segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Fausto Fawcett: o lado B de Copa, o lado B de tudo, quando as coisas tinham um lado B...


Entre o final dos anos 1980 e início dos 1990, Fausto Fawcett foi um dos ícones do pop-underground da música brasileira. Um cenário no qual um tipo de rock inteligente e incômodo chegava com mais facilidade aos limitados canais de divulgação em massa. Coisa quase impossível nos dias de hoje com tanta gente certinha demais cantando coisas certinhas, previsíveis e vendáveis sobre amor.
Tinha-se as FMs da época tocando Katia Flávia e Básico Instinto, além de shows lotados tanto em bares do tipo zona Sul ou underground, aparição em shows de TV e até mesmo, como no caso de Fausto, um programa próprio na TV Bandeirantes, o lendário e praticamente esquecido, Básico Instinto.

Nessas esquecidas madrugadas pré-internet, Fausto Fawcett dava seu recado contracultural baudrillardiano, louvando e desconfiando de tudo que as sedutoras mensagens de um turbo-capitalismo nascente podiam oferecer. Afinal eram tempos inspirados na não menos mítica cruzada de pernas, sem calcinha, de Sharon Stone, neoliberalismo estava a pouco de anunciar que a história tinha acabado. O ciberpunk de Willian Gibson e o Blade Runner de Ridley Scott nos convencia com facilidade a desconfiar do futuro que chegara.

Em êxtase, um novíssimo público dessa novíssima hiper-mídia que se abria para todo tipo de novos produtos, pouco entendia do que chegava a seus ouvidos. Talvez essa tenha sido a brecha que permitiu o fenômeno Fausto.

Sua música descrevia num texto ruidoso, eficiente e transgressor uma nova ordem de sentidos, desordem caótico-hedonística, presente em todas as coisas tomadas como belas pela grande mídia. 
Coisas desejadas numa escala absurda, loiras estonteantes e inalcançáveis, mesmo em mil vidas: Katia Flávia, Sharon Stone, Farrah Fawcett, Angélica, Xuxa. Até mesmo morenas, como a despudorosamente bela Sívia Pfeiffer, como versão tupiniquim das novelas globais para Isabella Rosselini em Veludo Azul.

A beleza lasciva e hipnótica dos produtos e das mensagens midiáticas são desmontadas e desnudadas por Fausto. A maquinaria erótica que compõem o poder capitalista de controlar a tudo como o próprio Fausto mitológico, se encontra em seus versos construindo um ambiente decadente de uma Copacabana ao mesmo tempo real e imaginária, na qual os desejos mais sujos podem e são materializados através do dinheiro.

Como na lenda, tocado por mefistófeles, progresso e poder corrompem o espírito humano, fazendo-o desejar além de todo limite moral. Se há algum problema nisso? Para a música de Fausto, não, trata-se apenas de dar vazão e ficar atento a fúria das ruas, aos sons de Madonna, às propagandas de eletrodomésticos, às prostitutas high-tech que os incontáveis fluxos de bits transmitem a cada nano-segundo por uma atmosfera cada vez mais virtual.


