quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Let's Rock? Smack My Bicht Up (Prodigy)


Falei aqui outro dia sobre o Prodigy. Me referia a uma dimensão psicodélica de sua música que fica evidente em Narayan e Mindfields. Hoje ao acordar me lembrei de uma outra música deles que gosto muito, Smack My Bicht Up. A música não tem, digamos assim, letra. Mas dá um recado pulsante como um coração aberto na palma da mão: a vida se contorce nas noite sujas se rebelando contra tudo que tenta obrigá-la a viver. Denuncia uma absurda inadequação entre sentido de existência e a obrigação de continuar existindo. Pela duração, uma pequena peça cinematográfica de 4min 33seg. Pela sucessão de fatos e pela carga psicológica, uma eternidade. Só falta não acabar! Tudo nele é ameaçador e intimidatório. A violência gratuita, drogas, sexo e  insanidade sob o olhar constante em primeira pessoa, faz desde do início que fiquemos na ponta da cadeira apostando na (e torcendo pela) morte do "herói". É interessante, de momentos em momentos, o efeito recorrente de transformar as imagens do cenário em pixels. Assim permitindo a deixa para si mesmo, e perguntar: o que é mesmo a porra dessa realidade? Por que todas as normas e convenções convergem para definir o que quero ver e como devo estar? Pode ser uma questão. Uma outra pode ser nenhuma, e tudo ser mesmo um imenso vazio que se vai quando a noite acaba e a prostituta bate a porta indo embora. Excelente remédio pra vidas medíocres, pelo menos por míseros 4min e 33seg.

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