terça-feira, 17 de abril de 2012

VERDURA - Caetano Veloso


"De repente
me lembro do verde
da cor verde
a mais verde que existe
a cor mais alegre
a cor mais triste
o verde que vestes
o verde que vestiste
o dia em que te vi
o dia em que me viste"

domingo, 15 de abril de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Fortaleza 286 anos: uma cidade necessitando de tratamento

Passarela Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura 

O jornal O Povo (Fortaleza-CE), ontem 12/04/2012 (fonte: aqui), questionou ao jornalista Gilmar de Carvalho se Fortaleza seria uma cidade boa para se viver. Essa pergunta se deu a propósito da véspera das comemorações dos 286 anos da cidade. 
Sua resposta:
"Fortaleza não é um bom lugar para se viver. Estou aqui desde 1950, apesar de tudo. As relações pessoais são agônicas, e prevalece o “salve-se quem puder”. O povo, grosseiro, não pede licença, muito menos desculpas, não diz obrigado, e nem dá bom dia. Perdemos o melhor da ética sertaneja. Levamos a desqualificação do outro às últimas consequências. O riso é de puro deboche. E ainda tem quem acredite que sejamos hospitaleiros.
Não me iludo com o “glamour” da propaganda governamental. A cidade é feia, cresceu sem planejamento: sistema de saúde falho, escolas sem qualidade, trânsito infernal. Os poderosos destruíram as dunas, aterraram lagoas, emparedaram a orla, ocuparam praças e aterraram mangues. Levantaram edifícios dentro do mar, do mangue, e nas áreas de proteção aos mananciais. Nossas praias ainda são (e serão sempre) poluídas. Tudo é destruído em nome da ganância e do lucro.  
Temos vergonha do passado. Destruímos as marcas da memória. Não construímos um projeto de futuro. A cidade reflete a insensibilidade das elites, ávida pela acumulação desenfreada. Tentamos nos equilibrar entre populismos de “direita” e de “esquerda”; shoppings e comércio informal; “topics” e blindados; apartamentos de mil metros quadrados e favelas. 
Voltando à cidade, é grande o número de viadutos sem alças. Nossas calçadas estão tomadas pelas barracas. O Centro está cada vez mais degradado. 
Tentam nos vender a ilusão de que tudo se resolverá em 2014, por um passe de mágica ou por um toque de bola. Será péssimo quando nos dermos conta de que não é bem assim. Nos acenam com o supérfluo, eventos, quimeras. É difícil viver em qualquer lugar. Viver aqui parece ser pior. A semente plantada em torno do forte deu neste caos. A nave vai, à deriva.

"Temos vergonha do passado. (...)Não construímos um projeto de futuro" ".
Gilmar de Carvalho

Rescreveria o texto do Gilmar de Carvalho, sem nenhuma ressalva. Sou fortalezense, moro atualmente em Cabedelo, Paraíba, região metropolitana de João Pessoa a quase cinco anos. Escrevi em 2010, um texto em alusão ao 283 anos da cidade (AQUI), nesse intercurso onde em minha escala de experiências pessoais tanta coisa mudou, não sei se o mesmo pode ser dito de minha cidade natal, que parece ter mergulhado mais profundamente em sua crise de metrópole com  aspirações de megalópole. 
Meu estranhamento e angústia pelos rumos tomados por essa "morena desposada do mar" minha única e pra sempre cidade, se intensificaram. No horizonte do urbanismo e da vida cultural da cidade dois fatos recentes entre tantos são emblemáticos do descaso de Fortaleza em seu crescimento desordenado: O anúncio e início das obras do Acquario do Ceará pelo Governo do Estado (Acquarionao), à revelia da lei e das necessidade prementes da cidade, evidenciando a falta de responsabilidade sócio-ambiental de nossos governantes. 
E o descaso com um ícone recente do progresso da cidade, o Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura, que vê seus equipamentos sendo fechados, como anúncio recente do encerramento das atividades do Espaço UNIBANCO de Cinema, seguindo o anterior fechamento da livraria e, mesmo da deterioração do prédio que carece de manutenção emergencial.


