terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Space: Magic Fly - Mais arqueologia musical contemporânea

Mais arqueologia musical contemporânea: Space, 1977.
Mais futuro do pretérito, sequenciadores, sintetizadores, roupas prateadas e louras em 
dancinhas estranhas...
Mais do gênero: AQUI



domingo, 22 de janeiro de 2012

Poesia 23 - Desmanche

Um Cão Andaluz, Luis Buñuel, 1929

Desmontado
Pedaço a pedaço com uma gilete e uma britadeira sutil
Montar-me não faz mais tanto sentido
Ao avesso, sentir é contorcer-me noutro mundo
De largas sombras de um sol escuro
Entregar-me ao vazio de sua garganta
Além de sua língua
Dos interstícios de seus dentes
Raspar do tacho quebrado sem bordas
A saliva e o suor que restaram
Da hora que você suspirou pra sempre
Todo meu desejo
E me disse com todo amor
Da urgência ensandecida
De sua partida
Que faz o brilho de seus olhos
E do sorriso besta
Por um corpo revirado
Deglutido
Aos pedaços
Pendurado
Pelas paredes

                                                Vancarder

sábado, 21 de janeiro de 2012

Eddie - Desequilíbrio

"São tantas saídas dadas ao absurdo..." "Desequilibrar, desequilibrando"

Curtam!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Let's Rock? REM - Drive (live)


Fechando a tarde em Intermares.
Rock'n Roll pra caramba!
Curtam!


Hey kids, where are you?
Nobody tells you what to do, baby.
Hey kids, rock and roll.
Nobody tells you where to go, baby, baby, baby.


Poesia 22 - Cada Momento

Uma foto: Tambaba, Conde-Paraíba, Abril/2011 (Van)

A cada momento revira-se em si
Em cada revolução sobre si próprio
Encontra mais do caminho que o assusta
De si veio a certeza de um grande mar vazio
Mas ainda belo
Sente a areia e seus pés se alegram
Senta-se
E tempo escorre como quando era criança
Se aninha em seu sonho
Pra brincar de sorrir pra vida

                                                                    Van.

Hoje tem Marcelo Camelo em João Pessoa - Janta


Mimosos! É preciso admitir. "Eu ando em frente pra sentir saudade".
Já lutei, resisti, parei e segui...
Curtam!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Canto de Ossanha - Vinicius, Tom, Toquinho e Miúcha (1978)


Registro lindo e delicado de uma música seminal. 
Pensei em Tom, Vinicius, Baden Powell além tantos que se foram, mas sem antes nos legaram um universo sobre o qual podemos coser nossos sonhos.
Chove em Intermares nessa manhã de quinta. 

Chove de muitas formas. Como também há muitas formas de ir.
Curtam!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Tempo (Bárbara Eugênia sobre Cidadão Instigado)

Sem mais palavras...
Curtam!

O lado B do amor e suas incógnitas - Antônio LaCarne

Cena do filme Apenas O Fim (2008) de Matheus Souza

O lado B do amor e suas incógnitas


Antônio LaCarne

Querida pessoa X,

Eu ainda tenho forças. Se eu pudesse, trataria de recompor as recompensas e te expulsar diretamente do meu círculo de obsessões. Cansei, por eternos momentos extremos, de me debruçar em mesas de bares, citar teu nome vão – aquele buraco cor de lodo que me engasga, mas que me fortaleceu com um pé na bunda quando precisei dar uma voltinha por cima.

Eu poderia ser mais uma dessas pessoas felizes – como o casal apaixonado da novela – com aquele brilho no olhar de quem se encanta com o mundo e sua fórmula de ups and downs. Mas é que a minha ousadia em ter me apaixonado por você me destruiu as pernas, o tato, e não consigo esboçar um sorriso diante das possibilidades. Tenho bebido demais, pensado em você nos instantes em que o happy hour com os amigos serviria de consolo e comunhão entre irmãos. Tenho exagerado nas guloseimas, e infelizmente adquiri um aumento de peso impróprio à minha estrutura de indivíduo calmo, discreto. Perdi o controle nessa insatisfação que é te enxergar em fotografias junto com aquele amor que te faz tão bem, enquanto me contento em ser expectador da tua vida e regurgitar a dor.