SILVIA PFEIFFER








SILVIA PFEIFFER
Copacabana
Foi transformada num super gueto de capitalismo exacerbado.
Um território, paralelo à Sarney e à Teófilo Moreira,
Um vácuo financeiro e industrial dominado por gigantescas empresas transnacionais,
Gigantescas empresas armamentistas brasileiras.
Copacabana está repleta de telões, passando gigantescas imagens de tudo.
Os habitantes do super gueto capitalista, no meio da vertigem audiovisual,
Costumam concentrar seu olhar no maior telão do mundo,
Onde passam ininterruptas imagens da mais bela e sofisticada das manequins, a manequim número um:
Silvia Pfeiffer.
E o que sentem os habitantes de um super-gueto capitalista?
De tanto ver o mundo ser transformado em imagem,
De tanto ver a vida ser transformada em show de realidade patrocinada,
Eles já não sabem o que é, e o que não é real.
Não sabem se os seus sentimentos são seus mesmos
Ou se são ficção de personalidade.
Bombardeados pelo delírio das ficções comerciais e não comerciais,
Eles vivem envolvidos com mundos que só existem no desejo.
Para eles, o invisível já é uma coisa muito vulgar, o transcendental já é algo tão banal,
Devido às excessivas fotos, vídeos, filmes,
Sobre a anti-matéria, sobre os espectros microscópicos,
Devido às excessivas imagens divulgadoras do invisível.
E quando o invisível já é uma coisa muito vulgar, quando o transcendental já é algo tão banal,
Que emoção espiritual resta para os habitantes de um super gueto capitalista,
Cujos olhos estão magnetizados pela excessiva presença de gigantescos televisores?
A ultima emoção espiritual, é a fascinação.
Fascinação por imagens cada vez mais artificiais,
Imagens que os façam pensar em mundos não humanos, em universos paralelos.
E quem são as heroínas dessa fascinação espiritual?
As manequins das revistas de moda mais sofisticadas.
Incorpóreas ladies, garotas de fisionomia etérea, mestras da sedução calculada.
No meio da vertigem audio-visual, os habitantes de um super gueto capitalista
Costumam concentrar seu olhar no rosto da mais bela e sofisticada das manequins:
A manequim número um.
Mundos não humanos,
Universos paralelos,
Fascinação espiritual,
Mundos que só existem no desejo.
Sílvia
Pfeiffer


Let's Rock? Martina Topley-Bird


Desde dos vocais de Massive Attack, Tricky e Gorillaz sua voz me apaixona. Em que pese, que me apaixono fácil e ela é linda, a harmonia aveludada de sua voz conta pequenas histórias de cada um, algumas reais, outras inventadas outras mais desejadas... De que é feito o desejo? O que nos faz andar em círculos ou nos lançarmos qual elefantes sem asas precipício abaixo? Quem nunca parou pra pensar nessas coisas que atire a primeira caixa de cassetes.
O último álbum de Martina Topley Bird, Some Place Simple, eleva a um patamar superior sua poesia. Intimista, minimalista, destaca sua voz e nos convida quase que pessoalmente, a parar em alguma praia e ouvir algo que o vento traz de longe, de um outro tempo e lugar... em sussurro, em segredo.

Curtam Baby Blue e Valentine.

Por uma segunda feira mais musical!



I don't think you should wait nor a minute more
'Cause che's a girl that you've been waiting for
Funny how the noises that I'm making
Can't drown the sound of my heart breaking
Baby Blue
I don't know what to do when you call to me
Baby Blue
I never really knew I belonged to you.
Just one brief glance was all that I needed to
Believe that you might feel what I feel for you
In the night I wake up after breathing
No fish (?), you're calling to me in my dreaming
Baby Blue
I don't know what to do when you call to me
Baby Blue
I never really knew I belonged to you
No ageless trance will rush up to meet me and feign
The love will remain
Baby Blue
I don't know what to do when you call to me
Baby Blue
I never really knew I belonged to you
For pleasure glows if only I find a blue (?)
In the night, into his room
Brush his lips, wait 'till the morning
In his eyes a new love dawning
Baby Blue
I don't know what to do when you call to me
Baby Blue
I never really knew I belonged to you



It's oh so late to start wishing
This heart of mine, you're gonna own
They fade away and now you're here
I didn't know
It's only you....
Valentine....
Go out in the light
Why suffer back in the game
All living, all our sin the same
All the faithful heal, they're all praying
They refer to
Valentine....
Oh, return
They release you then you turn to see
Make it feel alright
The only thing is that I didn't
I tried to climb but fell on home
I feel around and still your here
Your coming home But before you do...
Valentine
Go out in the light
Out in the moonlit sky
I saw you….

domingo, 30 de janeiro de 2011

Poesia 13: Em Cada Momento que Te Desejei

Milo Manara
Em cada momento que te desejei, colhi uma flor pra te dar
Em todo desvairo, não via, um jardim se desfazendo
Cada contorno e cada cerca, tudo quedava
Num outono prematuro
Dentro de mim, onde não brilhava o sol, onde nada crescia
Onde te sentia
Ao longe
Em cada flor colhida
Em uma promessa e um suspiro, um alívio e uma agonia
Falta de ar, falta de chão
Amar era ter as rosas e atravessar-me de espinhos
Quase uma canção triste de mil alegrias perdidas
E promessas inalcançáveis em sonhos de criança
De cada momento que te tive quedei-me em não saber onde ia
Em cada flor colhida do jardim que pisei
Matava parte de mim enquanto já não mais te sentia
E ao longe, tua beleza declinava, quando eu não mais te via
Sem euforia,
Sem desespero,
Sem flores,
Sem espinhos,
Só.
                                                                     


sábado, 29 de janeiro de 2011

Liquid Sky (1982)



Filme invocado de sinopse confusa. Não entendi nada da idéia. Por isso mesmo, adorei-a!

