural.com/2010/11/26/tempo-improdutivo/#more-9232

SOBRE O TEMPO


Alice.



Sempre me diziam – talvez esperassem que eu ouvisse – para tornar meu tempo livre produtivo. Isso é algo meio contraditório. Tempo ocupado, em tese, é o tempo gasto com produtividade. Tempo livre é o tempo em que você deve se sentir culpado por não estar sendo produtivo. Apesar da recomendação, e talvez também em razão da recomendação, eu nunca soube distinguir com clareza um tempo do outro. E, com a confusão entre tempo e produtividade, acabei optando por ignorar ambos. Isso certamente não é uma recomendação.
Lembrando do que me aconselhavam, até o tempo gasto com cultura deveria ser bem aproveitado. Deveria selecionar cuidadosamente as músicas que ouviria, os livros que leria e os filmes com que desperdiçaria noites. Não é tão difícil se você pensar nesse tempo como sendo de tanta produtividade como o tempo em que você supostamente estaria ocupado com tarefas relevantes. Olha… Eu selecionei. E por isso estava hoje, sem a menor culpa, ouvindo Cobra Starship e lendo Pedro Bandeira. Obviamente todos conhecem Pedro Bandeira dos livros recomendados na terceira ou quarta série; Cobra Starship é uma banda para cuja existência ainda não se encontrou nenhuma explicação convincente. O processo de ocupação de tempo que presumi ser livre seguia muito bem até alguém parar em frente ao aposento caótico que chamo de quarto e perguntar “Mas o que houve com Mozart?”
Pois bem, eu vou lhes contar o que houve com Mozart. Mozart cansou. Bach também cansa. Chico Buarque também cansa. Machado de Assis também cansa. Aliás, Machado de Assis quer um tempo separado de seu tempo para ouvir duetos entre um cara que faz cosplay de Restart* e uma atriz de Gossip Girl, escrever errado quando lhe convier e ler Sidney Sheldon, se assim quiser. Machado de Assis também se cansa e acha, sim, muito produtivo discernir rendimento intelectual de descanso mental. Cervantes, da mesma forma. Cervantes encararia algumas horas de sertanejo numa boa, e talvez até lesse Paulo Coelho para refrescar a cabeça. Isaac Newton adoraria passar a noite assistindo comédias românticas. Não, espera, Isaac Newton não.
Ninguém passa vinte e cinco horas por dia discutindo cinema francês, apreciando música clássica ou lendo poesias complexas. E, se você o faz, meu caro, sua vida deve inspirar piedade aos que são capazes de tirar o nariz das páginas poeirentas e respirar ar puro de vez em quando. Nenhuma cultura é inútil, desde que se saiba usá-la a favor próprio.
(*Embora tenha acontecido o contrário.)


LET´S ROCK: Neil Young


NEIL YOUNG: o mito, a lenda e nãoseiquemaislá e mais alguma coisa. Como é do feitio dos mitos, se alimentam de si mesmos. Dizem que estará pelo Brasil em 2011. Lá pelo Rock In Rio, dizem. Um desses monstros que sobreviverão ao próximo meteoro... nós passaremos...





E então, let´s rock?...

Muitas formas de amar




Se o amor é de fato outra coisa além de tudo que possa ser  formalizado, segue um texto bacana sobre encontros e desencontros amorosos. Só pra lembrar que o amor está onde ninguém jamais esteve. E, talvez, nem lá possa ter sido encontrado (apesar de todos os relatos em contrário). 




Por Felipe Gonçalves
Poeira Levemente Mofada: http://sepia.zip.net/index.html




10/08/2010 

Fly Me to the Moon, ou dois filhos da puta.



Estávamos num barzinho super charmoso que sempre que passava
em frente me prometia entrar.

A garçonete uniformizada de preto me trouxe um menu e um sorriso.
Às minhas costas um trio tocava uma versão jazzista de Fly Me to the
Moon. Na minha frente ela me olhava com indiferença em olhos
castanhos.

UMA NOTA RÁPIDA:
Ao contrário da resposta pronta
que costuma vir a mente, o sentimento
oposto ao amor não é o ódio.
É a indiferença.

Ela pediu petiscos. 'E o que vamos beber?' Não pensei: 'Que tal vinho?' 

"Sempre tão ritualista" e olhos virados pra cima.

