terça-feira, 8 de março de 2011

E Acabou o Carnaval




Terça feira de Carnaval, 20:33, em casa, de volta. O Carnaval se fora, sentia-se física e mentalmente esgotado. Qual esforço era necessário pra colocar as idéias em ordem novamente. Exaurira seus músculos e sinapses em cargas insanas de danças, álcool e davaneios. 

A tentativa heróica de fuga e esquecimento a que se propusera lhe cobrara um preço demasiado. 
As milhares de pessoas em festa que lotavam as ruas, compuseram um texto absurdo, impossível de ser lido. Irresistível, um chamado caótico, porém melodioso, um truque de criança que depois de tantos carnavais ainda não entendia, ainda não dominava - mesmo velho como estava agora.  Pensava sobre isso nesse momento. Deu-se conta que aquele texto escrito sob forma de uma gigantesca massa humana, nesse momento quando recuperava um pouco de lucidez, não podia ser decodificado, pois seu sentido último era apenas um grande vazio, a simples experiência de não ser nada até as últimas consequências. Era tudo que queria. Outra dimensão era a da suprema e absoluta irresponsabilidade frente ao mundo, a máxima atenção às minúcias do arrebatamento pela euforia. Como havia sonhado com isso!

E lembrou-se das promessas de felicidade que levara para a festa e quedava-se frente ao fato de que novamente nada acontecera, pois tudo é ilusão, fuga e festa. A festa dos outros, que por osmose achava que era a sua própria. 

E sua mão tremia pelo cansaço e excesso etílico. Arrependia-se de coisas ditas, de gestos e covardias. Não obstante, orgulha-se de uma ou outra baixaria, de ter tentado, ousado o mínimo antes da fuga em disparada. Valia tudo, era carnaval, esperava que esse mantra repetido por todos os lados lhe eximisse da lembrança, não aconteceu. Lembrava de tudo, o herói. Como Ulisses, não teve a sorte dos marinheiros que tiveram seus ouvidos tapados com cera pelo comandante para que não ouvissem o canto canibal das sereias. Não ele, o herói o ouviu todo,  se dilacerou, revirou-se as entranhas e resistiu, seguiu levando sua dor. 

Deu-se conta que guardara-se demais, guardou-se tanto para o carnaval que perdera o prazo de validade, a música de Chico não funcionava pra ele, não sabia ser feliz e para piorar, também não sambava. Foi um expectador atento do carnaval dos outros, riu de algumas piadas que as ruas lhe ofereceram, mas na maior parte passou batido. Como sempre voltara mais triste de tudo e pensava se um dia seria feliz além do maior porre que tomara sozinho em meio a multidão que lhe conduzia sem controle ou destino.

Em tempo, encontrou a mulher mais linda de toda a festa, de todas as ruas. Ele a seguiu e ela seguiu, ignorando-o.

Prometeu a si próprio, não mais pular carnaval. E parar de se dar motivo pra escrever. No íntimo sabia que mentia.

Amanhã é quarta feira.

2 comentários:

  1. Quem escreveu isso foi o Pierrot oficial, tirem uma foto com ele :P

    Eugênia Ribeiro

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  2. Eug,

    o Pierrot Oficial também mandou um comentário sobre o seu comentário: "KKKKKKKKKK". Vai ter um outro post óbvio sobre isso, já já

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