Alienígenas invisíveis em um disco voador minúsculo vêm à Terra em busca de heroína. Eles pousam no topo de um apartamento em Nova Iorque, onde moram uma traficante e sua amante andrógina, ninfomaníaca e bissexual, que é modelo. Os alienígenas logo descobrem os feromôneos criados no cérebro durante o orgasmo e os preferem à heroína, e então os amantes da modelo ninfomaníaca começam a desaparecer. Este cenário incrivelmente bizarro é observado por uma mulher solitária que mora do outro lado da rua, um cientista alemão que está seguindo tanto alienígenas quanto o igualmente andrógino modelo masculino viciado em drogas (os dois modelos são interpretados por Anne Carlisle).





Dica de Beatrix. Valeu!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fim da Praia Naturista de Tambaba: vitória da especulação imobiliária?

praia tambaba nudismo Praia de Tambaba Paraíba   Naturismo no Brasil
Praia de Tambaba
Para refletir um pouco sobre os riscos da ocupação ambientalmente predatória do litoral Sul da Paraíba via especulação imobiliária.


Fonte:Aqui

Paraíso Perdido: Tambaba, um paraíso ameaçado pela especulação imobiliária

O prefeito Aluísio Régis está mexendo com um vespeiro. Ele está querendo fechar a porta do “paraíso” para milhares de adeptos do naturismo que freqüentam Tambaba, a maior referência turística da região metropolitana da capital e considerada uma das três praias mais bonitas do litoral brasileiro.
Segundo defensores do “paraíso” localizado no litoral sul do Conde freqüentado principalmente por naturistas de outros estados e de outros países - sede de encontros internacionais da prática do nudismo, o prefeito que, por muito tempo usufruiu da condição de “criador da praia”, estaria encaminhando mensagem ao Poder Legislativo municipal para extinguir a prática que vem desde Adão e Eva e que fora tão bem cultuada pelos nossos indígenas, eles que já vagavam nus quando as primeiras caravelas aportaram por aqui.
Como pretexto para o ato de violência contra a principal atração do turismo do município e do Estado, responsável pela explosão de pousadas e pela freqüência de milhares de pessoas na região, Aluísio estaria alegando “ocorrências policiais” envolvendo praticantes do naturismo, com o agravante de que, uma das personagens acusadas de prática de pedofilia na praia, seria membro da Sonata, entidade que administra Tambaba.
A prisão repercutiu e ensejou oportunidades para que o prefeito do Conde invadisse os espaços mais nobres e influentes da mídia paraibana para expor e justificar seu propósito de extinguir Tambaba que, para ele “já deu o que tinha de dar”.
A ocorrência policial apresentou-se com visível toque de armação desde o principio e tornou-se suspeita depois que o Ministério Público desconsiderou as provas apresentadas pela Polícia Civil, que seriam fotos apreendidas no computador do acusado.