Inutilmente tenho culpado o destino por não saber controlar a raiva, e em revolta derrubei um jarro de flores num falso acidente doméstico. O tempo passou e continuo preso às correntes do abandono. Mas o desconforto se torna raro quando sei que o meu futuro depende de uma dose de sorte, pois já não sei o que esperar dos dias.

Penso em você ao inventar mentiras, ao responder que estou tão bem quanto o frescor dessa brisa que assanha nossos cabelos. O amor que se tornou uma lama imaginária presa à minha disponibilidade na noite, nos drinks que vêm e vão, na madrugada de volta pra casa quando converso com o taxista sobre a previsão do tempo.

Meses e meses, semanas com aquela puta dúvida de discar ou não o teu número para um simples oi de “vamos passar uma borracha sobre tudo isso”. O primeiro instante do dia ao abrir os olhos e enxergar no teto a imagem desenhada do teu corpo.

Mas ainda não encontrei uma cartada final para este lado b do amor e suas incógnitas. Talvez como exercício, eu esteja no caminho certo e decida traçar o primeiro passo de uma auto ajuda enviando esta carta pública para revistas de fino trato, assim como quem não quer nada, como quem quer tudo.

Y.

(Texto publicado no Don´t Touch My Moleskine)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Let's Rock? Dido (Studio da KCRW FM Los Angeles)

Quem não se apaixonou por Dido pelo menos uma vez que atire a primeira pedra. Sua beleza e voz sussurrante, ligeiramente rouca, são irresistíveis.
Nessas versões da KCRW FM ela está ainda mais bela, simples, aberta, cantando exclusivamente pra todos que respiram boa música e não abrem mão disso em suas vidas.
Tão perto e tão longe, dá vontade de esticar o braço e tocar...
Curtam!

Globo, BBB e estupro: efeitos colaterais de um mundo transparente


Não acompanho o BBB, mas já o fiz há agora muito anos, confesso! Era novidade, o jogo de alguma forma seduzia e era moda, quase todos se encontravam lá, como as redes sociais hoje o fazem. Era um tempo de internet praticamente inacessível, discada, sem MSN, logicamente sem Twitter, a TV a cabo ainda era um sonho remoto para a maioria da classe média e, quanto ao Facebook, Marc Zuckerberg ainda tentava conquistar um namorada sem ter que comprá-la.
Bem os anos passaram e a sociedade de vidro de Admirável Mundo se entranhou cada vez mais profundamente  nas possibilidades do controle pessoal através das várias mídias eletrônicas, gerando uma sociedade interconectada essencialmente, na qual a produção do mundo como conhecemos só funciona pela circulação instantaneamente de milhões de bites de informação por segundo, de todos os tipos, o que garante o funcionamento dos fluxos de vários tipos de mercado e sua valorização continua.
Bem, dentro dessa necessidade de mais e mais informação entra na conta uma tendencia à perda das referências éticas, sobre o que deve e o que não se deve ser mostrado. 
Hoje, em tempos de Facebook tudo é revelado, ninguém mais tem nenhum segredo que não possa ser revelado em algum momento, mesmo que sugerido ou inferido e isso garante sua mística, mesmo que inconsciente e catapulta uma enorme fábrica de informação a incentivar ainda mais a superexposição. 
Sem querer parecer moralista, as noções de limites parecem se dissolver pela corrida à informação mais socialmente valiosa, a foto, a fofoca, o fato, o roteiro de férias, o cotidiano e às bizarrices, infelizmente, como subproduto de um sociedade altamente fetichizada e auto centrada no "espetáculo" por si.
O episódio lamentável da "tentativa" de estupro, ou algo que se assemelhou a isso, nessa última versão do BBB da Rede Globo demonstra bem o tipo: a necessidade de continuar o jogo de informação sem regras que domina nossa sociedade atualmente. A própria perpetuação do programa e sua aparente vitalidade parece acenar para as possibilidades de uma sociedade facistamente hedonista, auto centrada, cuja a preocupação com o outro seja meramente acessória.


Segue análise legal sobre o fato em artigo de Ana Flávia Ramos. 