A garçonete pareceu confusa e olhou pra mim, respondi "Duas
Heinekens" e ela foi embora. Uns dois minutos de silêncio
constrangedor depois, as cervejas chegarem.

Rompi o silêncio em desespero.
-Isso te deixou tão confusa quanto à mim?
-Nenhum pouco. - começou a marcar a música com os dedos.
-Você acha que semana passada foi um erro?
-Não. - Mais indiferença.
Bebi. Coragem.
-Acho que podiamos dar certo, nem sei como, mas acho.
Olhos virados pra cima de novo.

E O PRÊMIO DE   'COISAS QUE MAIS ME IRRITAM'  , VAI PARA..
..O virar de olhos dela!
Nada me faz sentir tão idiota.
Nada.

-Se fossemos pra estar juntos, já estariamos há tempos.

Ponto. Pra falar a verdade - conversava comigo mesmo neste
momento-, Já esperava esse tipo de resposta, afinal você não
é o tipo ou o gênero que ela gosta, não é querido? Incrível como
foi um alívio.

(É assustador quando nossos sonhos ameaçam se concretizar.
É muito mais seguro quando eles são apenas sonhos.
E muito mais mágico.)

O clima desanuviou, ficou agradável até; bebemos, rimos, curtimos a
banda. Era outra noite como aquelas que tínhamos frequentemente.

Caminhávamos rumo ao metro, desfiando filosofias baratas e fofocas.
O dia ameaçava nascer, e ela riu gostoso; e eu a amei mais que
nunca. Sorri, e doeu. Mas foi uma dor boa no fim.

Entramos na estação.
Havia um simpático assento para gordos na plataforma, e ela sentou
ao meu lado. Disse assim:

-Você já tem que ir?
-Não. - Mas é claro que não.
-Que bom - e dentes.

Ela se aconchegou e deitou no meu ombro. Eu a aparei com meu braço. 
Ela precisou de dois minutos. Dormiu. 


Foi um turbilhão de coisas: Ela quentinha. A sensação boa de cuidar.
O frio repentino inundando as veias..

CONSTATAÇÃO DAS QUATRO E MEIA DE UM DOMINGO:
Ela nunca esteve tão perto, e tão longe.

Ela se remexeu e me tirou de devaneios.
Me perguntava se ela ainda dormia quando ela disse baixinho:
"- Sabe, adoraria te agarrar agora."
filhadaputa.
Eu expirei um sorriso.
E consegui conter todos os meus ímpetos e instinstos:
- O que você vai fazer hoje?
- Almoço com minha irmã, saída com 'aquela lá' a tarde.
- Me dá o resto do teu dia?
Risos e um olhar triste:
- Não posso, poxa.. já tá marcado.

- Cancela. Deixa elas pra lá. - E eu podia jogar poker com a cara que usei.

- Filho da puta - riu -, tá bom.

E foi uma tortura imensa agir normalmente, algo como tentar
segurar uma granada na mão. Mas sabe, eu tinha certeza
que ia valer muito a pena.
É.

Embarcamos.
Éramos dois filhos da puta. Era domingo.


Escrito por Felipe Gonçalves às 00h50

De quando se escrevia cartas.



Outro dia estive em uma agência dos correios. Fui passar um fax para uma instituição bancária. Fax para um serviço de cartão de crédito?! Sim, a ideia de anacronismo salta a mente de súbito! Por que não um e-mail com o tal documento escaneado? Também me perguntei. Mas que seria da vida sem as contradições, para o bem e para o mal. Certamente, seria outra coisa, difícil de definir, pois inexistente. Reparei que na fila e entre os que eram atendidos a minha frente ninguém portava envelopes de cartas, eram serviços bancários em sua maioria e uma ou outra encomenda. Nada de pequenos envelopes brancos. Ninguém escreve mais cartas? Foi inevitável pensar. E tentei lembrar a última missiva que postei pelo correio, fazia tempo, 9 anos, para uma amiga no Acre. Desde então só e-mails, pra muitas pessoas, longos e-mails pra alguns mais íntimos. Penso no que mudou na passagem do meio físico para o virtual, qual era minha emoção ao escrever e, sobretudo, receber e abrir um envelope de longe. Tive dificuldades em reaver tais sensações. E os mais jovens a desconhecem de todo. O e-mail está aí pra quem quiser ou puder se aventurar a estender sentimentos e acontecimentos em palavras. E me dou conta que o próprio e-mail envelheceu, poucos respondem, muito menos, o fazem com algum investimento maior de tempo, fica tudo pra próxima conversa, pra próxima cerveja, pra próxima praia, pro próximo chat no MSN. Que até poderão existir, mas tudo lamentavelmente fora de contexto e de tempo que a situação original sugeria. Gosto de cartas e longos e-mails, sinto por vivê-los cada vez menos, e, ao mesmo tempo entendo, um tempo em que a comunicação está limitada às parcas linhas dos MSN da vida e às mais rarefeitas ainda, palavras do Twitter. Tivemos grandes avanços de comunicação com a escrita instantânea e econômica, concordo, mas não posso deixar assinalar o quão mais complicado parece hoje sair da superfície do padrão raso do "face a face" do MSN. As cartas estão extintas, os cartões postais também, o e-mail como substituto é tomado como anacrônico e fora de moda. Outros códigos, outros tempos, volto à questão batida: o que ganhamos, o que perdemos?

