domingo, 12 de dezembro de 2010

Ateus vesus Crentes: essa não é uma questão

«O Purgatório» (Divina Comédia de Dante), Gustave Doré, 1868

Considerações de um dedicado cientista amigo meu a respeito das distorções de um tipo de percepção sobre o ateísmo. Como cientista, ele deve saber o que está dizendo, acreditem!
Como é incrível ter amigos cientistas, quando criança os cientistas me fascinavam, fosse nos desenhos animados, fosse nos quadrinhos.
Os cientistas loucos, ou doidos, como esse meu amigo, então... o mundo era deles.
Pena que era só por pouco tempo, até chegar o chato do super-herói e desmontar o plano. Fazer o que, né? Como a Marvel ia ganhar dinheiro?

Tá aqui:
http://www.blogdosperrusi.com/2010/12/11/a-gosma-verde-e-o-ateismo/comment-page-1/#comment-12583

Segue:

A Gosma Verde e o Ateísmo

Li, na coluna de Fernando de  Barros e Silva, lá da Folha, o seguinte:
As imagens de Charlie Chaplin e de Adolph Hitler estão lado a lado. Abaixo do criador de Carlitos está escrito “não acredita em Deus”; abaixo do líder nazista, “acredita em Deus”. No alto, o slogan: “Religião não define caráter”.
Essa é uma das quatro propagandas que a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) estaria veiculando, desde ontem, em ônibus de Porto Alegre e de Salvador
Sou um ateu e acredito, piamente, que a alma é uma secreção verde que sai do nariz vinda do sistema límbico. Posso afirmar, baseado na minha longa experiência, que há muita secreção dentro de mim.
Sim, sou ateu, mas não sou burro. A burrice é o único valor universal e, assim como a peste bubônica, pega todo mundo. Por isso, afirmo que a propaganda acima é burra e terá o efeito contrário do desejado: aumentará o preconceito contra os ateus.
A ATEA parece não compreender que ateu pode ser qualquer coisa. Nada o define, exceto sua negatividade diante da existência de Deus. O ateu é possuído pela Indiferença Absoluta defronte da Grande Gosma Verde do Cosmo. Claro, pode ser uma ou várias, mas  monogosma ou poligosma dá no mesmo. É só isso. Dependendo da época, a Indiferença pode ser uma conduta de resistência à intolerância religiosa, como atualmente, por exemplo. Mas, politicamente, essa resistência não precisa ser expressa como uma posição normativa, com preceitos e dogmas, pois isso seria… religião. O ateu deveria ser o mais laico dos laicos — a laicidade extremada deveria ser sua política.  Só isso.
Claro, é uma bela fantasia um mundo sem religiões e sem gosma verde — sem espiritualidade, por exemplo, esse termo absolutamente irritante, que é expresso como quem masca um chiclete. Sobrariam poucas pessoas no mundo, quase ninguém, e isso seria muito bom. Aos poucos, a espécie humana desapareceria, após o último bocejo de um ímpio. As religiões são gigantescas mães que não param de parir humanos na Terra — há uma correlação positiva entre crenças religiosas e densidade demográfica. Os ateus gostam de trepar, mas não de reproduzir — há algo milagroso na vida, por isso, muito repetitivo. Quem inventou, afinal de contas, o anticoncepcional foi um ateu.
(Os comunistas soviéticos tentaram acabar com a religião. Foi uma bela empreitada, sem dúvida, um assalto aos céus. Mas não deu certo. Não atentaram que a solução mais óbvia teria sido a esterilização total da população soviética. Stalin, infelizmente, era um genocida político e não uma uma marca de contraceptivo)
Seria uma honra ser o último ateu a soprar a velinha cósmica e, enfim, terminar essa peça de teatro ridícula, produzida por Malboro, esse extraterrestre ultrapoderoso de Betelgeuse — sim, foi Ele que armou tudo: produção, roteiro, montagem, direção, cenário e figurino… Deu no que deu.

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