Invasão Imobiliária

Mas, o que se tem tornado suspeito – e criminoso – é a avassaladora explosão imobiliária nos últimos tempos principalmente depois que Aluísio Régis retomou o comando político do município.
Ela seria tanta que a legislação ambiental em vigor no Estado estaria sendo desrespeitada de forma acintosa pelos investidores imobiliários sedentos em pôr as mãos numa das últimas reservas naturais do litoral nordestino e uma das mais bonitas ainda na sua plenitude original, onde o verde serve de adorno a paisagem deslumbrante.
Ao tempo em que Aluísio Régis organiza suas forças para destruir o símbolo da preservação ambiental da orla do seu município, interesses imobiliários poderosíssimos vindos de recantos como o EUA e Europa aportam no município alardeando vantagens que só beneficiariam especuladores, autoridades corruptas, milionários do mundo todo, contemplados com megas projetos de instalação de condomínios de luxo em detrimento do patrimônio natural.
Esse jogo de interesses imobiliários, que reúne cifras astronômicas, seria de fato a razão única para o fechamento de Tambaba, a pérola do projeto de expansão imobiliária, que seria atrelada a esses espaços nababescos.
São empreendimentos bancados pelo capital internacional que já fizeram a festa de mercados como Maceió, Recife, Natal e Fortaleza e terminou por levar à degradação o seu rico patrimônio ambiental.
Para esses setores que defendem a integridade física de Tambaba, a instalação de grupos imobiliários como a Century 21, uma das mais poderosas organizações imobiliárias do mundo, no Conde, não seria mera coincidência.
Ela veio atraída supostamente pelas promessas de revogação da rigorosa legislação estadual que permitiria a devastação da riqueza ambiental para instalação de monumentais empreendimentos imobiliários, que vem ser a sua marca registrada.
A Century – apenas para dar como exemplo a força dos setores mobilizados convocados para invadir o litoral sul - chegou com pompa e, segundo os naturistas, com voracidade, e festejando o potencial imensurável da área metropolitana da capital paraibana na qual está inserido o Conde, onde fica Tambaba.

Pioneiro

Um dos pioneiros na devastação e no desrespeito a legislação ambiental que protege o litoral paraibano teria sido o ex-governador Cássio Cunha Lima. Ele por todo seu período de seis anos como governador comprou briga com o setor imobiliário da capital por querer o monopólio de projetos como o Costa do Sol criado ainda no Governo Burity II.
Através de parentes e amigos, Cássio teria investido no litoral sul, onde gostava de veranear e onde inaugurou o estilo de privatização de praias para seu deleito e de poucos privilegiados.
Junto com parentes teriam também investido na invasão de áreas consideradas de preservação ambiental (APAS) e construído os primeiros condomínios fechados em praias como Coqueirinho, outro paraíso terrestre, hoje sobre controle da iniciativa privada.
Com a eleição de Ricardo Coutinho e o evidente prestígio do ex-governador cassado a chama da ganância imobiliária foi reacendida e, novamente o rico patrimônio ambiental do Estado estaria sob ameaça.
Não foi a toa que o prefeito Aluísio Régis foi um dos primeiros peemedebistas a aderir ao governador Ricardo Coutinho. Sua pressa foi tanta que era um dos primeiros da fila na solenidade de posse do governador socialista.
Aluisio sabe que o tempo é curto e só lhe resta à metade de um mandato para consumar o sonho de sua vida: lotear o litoral sul, ambição que foi abortada por Tarcísio Burity ainda nos idos de 79, quando criou uma das legislações mais modernos do mundo em defesa do patrimônio ambiental hoje em risco pela ganância desenfreada dos especuladores e da falta de compromisso de governantes inescrupulosos.
O Jampanews inicia uma série de reportagens abordando a devastação do patrimônio ambiental n litoral sul consumado sob o olhar complacente das autoridades do setor e estimulado por setores ligados aos interesses imobiliários.

Manu Chao: Manifesto EZLN (Exército Zapatista de LIbertação Nacional)

Manu Chao com camisa do EZLN

Notas aleatórias de campo. Um outro tempo, um outro lugar. Curioso perceber a mudança do discurso ao seu redor quando se muda de lugar e de grupo primário de convívio. O antropólogo, mesmo espontâneo, materializa essas impressões e divide com outros que não a experimentaram. No meu caso, me estranhou na minha mudança de cidade, de repente ver-me envolvido por uma realidade na qual, Jorge Ben ou Manu Chao são largamente considerados  como "alternativos" (quando conhecidos), sobretudo pelo público jovem. Não que não o sejam, diante de um cenário onde a maioria das pessoas está atrás de sons mais "acessíveis" e "conhecidos".
Me chamou particularmente a atenção, frente a experiência de convívio anterior com o grupo de onde venho, que simplesmente o termo "alternativo" não era utilizado para esse tipo de música (ou mesmo cinema). E se me perguntassem antes, como eu, ou alguém do meu grupo mais próximo,  chamaria esse tipo de música ou estilo, eu diria, "não chamaria", pois estava imerso num grande ambiente onde conhecer e vivenciar essas referências seria lugar comum.
Claro, provavelmente no meu lugar de origem, minha maneira de ver as coisas seria minoria também, mas assusta quando de repente você se vê convivendo num circuito onde as rotulações se voltam para coisas que lhe são caras e que antes, simplesmente, passavam desapercebidas.