Fonte: VI O MUNDO: o que você não vê na mídia


A MÍDIA QUE ESTUPRA
Posted on 16 janeiro 2012
Quem não se lembra do filme The Accused (1988 – Jonathan Kaplan), protagonizado por Jodie Foster, que consagrou a atriz por uma interpretação notável? Filme aclamado pela crítica, impactante e polêmico em sua essência, narra a história de uma jovem, Sarah Tobias, que, após uma noite de diversão com as amigas, é estuprada por vários homens nos fundos de um bar. No desenrolar da trama, com o auxílio de uma advogada, Sarah, que no início é vista como “responsável” pela violência, consegue a condenação de seus agressores, reafirmando a tese de que, independente do flerte, da bebida, das roupas ou de qualquer outra coisa, estupro é sempre estupro.
No enredo, vitoriosamente prevalece a máxima: sim significa sim e não significa não! Durante o julgamento, entretanto, outros agravantes foram mobilizados pela advogada para condenar também os cúmplices daquele terrível caso: o estupro de Sarah morbidamente contou com uma platéia entusiasmada que, aos gritos, incitava o ato de violência. A cada novo agressor, a platéia pedia “bis”.
Para quem esteve ligado nas redes sociais no último domingo (15/01/12), sabe que a lembrança do filme não é fortuita. Desde ontem, o assunto do suposto estupro sofrido por Monique em rede nacional no Big Brother Brasil não sai de nossas cabeças e nem de nossas timelines. A cena, para quem viu no paperview, enoja, deprime e indigna. Uma mulher, desacordada e vulnerável, tem o seu corpo violado e invadido por alguém que, ao que tudo indica, não foi convidado.
Aparentemente sem consciência e sem meios de reagir, a vítima estava entregue ao seu agressor, Daniel, em frente às câmeras, à equipe técnica e à enorme platéia do outro lado da televisão e do computador.  Aquilo que era feito nos fundos de um bar perde os seus “pudores” e se torna diversão pública e explícita na TV.
Muitas questões têm surgido desde que a cena virou polêmica nacional: Monique sabia o que estava acontecendo? Ela compartilhou as carícias de Daniel? Houve sexo? Ela se lembra do que ocorreu? A despeito dos comentários moralistas, machistas e misóginos – que me recuso a discutir, pois já estou farta de tentar argumentar com quem insiste na imbecilidade – outro fato me chamou a atenção: o papel da platéia nesse “show de horrores”.
Quem estava presenciando a tudo e nada fez? A responsabilidade do ato, além de Daniel, se ficar comprovado o estupro, deve ser estendida a quem mais? Assim como os espectadores do estupro no filmeThe Accused, qual o papel da maior emissora de TV do país no caso?
Nas cenas do dia seguinte, Monique dava indícios de que não sabia exatamente o que havia ocorrido na noite anterior. Intrigada, após ter sido chamada no confessionário, pergunta à Daniel o que, de fato, acontecera naquela noite. O brother nega o sexo, dizendo que foram apenas beijos e umas passadas de mão, e claramente se esquiva do assunto.
Monique, confinada em um reality show, sem contato com o mundo exterior, não sabe que o Brasil discute seu suposto estupro. Possivelmente violentada enquanto dormia, ela é também “violentada” pela produção do programa, quando esta se nega a informá-la exatamente sobre que está ocorrendo. Omissão grave, já que esta era a equipe a quem a participante confiou sua segurança, ao aceitar participar do programa, um ambiente teoricamente controlado e protegido por regras e parâmetros de bom senso, garantidores, ao menos, da integridade física dos jogadores.
Entretanto, a produção se abstém de dizer o que de fato está acontecendo e deixa Monique, mais uma vez, à mercê de seu eventual algoz. Embora ela tenha direito à verdade, ela continua indefesa na escuridão, como a do quarto em que estava na noite de sábado, permanecendo também na insegurança das camas compartilhadas do programa. Daniel, já anteriormente acusado de ter se aproveitado de Mayara, segue ileso pelos corredores da casa e sequer é questionado pelos responsáveis do reality show. Monique parece ser vítima duas vezes.
Independente da posterior averiguação do caso e da condenação ou não de Daniel, existe um cúmplice a quem não se pode negar a culpa: a Rede Globo de Televisão. A emissora, na madrugada do domingo, reconheceu as evidências de um possível crime (no plantão de notícias do paperview os responsáveis pelo programa escreveram que estava “rolando um clima”, mas que a “loira não se mexia”), se utilizou dessas evidências para alavancar o seu ibope, incitando os telespectadores a continuarem a assistir às cenas, mas, em momento algum, tentou (ou desejou) interromper o ato.
No dia seguinte, diante da polêmica e dessas evidências, se absteve, ainda, de revelar à Monique o que ocorrera, negando assim o direito essencial da participante de decidir se devia prestar queixa à polícia ou não.  Os produtores, cúmplices da suposta violência, ao esconderem as cenas de Monique, negaram-lhe, entre outras coisas, o direito de realizar o exame de corpo de delito, instrumento fundamental na comprovação da agressão. E quem se responsabilizará por isso?
O histórico de barbaridades no BBB já não é novo, mas quais serão os limites do programa após um suposto estupro em cadeia nacional? Como será interpretada pelas autoridades públicas e pelos telespectadores a omissão da Globo diante do caso?  A emissora, de forma tirânica e desleal, seguiu com o espetáculo, reduzindo o episódio, através de seu fiel porta-voz, Pedro Bial, a “muito amor”. Através de uma edição impregnada de machismo e, por que não, de moralismos arcaicos, deixou Monique à mercê da situação e sequer prestou contas ao público, que ainda debate intensamente nas redes sociais a saída/punição de Daniel. Como uma concessão pública, que serviços à comunidade são prestados por essa emissora de TV? Qual a responsabilidade social da Rede Globo com seus telespectadores? Ou ainda a pergunta que nos atormenta a cada dia: o que tem sido e para quê tem servido a grande mídia no Brasil?
Nesse sentido, a pressão e as críticas dos brasileiros e telespectadores é cada vez mais fundamental na mobilização de forças não somente para a solução desse caso, mas também na construção de uma nova mídia.
Ana Flávia C. Ramos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fado Tropical - Chico Buarque (Chico Buarque e Ruy Guerra)


