terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Poesia 25: Uma tatuagem borrada

Essa noite não adiantou a encher a cara
Nenhuma beleza o acalmaria
Nada nesse mundo podia acalmar
O mundo era opaco: fumaça, vodka e gelo
Sexo ia e vinha
Sem expectativa, apenas funcionar e roçar de corpos
A vida é assim, cheia de maquinismos
Agora estava tudo na conta dela
Tinha que voltar
Ainda pensava naquela garota
Nessa noite parecia que matá-la não resolvera
Não havia mais para onde o retorno
Quantos quilômetros até aqui
Mais garrafas e noites sujas ajudaram menos ainda
Covardia era a regra do amor
Só é valente quem começa
Todo final é sujo
Toda ida por mais corajosa ainda é covarde
Queria gritar aquilo
Arranhou-se por dentro
Fez na alma uma tatuagem borrada onde se lia com dificuldade:
"Amei você,
Matei-a uma noite dessas com algumas garotas
Foda-se o resto!"
Você está morta, não me entenderá
Pela última vez desculpe-me
Isso é apenas rock’n roll, 
Baby.

                                                            Vancarder

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