A propósito: Sábado, dia 29/01/11, vai ter show de Manu Chao na Praia de Tambaú, João Pessoa, Paraíba.

Mais do que um show, pra mim um manifesto. Uma oportunidade de vivenciar pedaços de velhos sonhos de uma alma inquieta, que de vez em quando acredita em mudar o mundo e se emociona com os próprios fracassos.
Estará cheio, último dia de férias. Pelo menos mais gente terá a chance de vivenciar algo "alternativo", talvez algo mude...





Let's Rock? The Stooges/ Iggy Pop


E por falar em Iggy Pop, nesse eu estava lá!

I WANNA BE YOUR DOG!


Ver uma lenda viva, não tem preço...

Rockstar: além da imagem e do som

[iggy+pop.jpg]
Iggy Pop

O que você vai ser quando crescer? Uma em cada cinco crianças respondem, astro do rock! Atire a primeira baqueta quem nunca pensou pelo menos um momento e por alguns segundos: "e se... eu tocasse guitarra?" "Se... formasse uma banda?" etc... paro por aqui, até porque, sem uma cerveja não faz muito sentido falar mais sobre isso.

Abaixo, ensaio do fotógrafo suiço Matthias Willi, The Moment After The Show: Rockstars Exposed captando o momento além da fúria que assola os palcos de rock'n roll. Na intimidade, além do astro, mais da poesia ruidosa do rock se revela.  


Iggy Pop

Chino Moreno - Deftones
Nick Oliveri - Queens of The Stone Age
Jesse Hughes - Eagles of Death Metal

Joey Castillo e Josh Homme - Queens of the Stone Age
Els Pynoo - Vive La Fête
Robert Trujillo - Metallica
Kid Rock
Matt Bellamy - Muse
Juliette Lewis - The Licks

Gnarls Barkley - Danger Mouse and Cee-Lo Green
Mike Patton - Fantoma/Faith No MOre
Brian Molko - Placebo
Amy Winehouse


FHC e a Descriminalização das Drogas: uma outra idéia


FHC acaba de lançar uma ONG para defender a descriminalização das drogas. Segundo ele a guerra contra as drogas fracassou e a criminalização de usuários deve ser superada. A pergunta que não quer calar é: como o conservadorismo PSDB-serrista vai digerir essa rasteira de FHC nos próximos anos? Aécio Neves comprará a idéia? 
Fonte: Aqui

Haverá uma outra maneira de se lidar com a ameaça das drogas sem se recorrer à chamada "guerra às drogas"? Um grupo de personalidades mundiais, ex-presidentes, intelectuais, empresários, políticos e cientistas acha que sim. Em Genebra, houve o lançamento da Comissão Global sobre Políticas das Drogas, dirigida pelo ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, nesta segunda e terça-feira (24 e 25/01). O grupo defende a descriminalização das drogas.
A ONG não tem o apoio e nem financiamento da agência da ONU contra as drogas (UNODOC - United Nations Office on Drugs and Crime), mas se reuniu para institucionalizar um movimento, com o objetivo de se reavaliar qual a melhor maneira de se enfrentar as drogas e os traficantes, já que - segundo a Comissão - "a guerra às drogas é um fracasso".
Danos e mais mortes
Como disse, Ruth Dreyfus, ex-presidente e conselheira federal da Suíça, os danos provocados pela guerra ao tráfico de drogas são mais dispendiosos, mais funestos em termos sociais e provocam mais mortes, no combate com os traficantes, que o próprio consumo das drogas. E todos estão de acordo com o fato de os traficantes, pelo volume de seu comércio, são mesmo uma ameaça a muitos países.
Outra problemática complexa é o que fazer com a mão-de-obra mobilizada pelo tráfico. Casos típicos seriam como a Guiné-Bissau, considerada a mais importante plataforma do tráfico para a Europa e um verdadeiro  Estado-traficante, e os países asiáticos produtores do ópio. Para Ruth Dreyfus, é preciso se saber o que dar em troca aos agricultores que vivem do ópio ou da coca, não basta simplesmente se destruir.
A maioria dos participantes dessa Comissão, de carácter internacional em formação e ainda marginal, são latino-americanos, mas há também europeus, empresários e políticos ligados à União Europeia, além de dirigentes de órgãos internacionais de combate à Aids, já que muita contaminação é feita com seringas contaminadas.
Descriminalização
Fernando Henrique Cardoso, falando das relações com a ONU e como o movimento será financiado, ressaltou que a política atual da ONU "ainda está ligada à repressão, à mesma política americana, que pune com prisão o consumidor".
Para FHC, nesta fase inicial do movimento, fará apelo à sociedade civil e a diversas entidades para que contribuam e permitam que a Comissão se desenvolva. O ex-presidente brasileiro também faz uma diferença entre descriminalizar e despenalizar as drogas, embora seja contra uma simples liberação das drogas.
"Os viciados, vítimas das drogas, não devem ser presos mas a tratados, seguindo-se nisso a política aplicada pela Holanda, Suíça e Portugal", disse. Num artigo publicado no jornal suíço Le Temps. FHC fez elogios à política suíça para drogas, que diminuiu o número de infectados pela Aids com a distribuição gratuita de seringas e utilização da metadona como droga substituta à heroína.