Pra esclarecer sobre a sensação à qual me refiro. Segue uma carta a moda antiga...

"tá ligado?"


Carta de Caio F. Abreu para Hilda Hilst, sobre Clarice Lispector


"29/12/1970

Hildinha, 

a carta para você já estava escrita, mas aconteceu agora de noite um negócio tão genial que vou escrever mais um pouco. Depois que escrevi para você fui ler o jornal de hoje: havia uma notícia dizendo que Clarice Lispector estaria autografando seus livros numa televisão, à noite. Jantei e saí ventando. Cheguei lá timidíssimo, lógico. Vi uma mulher linda e estranhíssima num canto, toda de preto, com um clima de tristeza e santidade ao mesmo tempo, absolutamente incrível. Era ela. Me aproximei, dei os livros para ela autografar e entreguei o meu Inventário. Ia saindo quando um dos escritores vagamente bichona que paparicava em torno dela inventou de me conhecer e apresentar. Ela sorriu novamente e eu fiquei por ali olhando. De repente fiquei supernervoso e sai para o corredor. 
Ia indo embora quando (veja que GLÓRIA) ela saiu na porta e me chamou:
 - "Fica comigo." 
Fiquei. Conversamos um pouco. De repente ela me olhou e disse que me achava muito bonito, parecido com Cristo. Tive 33 orgasmos consecutivos. Depois falamos sobre Nélida (que está nos States) e você. Falei que havia recebido teu livro hoje, e ela disse que tinha muita vontade de ler, porque a Nélida havia falado entusiasticamente sobre Lázaro. Aí, como eu tinha aquele outro exemplar que você me mandou na bolsa, resolvi dar a ela. Disse que vai ler com carinho. Por fim me deu o endereço e telefone dela no Rio, pedindo que eu a procurasse agora quando for. 
Saí de lá meio bobo com tudo, ainda estou numa espécie de transe, acho que nem vou conseguir dormir.Ela é demais estranha. Sua mão direita está toda queimada, ficaram apenas dois pedaços do médio e do indicador, os outros não têm unhas. Uma coisa dolorosa. Tem manchas de queimadura por todo o corpo, menos no rosto, onde fez plástica. Perdeu todo o cabelo no incêndio: usa uma peruca de um loiro escuro. 
Ela é exatamente como os seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e uma amargura impressionantes. É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto. Acho que mesmo que ela não fosse Clarice Lispector eu sentiria a mesma coisa.
Por incrível que pareça, voltei de lá com febre e taquicardia. Vê que estranho. Sinto que as coisas vão mudar radicalmente para mim – teu livro e Clarice Lispector num mesmo dia são, fora de dúvida, um presságio. 

Fico por aqui, já é muito tarde.
Um grande beijo do teu Caio"

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

COISAS INTERDITAS EM STAR WARS...

E a sexta feira a noite continua dando frutos:



E ai, rolou ou não rolou?

Ainda a "Guerra": sem ingenuidade...


Ainda acompanhando os desdobramentos das ocupações da Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão, segue artigo instigante de Celso Marconi publicado na Carta Capital. Falar nisso, parece que o assunto já está começando a perder a "graça" nas TVs... 



