domingo, 20 de novembro de 2011

Testamentus

Dedé mandou um poema. Desse escritos em guardanapos que se reproduziam como coelhos pelas nossas mãos nas mesas de bar de uma certa Fortaleza na última década do século passado. E me fiz uma pergunta, em que medida posso ter certeza que não estamos vivendo num sonho? E que na realidade, nesse exato momento, estaríamos sim na Praia de Iracema, Cais Bar, frente a um inacreditável por do Sol rosa?...
Ainda me questiono como tudo aconteceu...

Testamentus

Desejo que tomem porres pós-minha morte
Preferentemente nos bares em que me estive
Espero que consolem as viúvas e a consôrte
Por a feliz sorte de viver comigo – ao nível!

Mas esperem a lua cheia para sair o féretro ligeiro
Mesmo que de meu corpo exale odores insuportáveis
Quando vier aquela de quem fui mais fiel companheiro
Logo me levem à parte que me cabe do latifúndio suave!

Gentileza, cantem “Truid” de Raul e outras tantas daquelas
“Tentem outra vez” – ah, não esqueçam os sambas e reggaes
E a brisa suave, as biritas de todos os gostos até de beringelas!


Façam valer tal testamento mesmo que só encontrem à Ementa
Numa manhã assim cinzenta e esteja amarelo poeirento e reles
Que se faça cumprir ao passar longos anos ao mínimo noventa!

Dedé Calixto
1995/Out

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