quinta-feira, 30 de junho de 2011

NA QUADRADA DAS ÁGUAS PERDIDAS (Teaser do Filme)


Teaser do filme "Na Quadrada das Águas Perdidas", direção e roteiro de Wagner Miranda e Marcos Carvalho. Com Matheus Nachtergaele. Trilha sonora de Elomar, Geraldo Azevedo e Matingueiros. A conferir! 
Lembrei de Guimarães Rosa: "o sertão é dentro da gente"...




domingo, 19 de junho de 2011

Let's Rock? Freddie Mecury - Love Kills

Pra fechar o domingo. Love Kills, Freddie Mercury. Buquê intenso, como um carbenet sauvignon, denso e amadeirado, aprisiona o paladar. Ao mesmo tempo, um festival de indisciplinadas notas cítricas que sugerem liberdade a transpassar o coração. O amor mata.
Sugestiva a ideia de ambientação da música em Metrolopolis. Uma bela tragedia que não merecia a solução fácil de conciliação ao final.

Curtam e boa semana!





LOVE KILLS
Love don't give no compensation
love don't pay no bills.
Love don't give no indication
love just won't stand still.
Love kills
drills you through your heart
Love kills
scars you from the start.
It's just a living pastime
ruling your heart line
stay for a lifetime.
Won't let you go 'cause love
love
love won't leave you alone.
Love don't take no resenration
love is no square deal.
Hey
love don't @ve no justification
strikes rike cold steel.
Love kills
drills you through your heart
Love kills
scars you from the start.
It's just a living pastime burning your lifeline
Gives you a hard time
Won't let you go 'cause love
love
love wonY leave you alone.
Hey
love can play with your emotions
open invitations to your heart.
Hey
love kills. Play with your emotions
open invitations to your heart
To your heart
to your heart
love kills.
Love kills
hey
hey
love kills
love kills
love kills
love kills.
Love can play with your emotions
open invitations.
Love kills
hey
drills you through your heart.
Love kills
scars you from the start.
It's just a living pastime
ruling your heart line
won't let you go.
Love kills
hey
drills you through your heart
Love kills
tears you right apart.
It won't let go
it won't let go
love kills
yeah
yeah.

Sob o Céu de Saigon - Caio Fernando Abreu

Casarão Antigo na Rua Augusta

Texto de Caio Fernando Abreu ambientado na rua Augusta em um sábado à tarde. 
Lido numa sexta à noite. A impressão que me passa é que a cena poderia estar se desenrolando agora mesmo, nessa tarde de domingo, subindo ou descendo qualquer rua, de qualquer cidade, sob um céu cor de chumbo ou de um tímido sol entre algumas nuvens de chuva. 
Duas pessoas, um encontro súbito, um céu de identificações nas entrelinhas da nota de rodapé, difícil demais pra ler, porém lá, estrelado, brilhando como a via láctea. 
Uma despedida que não houve, e a sensação que se poderia olhar pra trás, ao mesmo tempo que parece não haver o que olhar. Eles eram lentos, e como lentos não perguntaram, não sugeriram nada e cada um seguiu como nada tivesse acontecido. Como diz C.F.A., eventualmente talvez, nunca tenham estado lá. Não deixaram rastros...

Texto completo aqui: AQUI

"(...) E porque o mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas, encontram-se esses dois, esses vários, em frente ao mesmo cinema e olham o mesmo cartaz. Love kills, love kills, ele repete baixinho, sem perceber a moça a seu lado. And this is my way, ela cantarola em pensamento, na versão de Frank Sinatra, não de Sid Vicious, sem perceber o rapaz a seu lado. Outros entram e saem, sem vê-los nem ver-se, remanescentes punks, pregos nas jaquetas, botas pretas, intelectuais de óculos, aros coloridos, paletó xadrez, adolescentes japonesas, casais apertadinhos, elas comendo pipocas, senhoras de saia justa, gente assim, de todo tipo.