Descriminalização das drogas: uma ideia

Canna cola, refrigerante de maconha
Canna Cola

Defendo a continuidade e avanço da discussão sobre a discriminalização das drogas. Além de todos os medos e preconceitos, a manutenção da mera proibição via caracterização criminal é escandalosamente insuficiente. Antes de tudo, é preciso uma compreensão mais ampla do próprio consumo, por que existe? Qual sua extensão? Como se vincula com a realidade de uma forma complexa? Bem, de uma forma ou de outra a realidade, contra os moralistas, continua mudando.

Fonte: Aqui

Uma companhia norte-americana criou uma nova linha de refrigerante contendo maconha entre seus ingredientes. Segundo a revista Time, essa não é a primeira bebida do tipo no mercado, mas um dos criadores do refrigerante, Clay Butler, afirmou que "adultos têm o direito inalienável de pensar, comer, fumar, beber, ingerir e usar o que quiserem".

Butler garante que nunca fumou maconha ou cigarros comuns. Entre as bebidas que comporão a nova linha de produtos baseados em marijuana estará a Canna Cola - cada garafa deve custar entre US$ 10 e US$ 15 (de R$ 17 a R$ 24) e contém de 35 mg a 65 mg da substância ativa da droga, o THC (tetrahidrocanabinol).
Bebidas concorrentes têm até três vezes mais quantidade de maconha que a Canna Cola. O refrigerante deve ser lançado ainda este ano no estado do Colorado.
Um dos objetivos da Canna Cola é servir de opção às pessoas que usam maconha por indicação médica.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tintin Cineclube: Pergunte Pro Seu Orixá



Tintin Cineclube | quarta-feira | 20h30 | 26.01
Usina Cultural Energisa | Rua Juarez Távora, 243 – Torre (início da Epitácio Pessoa)
 ASSACINE
***PERGUNTE PRO SEU ORIXÁ
26.01 | quarta-feira | 20h30
Ingressos R$ 2 | R$ 1 [estudantes e abdistas] 
O primeiro Assacine de 2011 acontecerá nesta quarta-feira, dia 26, com a benção de todos os Orixás. Serão lançados na Usina Cultural Energisa, a partir das 20h30, dois documentários em curta-metragem que retratam aspectos da cultura e de cultos afrodescendentes praticados no estado da Paraíba. A exibição de “Uma Ciência Encantada” de Chico Sales e “Oferenda” de Ana Bárbara Ramos será acompanhada de debate com os realizadores e de uma projeção fotográfica das Fotos Stills de ambos os filmes, realizada por Leandro Cunha.
***UMA CIÊNCIA ENCANTADA, de Chico Sales [doc, 20’, 2010, Paraíba]
Um filme sobre percepções e impressões dos encantos e mistérios de uma praia, inserida na cosmologia da Jurema Sagrada.
.."Pergunte pro seu Orixá/ O amor só é bom se doer"... (Vinícius de Moraes)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

No Brasil não há racismo... o brasileiro é gente boa demais pra esse tipo de coisa



Pesquei do Blog do Perrusi que pescou no Biscoito Fino. Preocupante a determinação ideológica brasileira, sobretudo de nossas elites, de negar a existência da prática de racismo. Interessante é perceber gente que hoje, nega até mesmo a existência de alguma elite no Brasil que possa praticá-lo, taxando tal construção como retórica populista de palanque de Lula. Brancos, evidentemente...