Rio: nem maniqueísmo, nem complacência. Muito menos, ingenuidade
Celso Marcondes
http://www.cartacapital.com.br/politica/rio-nem-maniqueismo-nem-complacencia-muito-menos-ingenuidade2 de dezembro de 2010 às 18:07h

CartaCapital oferece uma coletânea, atualizada diariamente, de textos, entrevistas e análises sobre o combate ao tráfico no Brasil. Leia e opine
CartaCapital publicou mais de duas dezenas de artigos e análises sobre os últimos acontecimentos no Rio de Janeiro. Eles estão reunidos aqui, para sua consulta e reflexão. A complexidade do tema exige que sejam dispensadas as avaliações rápidas e maniqueístas. Não dá para reduzir tudo a uma luta entre mocinhos e bandidos. Há inúmeras questões a envolver o assunto, não é nosso papel de cidadão apenas clamar pela ação eficaz e poderosa de forças policiais.
Reunimos textos, entrevistas e opiniões distintas, análises sob ângulos diversos. Desta seleção fazem parte o jurista Wálter Maierovitch, nosso colunista, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, os políticos Brizola Neto, Marcelo Freixo, Chico Alencar, Vladimir Palmeira, Renato Simões e Plínio de Arruda Sampaio, a urbanista Raquel Rolnik, o professor José Cláudio Souza Alves, o economista Paulo Daniel, o jornalista e editor da Carta, Mauricio Dias, a Ong Observatório das Favelas e a Associação Juízes para a Democracia. E as manifestações de vários leitores. Além das matérias de sites e blogs parceiros.
A corrupção dentro da polícia é um dos temas mais abordados pelos textos. Afinal, calcula-se que as milícias controlam mais de 40% das favelas cariocas. Luiz Eduardo Soares chega a dizer que “a primeira coisa que a polícia tem de fazer para combater o tráfico é deixar de se associar a ele”. Bombástico, não é?
Também é muito discutida a situação precária de nossos presídios – com seus altos índices de portabilidade de celulares – e a peneira das fronteiras, a receber generosas importações não registradas da Colômbia, Bolívia, Peru e Equador. O crime organizado transnacional é especialidade do Maierovitch que lança agora livro a respeito.
Outra questão importante: o arsenal mais que moderno em posse dos marginais nos foi apresentado pela telinha, até bazuca eles têm, muita coisa desviada de delegacias e depósitos oficiais, nem tudo com visto de entrada do Paraguai. Se só no Alemão tinha aquilo tudo que apareceu, imaginem no Rio inteiro. Aquele era reduto maior do Comando Vermelho. Qual será o estoque do Terceiro Comando e da Amigos dos Amigos? E o PCC paulista, onde e quanto armazena?
Mais um aspecto do imbróglio para mexer com corações e mentes: as responsabilidades dos usuários. Um leitor (leia “Favela cercada, usuários na praia”) nos escreveu indignado ao contar a placidez com que alguns fumavam maconha nas praias do Leblon enquanto o pau comia no Alemão. Ele lembra que, quando questionados, os usuários contumazes da erva respondem rápido – “Precisa legalizar!”. Mas há que retrucar – “E enquanto não legaliza?”. Debate nada fácil, mas que tem tudo a ver com a situação.
São tantas as questões envolvidas, que qualquer redução da solução do problema pela combinação pura e simples da implantação de UPPs com a ação policial vigorosa ultrapassa os limites da ingenuidade. Principalmente quando se conhece que as Unidades de Polícia Pacificadora – que não podem ser confundidas com meros postos policiais permanentes – só cobrem até aqui uma mísera parte das favelas do Rio (2%) e que serão necessários 7 meses para ver duas delas implantadas no Complexo do Alemão.
Voltam à tona também questões eternas no Brasil, como a trágica precariedade da ação do Estado nos bairros pobres das grandes cidades (leia o deputado Brizola Neto, a lembrar dos finados CIEPs do seu finado avô), a inexistente integração das diversas polícias e aparatos de repressão, a dificuldade da relação entre os governos municipais, estaduais e federal (que, pela primeira vez, não pareceu problema no Rio), o papel omisso do parlamento. Ou nem sempre omisso, cúmplice mesmo, como dizem Freixo e Alencar.