E talvez porque rapazes e moças como ele e ela aos sábados à tarde raramente ou nunca se enfiam pelos cinemas, preferindo subir ou descer a rua Augusta olhando as coisas, não as pessoas, os dois se encaminham para as entradas em arco do cinema. Então param e olham para cima, suspirando em suave desespero, um céu tão cinza, como se fosse chover, oh céu tão triste de Sampa.

E então como se um anjo de asas de ouro filigranado rompesse de repente as nuvens chumbo e com seu saxofone de jade cravejado de ametistas anunciasse aos homens daquela rua e daquele sábado à tarde naquela cidade a irreversibilidade e a fatalidade da redondeza das esquinas do mundo - ele olhou para ela e ela olhou para ele.

Ele sorriu para ela, sem ter o que dizer. Ela também sorriu para ele. Mas disse, a moça disse:

- Parece Saigon, não?
- O quê? - ele perguntou sem entender.

Ela apontou para cima:

- O céu. O céu parece Saigon.

Surpreso, e meio bobo, ele perguntou:

- E você já esteve em Saigon?
- Nunca - ela sorriu outra vez. - Mas não é preciso. Deve ser bem assim, você não acha?
- O quê? - ele, que era meio lento, tornou a perguntar.
- O céu - ela suspirou. - Parece o céu de Saigon.

Ele sorriu também outra vez. E concordou:

- Sim, é verdade. Parece o céu de Saigon.

Nesse momento - dizem que cabe aos homens esse gesto, e eles eram mesmo meio antigos - talvez ele tenha pensado em oferecer um cigarro a ela, em perguntar se já tinha visto aquele filme, se queria tomar um café no Ritz, até mesmo como ela se chamava ou alguma outra dessas coisas meio bestas, meio inocentes ou terrivelmente urgentes que se costuma dizer quando um desses rapazes e uma dessas moças ou qualquer outro tipo de pessoa, e são tantos quantas pessoas existem no mundo, encontram-se de repente e por alguma razão, sexual ou não, pouco importa se por alguns minutos ou para sempre, tanto faz, por alguma razão essas pessoas não querem se separar. Mas como ele era mesmo sempre um tanto lento, não perguntou coisa alguma, não fez convite nenhum. Nem ela. Que lenta não era, mas apenas distraída. Ela então sorriu pela terceira vez, e já de costas abanou de leve a mão abrindo os dedos, como Sally Bowles em Cabaret, e continuou a descer a rua Augusta. Ele também sorriu pela terceira vez meio sem jeito como era seu jeito, enfiou as mãos ainda mais fundo nos bolsos, como Tony Perkins em vários filmes, coçou a barba por fazer e resolveu subir novamente a rua Augusta.

Uns cem metros além, ela pela alameda Tietê, ele pela Santos, esse rapaz e essa moça, ou talvez os dois, ou quem sabe mesmo nenhum, mas de qualquer forma ao mesmo tempo, pensam vagos e sem rancor mas estes sábados sempre tão chatos, porra, nunca acontece nada. Por associação de idéias nem tão estranha assim, ele ou ela, ou nenhum dos dois, talvez olhem ou não para trás procurando quem sabe algum vestígio, um resto qualquer um do outro pela rua Augusta deserta do sábado à tarde.

Mas rapazes e moças assim não costumam deixar rastros, e ambos já tinham sumido em suas esquinas de ladeiras súbitas e calçadas maltratadas. Acima deles, nuvens cada vez mais densas escondem súbitas o anjo. O céu de chumbo, onde não seria surpresa se no próximo segundo explodisse um cogumelo atômico, caísse uma chuva radioativa ou desabasse uma rajada de napalm, parecia mesmo o céu de Saigon, quem sabe pensaram. Embora, de certa forma, eles nunca tivessem estado lá."