Absurdamente lindo!
Pra fechar esta tarde de sol com ares nostálgicos, d'além mar.
"Ah essa terra ainda vai cumprir seu ideal..."
Curtam!

Let's Rock? Cidadão Instigado - O Pinto de Peitos


O Pinto de Peitos

Cidadão Instigado


Sim meninos, o pinto de peitos tem o bico preto e o seu pio é escuro
Certas coisa acontecem na vida
Não para assustar
Mas sim, para mudar o entendimento sobre as coisas absolutas
Quem pode explicar
a razão do pinto de peitos ter nascido com o bico preto
Talvez Deus tivesse um motivo
Ao perpetuar esse ato
Por mais que pense em ser um defeito
Um defeito
Um defeito de Deus é sempre perfeito
Então desaba o conceito da censura
Que diz que todo bico é amarelo queimado
Sim meninos, o pinto de peitos tem o bico preto e o seu pio é escuro

Mais Cidadão Instigado no Blog: Cidadão 1Cidadão 2Cidadão 3 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Let's Rock? Neko Case


Pra encerrar o domingo: Neko Case.
Mais música, sempre!
Curtam!



Mais Bárbara Eugênia

Ela!

Sem mais palavras e sem desculpas. Agora é correr pro próximo show!
Curtam!





sábado, 14 de janeiro de 2012

De bares e grafittes



Madrugada, centro da cidade. Caminhavam pelas ladeiras do Centro Histórico, agora, escuras e desertas. Não era um casal, não estavam de mãos dadas. Tinham se visto há poucas horas num bar que descobrira escondido nas ruas de baixo havia uns poucos meses.
O ecletismo musical do lugar era impressionante: indie rock, eletropop, algum trip hop,  intercalados com alguns novos talentos da cena menos massiva da música brasileira e mais algumas viradas incríveis, onde se ouvia Los Hermanos e Chico Buarque. 
Além da boa música, ambiente meio à penumbra, devidamente desleixado. Pouca gente, ficava numa área mais marginal do Centro, os descolados e playboys das ruas de cima não andavam por ali, "não havia gente bonita", diziam.
Passaram a noite sós, em lugares diferentes do bar, ele ao balcão, num canto onde havia uma curva que lhe fornecia um panorama do salão e dos frequentadores - e uma discreta luminária de teto emprestava uma certa mística noir a aquele ponto, lhe agradava. 
Ela, numa mesa no canto. Morena, pele clara, cabelos compridos, seus olhos eram escuros, vivos e piscavam rápido com graça juvenil. 
Fumava, não deixou de notar a caixa de cigarros mentolados sobre a mesa e ainda, como parecia mais elegante enquanto fumava, olhando o vazio através das pessoas, através das curvas etéreas que a fumaça escrevia no espaço. Pernas cruzadas, sentada meio de lado na cadeira, com uma das mãos contornando lentamente a borda do copo. 
Como ele, sua diversão parecia ser simplesmente estar ali, e não estar em lugar nenhum, que seus próprios pensamentos. Com duas diferenças, pra ela, talvez nem a playlist tão diligentemente escolhida e um dos motivos que o fazia ir até aquele bar, parecia importar tanto, e a segunda é que, ela, fazia toda diferença naquele lugar, naquela noite!
Ele tomou algumas vodkas com gelo e limão, cinco ou seis, não lembra direito. Já estava naquele momento que sua mente o convencia que era uma espécie de Hemingway, ou Woody Allen, ou amigo de um conhecido que um dia bebeu com eles por ai.