E o que dizer do papel das Forças Armadas nesta história? O jornalista Luiz Carlos Azenha nos informa que os EUA são a favor da ação do Exército nestes casos. Mas, apenas o Exército de outros países, Azenha ressalva, nada dentro das fronteiras americanas. Interessante. Ainda mais quando lemos matérias nos jornais que dão conta da existência de soldados do nosso Exército envolvidos com a ocupação dos morros que estão com medo de voltar para suas moradias, situadas em favelas, obviamente, porque seus familiares são ameaçados por traficantes. Como será que eles vão sair dessa?
Para recordar os piores momentos da nossa recente campanha eleitoral, tinha que surgir também o viés conservador de uma parte da sociedade brasileira. Não faltaram nas páginas do Facebook, muito pelo contrário, os que aproveitaram a oportunidade para defender a mudança na legislação sobre a maioridade penal e os que tentam limitar os direitos humanos universais a uma parcela da humanidade.
A onda raivosa torna possível afirmar que qualquer pesquisa feita agora pelo Datafolha indicaria um significativo crescimento dos defensores da implantação da pena de morte no País. As imagens da fuga de dezenas de marginais pela estrada de terra da Vila Cruzeiro foram acompanhadas por intensa torcida para que chegasse um helicóptero com a caveira estampada a metralhar os que corriam como ratos de um esgoto.
Por falar em helicóptero, o papel da mídia é outro aspecto do debate. Dá para aceitar como normal uma aeronave da Rede Globo a sobrevoar tranquilamente uma zona de combate? A cobertura estilo talk show? Uma repórter a comemorar ter sido a primeira a chegar ao alto do morro? O endeusamento dos homens de preto?
Mas como tudo tem mais que um lado, dá para comemorar sim as matérias que denunciaram abusos dos policiais ao “revistar” as casas de moradores. Como deve ser exaltado o papel da internet, principalmente dos garotos do @vozdacomunidade, que deram um show de cobertura jornalística em meio ao olho do furacão. Direto do Complexo do Alemão viram saltar seu número de seguidores de 180 para 36 mil em uma semana. Se você ainda não os conhece, ainda é tempo, clique neles.
Mas CartaCapital não tem um site que pretenda concorrer com os grandes portais de notícias. Como nossa edição impressa, optamos pela análise e conteúdo diferenciado, pelo incentivo ao debate e, ao cabo dele, pela tomada de posição.
Os textos relacionados aqui devem ajudar no posicionamento do leitor, como estão a ajudar no meu. Abaixo deles, no espaço destinado aos COMENTÁRIOS, você pode registrar sua opinião.
2. Wálter Maierovitch, em 25/11/2010: Rio: onda de ataques já atingiu finalidade.
3. Walter Maierovitch, em 26/11/2020: A represália do crime organizado.
4. Marcelo Freixo, em 25/10/2010: Um deputado no olho do furacão.
5. Marcelo Freixo, em 24/11/2010: Caso para o serviço de inteligência.
6. Vladimir Palmeira, em 25/11/2010: Onde foram parar todos os criminosos.
7. Prof. José Cláudio Souza Alves, em 25/11/2010: Violência no Rio: a farsa e a geopolítica do crime.
8. Mauricio Dias, em 26/11/2010: Como em Canudos
9. Plínio Arruda Sampaio, em 26/11/2010: Caçada na favela da Vila Cruzeiro
10. Página 12, argentino, em 26/11/2010: Rio entre balas, policiais e narcotraficantes
14. Observatório de Favelas, em  27/11/2010: Observatório de Favelas: lógica de “guerra” é retrocesso
15. Luiz Eduardo Soares, em  27/11/2010: A crise no Rio e o pastiche midiático
16. IHU On-line, em 29/11/2010: A reorganização da estrutura do crime
17. Ricardo Targino, em 29/11/2010: Os paraísos fiscais e os infernos reais
18. Luiz Carlos Azenha, em 30/11/2010: A tropa de elite e os cucarachas
20. Paulo Daniel, em 30/11/2010: Um pouco das favelas cariocas
21. Entrevista com Brizola Neto, em 30/11/2010: Rio: combater o tráfico sem criminalizar a pobreza
24. Gerson Carneiro, em 01/12/2010: O avesso da escolha de Sofia
25. Entrevista com Rubens Casara, em 01/12/2010: Quando a ação policial perde a legitimidade

Celso Marcondes

Celso Marcondes é jornalista, editor do site e diretor de Planejamento de CartaCapital. celso@cartacapital.com.br

E chegou a sexta feira: Vamos em PAZ!

Contribuição do Blog pro clima de Paz, Esperança e Confraternização que tomou conta do Brasil e das TVs nesses últimos dias:




bom final de semana!

ps: Sempre desconfiei dessa estranha sintonia entre hippies e pombas. Claro que isso não podia estar certo.