sexta-feira, 17 de junho de 2011

DROIDS, ou, novamente o futuro do pretérito - Arqueologia Musical Contemporânea

Esse blog tem a mania de fuçar em coisas velhas, estranhas e que, nem por isso, deixem de ser muito legais (pelo menos na minha opinião). A música eletrônica francesa tem ramificações históricas bem interessantes, mesmo numa olhada rápida como a nossa. Dessa forma é fácil associar Jean Michel Jarre, com Air (isso já foi feito em algum lugar desse blog) e com outro grupo bem curioso, The Droids. Segue a performance dos caras. Curioso por demais, tudo muito Metropolís e Star Wars... pré Star Wars. Seriam eles além de ancestrais óbvios do AIR, também do Daft Punk? Também curiosa a dancinha da gata do clipe, os giros e levantadas de perna, totalmente disco... O ano? 1976...

Bom pra começar a sexta feira!

Curtam!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Bonifrate: um futuro inteiro



Disco bacana do Bonifrate, Um Futuro Inteiro. Excelentes letras, boa poesia. Musicalidade delicada e desafiadora. Vocês devem lembrar de Bonifrate da trilha do filme Apenas o Fim. Pede um bom vinho. Pode ser hoje, que chove lá fora e a noite de quinta ganha contornos de domingo...
Algo delicado, inexplicável, perdido em algum tempo no passado ou no futuro, tudo incerto, nostalgia e poesia sem fim.
 
No fundo do mar 
Jazem todos os tais naufrágios 
Frouxos adágios 
Dos corações


CURTAM!

Naufrágios

Na casa de Val, lá na beira do rio, eu ouvi da estrada uma freiada de bicicleta e me lembrei de vocês. 
Mas não tem nada de nostalgia, não! 
Afino e só invento o tempo 
Que só eu sei como passa 
E anéis de fumaça 
Em formação perene 
Mas não me encene 
Um amor assim sem se acabar 
No fundo do mar 
Jazem todos os tais naufrágios 
Frouxos adágios 
Dos corações

Let's Rock? Tame Impala - Half Full Glass Of Wine



Conheci ontem, Tame Impala - Half Full Glass of Wine. Psicodelia e hard rock, seria uma grande pedida para o Planeta Terra 2011. Rock'n Roll de primeira!
Por uma quinta-feira mais musical!


Curtam!

Alta Culinária: cozinha do Awey


Que Jamie Oliver, Olivier Anquier, Claude Troigos que nada! Se você achava que sabia tudo sobre programas de culinária feitos por caras descolados e cheios de bossa, esqueça. Você ainda não deve conhecer A Cozinha do Awey. Essa receita de "estrombelete de pombo obeso" é impagável!
Hermes e Renato faz falta na MTV. 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Let's Rock? La Bionda - I wanna be your lover




Vocês lembram disso? 
O clipe foi exibido durante uns meses pra preencher uma lacuna antes do horário que o Fantástico entrava no ar, lá por 1984... 1985... (e se não me engano, já faz tanto tempo, antes do Jornal Hoje também).
E só agora soube o nome do grupo, La Bionda, e o ano, 1978.

O futuro passou! E com ele, as palminhas. De alguma forma, as coisas hoje parecem mais áridas e desencantadas.


domingo, 12 de junho de 2011

Bicicletada Pelada: Cidade do México 2011



Continua aumentando pelo mundo as adesões ao movimento pela paz no trânsito e redução das emissões de carbono pelos carros, World Naked Bike Ride (WNBR), nesse sábado foi a vez dos mexicanos tirarem a roupa em favor das bicicletas. Ninguém pode negar a eficiência da ideia de exposição da fragilidade do corpo sem proteções, sem falar,  da óbvia atenção que chama para a causa do ambiente e acessibilidade. 
Já em Santiago, no Chile, a Polícia reprimiu o peladismo e prendeu por atentado à moral, sete manifestantes que chegaram a ficar totalmente nus. Muito parecido com o que acontece em terras tupiniquins. E por aqui, quando o protesto vai ganhar "corpo"? E mais, a luta por uma cultura de respeito ao pedestre e ciclista vai se fazer presente e não apenas uma notícia exótica que vem de lugares distantes?
Além de tudo o negócio é muito divertido!