Percebera que nessa noite não pensara mais nas improbabilidades do amor e nas intricadas e absurdas engenharias do gostar e desgostar. Parara de filosofar e poetizar o mundo, havia coisas mais importantes acontecendo à sua volta.
Passara a noite hipnotizado pela morena de gestos suaves e lábios de contornos delicados. Nunca suas vodkas desceram tão rápido quanto nessa noite.
Viu, claro, que ela também bebia vodka, ou seria gim? Era uma bebida clara com bastante gelo. Pensava em algo para dizer-lhe, torcia que fosse vodka, poderia ser um assunto: qual a marca que você prefere, Smirnoff, Orlof, Absolut, qual sua preferida? 
"Rídiculo!", pensou. Talvez não fizesse a menor diferença pra ela e simplesmente ela tomasse qualquer uma, ou a mais barata, como ele. Não, parecia-lhe sofisticada demais, longe do tipo que pediria qualquer marca, que aceitaria qualquer coisa, ela escolheria meticulosamente certamente, nunca ficaria com nada que não lhe fosse absolutamente adequado e haveria muitas razões pra cada escolha, pensou. Bem, só não seria Ciroc, não parecia rica, nem tão pouco esnobe...
Esses devaneios coincidiram com o momento no qual, pagando a conta, percebeu que ela fazia o mesmo, levantaram-se ao mesmo tempo, ele tentava convencer-se que havia sido apenas coincidência, que ele não o fizera pelo efeito de algum tipo de indução inesperada, resultante da presença da moça e dos delírios que compusera em sua cabeça sobre seus gestos singulares e olhares magnéticos, porém sem alvo, que não sua imaginação à toa.
Saíram lado a lado pela mesma direção na rua. Os primeiros passos foram como deveriam ser, em silêncio, eram estranhos dividindo o meio da rua deserta, sem pressa, numa noite de fim de lua cheia. Súbito, ela falou. - Oi, você estava no balcao, não é? 
- Sim estava. Respondeu. - Reparei em você. E imediatamente colocou em ação o único assunto que sua mente confusa, pega em flagrante de admiração, poderia articular.
- Lugar legal, não?
- Sim também gosto. Ela respondeu, sem demonstrar muito interesses mas com uma atenção que já lhe soava como um alento. E continuou, para a surpresa dele. - Você tomava vodka, não? 
- Sim. Respondeu ela,  - Smirnoff.
- Ela disse então, prefiro Orloff! Percebeu um leve toque desafiador em seus lábios nesse momento. Pensou, como alguém vai preferir Orloff à Smirnoff?! Não fazia sentido.
E depois falaram sobre como gostavam de tomar, pura, com gelo, caipiroska de tal e tal lugar, com essa ou aquela fruta... "Nossa", pensou, salvo pela vodka!
Depois de alguns dois ou três quarteirões a conversa evoluíra surpreendentemente para o porque da solidão dos dois naquela noite e ambos falavam generalidades sobre amores perdidos e não esquecidos. Até que, súbito, ela parou. Pararam!
Numa parede envelhecida havia alguns gratittes. Ela os observava. Ele leu em voz alta um deles, dizia: "o amor é um cavalo voador com um frágil asa de vidro". Ela riu, e leu um outro um pouco mais abaixo: "pássaro cantor, janela aberta, liberdade certa". Não houve mais risos...
A lua já estava baixa no céu a essa hora, caminharam mais algumas quadras juntos e em silêncio. 
Separaram-se com um beijinho na face, daqueles perto da boca e um tchau escorrido, quase como que arranjando um motivo desesperado e sem nenhuma noção pra ficar ali.
Porém, se foram e não se deram as mãos.