Lá no Biscoito Fino, foi publicada uma denúncia importante. E choca, para dizer a verdade; mas, ao mesmo tempo, não causa surpresa, exceto para os crentes do “não somos racistas".
A vítima foi Ice Band, isto é, Hudson Carlos de Oliveira, responsável pelo projeto Hip Hop Educação para a Vida.
O episódio tem todos os ingredientes do racismo brasileiro: a velha prática racista de juntar negro, pobre e delinquente no mesmo saco de estigmas.
Lá vai:
No Brasil “não-somos-racistas”, mais um negro é espancado gratuitamente. Que não fique impune
Hudson Carlos de Oliveira não é qualquer um, no sentido de que não é um belo-horizontino desconhecido. Hudson é diretor do Centro de Referência Hip Hop Brasil e educador na área de artes, responsável pelo projeto Hip Hop Educação para a Vida. Tudo o que fez Hudson foiadentrar um bar no bairro de Santa Efigênia, zona leste/central de BH em 28 de novembro de 2010. Só isso. Conhecido que era do garçom—como é conhecido de zilhares de outros belo-horizontinos, amigos meus inclusive–, Hudson se aproximou dele para saudar, conversar, tirar um dedo de prosa. Foi o suficiente para que sete covardes pitboys (incluindo gente com carteira da OAB) que faziam ali um churrasco de aniversário partissem para a agressão verbal, a acusação de que Hudson “queria comer da carne” deles, e logo depois o espancamento físico. Segundo matéria do Estado de Minas, Hudson teve o maxilar deslocado, afundamento dos dentes, fratura da clavícula e ferimentos nas pernas e braços. A foto não deixa dúvidas:
hudson.jpg

Mas a manifestação do Brasil ”não-somos-racistas” não parou aí. Depois de se dirigir sangrando ao Primeiro Batalhão de Polícia Militar, Hudson foi indicado como agressor no boletim de ocorrênciafeito por policiais militares da 3ª Cia do 1º BPM, enquanto os espancadores negavam o fato. Em 01/12/2010, um dia depois da matéria do EM, entrava no YouTube o depoimento de Hudson, também conhecido no mundo hip hop de BH e do Brasil como Ice Band:
Hudson é casado com a jornalista Janaína Cunha e eles têm um filho de cinco anos.
O caso se encontra agora em fase de inquérito policial, que irá ao Ministério Público. É sabido, e há várias testemunhas, que Ice Band foi agredido por ser acusado de “penetra” numa festa particular que se apropriava de uma via pública. É sabido que foi agressão covarde, de sete contra um. É sabido que apenas dois desses agressores estiveram na 3ª Cia do 1º BPM enquanto, incrivelmente, um Hudson espancado e sangrando era citado no B.O. como agressor.
É imperativo que todos os covardes sejam indiciados. Pelo caráter discriminatório do ato que motivou o crime, é visível sua condição de delito racista. Pela sanha covarde que se manifestou no crime, vários profissionais do Direito e da Justiça consultados pelo blog concordam que ele é enquadrável como tentativa de homicídio e não simplesmente lesão corporal—e Hudson ouviu, sim, e há testemunhas disso, a frasemata que é bandido durante o espancamento.
O Biscoito Fino e a Massa espera que a Justiça, Dra. Janice AscariDr. Amilcar MacedoDr. Túlio Vianna, não se omita neste caso.
Há uma moção de repúdio que você pode assinar aqui na caixa do Biscoito, enviando-me um email (e eu encaminho seu nome à Janaína), ou escrevendo para minajcm arroba yahoo ponto com ponto br e/oucrh2b arroba yahoo ponto com ponto br.
Hudson está se recuperando e no próximo dia 18 retira o aparelho que ainda traz na boca.