fonte: Terra


O movimento pacifista World Naked Bike Ride (WNBR) realizou neste sábado uma mobilização ciclonudista em vários pontos do México para exigir respeito aos ciclistas nas estradas, assim como conscientizar sobre o uso da bicicleta como meio de transporte não poluente.
Sob o lema "Desnudos sim nos vêem", a manifestação percorreu o Distrito Federal e as cidades de Guadalajara (Jalisco) e Morelia (Michoacán) simultaneamente, com centenas de participantes sobre rodas que transitaram ruas e avenidas completamente pelados, e os mais conservadores com peças íntimas.
Muitos manifestantes chegaram antes da hora da largada para se pintarem com maquiagem corporal e fazer cartazes em alusão ao protesto. "Viemos nus porque assim estamos diante do tráfico, vulneráveis e indefesos já que os motoristas sempre violam nossos direitos nas estradas", disse o ciclista Marco Delgado.
O objetivo também é promover uma consciência ecológica para que as pessoas se informem sobre os benefícios do ciclismo para o meio ambiente e para a saúde, além de passarem a questionar a excessiva dependência de combustíveis fósseis na sociedade.
Segundo dados da Secretária de Segurança Pública do Distrito Federal, 1,3 mil pessoas acompanharam o percurso, embora a organização do evento tenha registrado apenas 624. O WNBR é uma manifestação civil mundial cujo primeiro protesto foi em Vancouver, Canadá, em 2003. A partir de então, outras 70 cidades de 20 países aderiram à causa e realizam todos os segundos sábados de mês junho um percurso em bicicleta.
Milhares participaram do passeio ciclístico que percorreu as principais avenidas da Cidade do México  Foto: AP
Ativistas em Londres colocam o presidente dos Estados Unidos e o primeiro-ministro do Reino Unido no protesto bem-humorado  Foto: AFP
Manifestante em Londres protesta contra as emissões de gases poluentes  Foto: AFP
Na Holanda, o protesto foi mais focado contra a indústria de petróleo e o uso de automóvel  Foto: AFP
Na cidade do México, manifestante quer mais precaução no trânsito  Foto: Reuters

sábado, 11 de junho de 2011

Osman Lins: o exílio, onde só em alguma palavra perdida me encontro.

Cena de Retábulo, baseado em conto de Osman Lins, direção de Luiz Carlos Vasconcelos.

Fragmento de um encontro recente com a desafiadora escrita de Osman Lins: um não lugar da mente... um avesso pro coração, tudo mais, prum desencontro muito esperado.

"(...)Para sempre exilado - pensou. Minhas palavras morreram, só os gestos sobrevivem. Afogarei minhas lembranças, não voltarei a escrever uma frase sequer, igualmente remotos os que me ignoram e os que me amam. Só os gestos, pobres gestos (...)" (Osman Lins, Os Gestos; Melhores Contos, São Paulo, Global, 2002)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

10 anos de Farra na Casa Alheia: Otto na Biruta


Dia 04 de junho último teve de show de Otto e Nação Zumbi na Biruta, em Fortaleza, comemorando os 10 anos da festa Farra na Casa Alheia. 
Nalú mandou um vídeo registrando o momento, trecho de "Dias de Janeiro". Dá também pra ver um pouquinho do Fernando Catatau na guitarra um pouco atrás. 
E por aqui pensando, caramba, se foram 10 anos! Parece que foi ontem que alguém me disse algo sobre uma festa que acontecia às sextas-feiras...

"Amo você, amo você, talvez não seja o certo, amo você demais..."

Curtam!