                                                                                                                   
14.01.12









sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Let's Rock? Bárbara Eugênia - Journal de BAD (2010)


O som de Bárbara Eugênia é um convite a mergulhos e revisitas a muitas formas de sensibilidade. Sua música traz uma carga de envolvimento e presença que não abre margem para mesmices e emoções limitadas.
É o tipo de música que exige uma abertura dos sentidos e do coração para a plena realização da promessa dos sonhos, da entrega à vida, das dores e amores. Uma música pra quem é capaz de refazer-se pela música e projetar um filme em cada segundo que a aprecia de olhos fechados. Pensem nas suas faixas como narrativas, roteiros: pode ser você, pode ser eu, pode ser nós...
Parece simples, mas nem todos podem sentir porque não entendem. Sentindo, haverá festa.
Uma festa melancólica e feliz... pode ser isso?...
Curtam!
Resenha AQUI
Para baixar: MUSICOTECA



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Let's Rock? Air (Moon Safari)



Os franceses do Air são uma referência básica hoje na cena eletropop francesa e mundial. Se tornaram figurinhas carimbadas em shows e festivais no Brasil. Sua música retrô espacial, se mostra francamente tributária de algumas referências básicas da cultura pop francesa, como a base melodiosa e romântica de Serge Gainsbourg, o ambiente onírico e as sugestões de aventura da Novelle Vague. Se dirigindo para outras fronteiras geográfico temporais, flertam abertamente com a música robótica dos alemães do Kraftwerk em seus momentos mais harmônicos, além claro, da presença marcante da bossa nova. 
O som da Air necessariamente precisa estar associada ao sonho, sua audição numa perspectiva mais objetivista, certamente pode obstruir grande parte do potencial das viagens oferecidas pelo duo Nicolas Godin e Jean-Benoit Dunckel. 
Considero o disco Moon Safari de 1998, o mais inspirado e melhor produzido. Nele todas as refências apontadas anteriormente funcionam de forma magistral, além de trazer um toque das canções de rádio italianas dos anos1970, marcadamente definidas por sintetizadores e suaves sequenciadores que nos trazem aquele gostinho de felicidades escondidas, momentos desejados e poesia por ser escrita. Enfim, uma ideia de romance sem pieguices, um flerte com o trip hop, sem melancolia, mas com desejo.
Recomendo ouvir tomando vodka, num quarto escuro e volume no máximo.
Curtam!







Let's Rock? Metric - Dead Disco e Gimme Sympathy

Pra série bandas com vocalistas apaixonantes! METRIC.
A banda canadense tem um som empolgante que concilia ritmo e boas letras. É melhor acrescentar à descrição a palavra "frequentemente", pois há umas cascas de banana nas quais teimam em escorregam de vez em quando, porém, acertam no atacado e possuem muitas músicas realmente contagiantes.
Sua produção de clipes também é muito bem elaborada e dirigida, é uma marca forte da produção do grupo!  Sempre carregando de narrativas plenas de sugestões, associações imagéticas afetivas em todas suas possibilidades.
Eles tem angariado repercussão cada vez maior na mídia devido a participação em trilhas de séries e filmes como Grey's Anatomy, The vampire Diares, CSI, House e filmes como Zombieland e Scott Pilgrim.
Curtam!




domingo, 8 de janeiro de 2012

Let's Rock? Mutantes: Ando Meio Desligado

Pra fechar a tarde de domingo sem tristezas.
Outra dívida antiga do blog: Mutantes - Ando Meio Desligado (ao vivo)
Vanguarda, psicodelia, genialidade, lirismo e loucura em doses máximas.
Rita Lee uma gracinha!...
Curtam!
ps: Só pra quem tem Multishow!