Penso que o sentimento de pertença a um lugar comporta amor e ódio, que em síntese, definem a identidade e o contraditório sentimento de bem estar frente a tantos problemas. Não se desgosta da cidade materna, da mesma forma que não esquecemos a língua materna. A opinião do jornalista aponta para um quadro que vai além do gostar ou não de viver em Fortaleza, vejo muito mais um cenário de uma cidade que maltrata bastante a quem nela vive, sobretudo os mais fracos e vejo uma sociedade que está se especializando em conviver com uma perspectiva de crescimento a qualquer custo de horizontes pouco ou nada estimulantes, sombrios. A não ser que aconteça uma pouco provável virada nos sentidos e rumos dessa metrópole hiper acelerada, ou teremos uma velhice bastante perigosa, muito além do nosso presente. Brevemente, quando esse futuro chegar, ignorando a hipótese que estejamos senis, não teremos nenhuma convicção pra dizer que Fortaleza seja uma cidade boa para se viver.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

A Tua Presença Morena - Caetano Veloso

Imagens: "Que viva México", 1933. (Sergei Eisenstein).


Uma foto: Ao mar...


"Alegoria" (Autoria: Umeru Bahia de Azevedo). Rio Tinto, Paraíba, Brasil.



terça-feira, 10 de abril de 2012

Hotel Chevalier (2007)



Hotel Chevalier (2007), curta metragem prólogo de Viagem a Darjeeling (Darjeeling Limited),  direção de Wes Anderson, com a fofura da Natalie Portman e a trilha sonora maravilhosa de Peter Sarstedt.
Por que? Porque toda viagem tem suas razões, ou não...
Ex-girlfriend: Whatever happens in the end, I don't wanna lose you as my friend. 
Jack: I promise, I will never be your friend. No matter what. Ever. 

Devia este filme a muito tempo aqui no blog.
Curtam!

 

The Visitor (O Visitante), 2007



Lá na caixa de diálogo do timeline do Facebook lê-se: "no que você pensando?". Pensando no que estou pensando, me flagrei na hora do pulo do gato do pensamento, no momento que se sente em 360º todo o ritmo e sorte das mudança das coisas, da vida, de tudo. Inflexões, torções, subtrações, adições de experiências, trajetórias, essências, pessoas e caminhos. Tudo traz e deixa marcas, tudo redefine o cotidiano e o banal da experiência até o momento no qual o ponto de partida torna-se um ponto dissolvido em meio a tantos outros pontos, tantos motivos e tanto passado. Porém, ali.
Uma coisa leva a outra, e o oficio de ser cristaliza-se numa espécie de arqueologia de si mesmo, quando se descobrir passa também pela tarefa de entender certas pistas do passado que lançaram as pontes para esse presente e não um outro qualquer, onde tudo seria totalmente diferente.


Como falei antes, uma coisa leva a outra, e na internet como na vida isso é uma verdade que se impõe. Pensei nisso tudo ai em cima porque revi um filme maravilhoso, quase que por acaso, The Visitor (2007), do diretor Thomas McCarthy, com o veterano ator Richard Jenkins no papel principal (pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor ator). O filme também conta com a trilha sonora belíssima de Jan A.P. Kaczmarek, da qual pode ser apreciada o tema de abertura logo abaixo.
Nos Estados Unidos, de pernas para o ar após o 11 de Setembro, um entediado e solitário professor  universitário de economia se vê em uma dessas grandes e imprevisíveis mudanças de curso, onde improváveis personagens oferecem um horizonte de transformações, surpresas e desafios, que o tornarão afinal, um nova e também inesperada pessoa. Um filme delicado e belo, desses que certamente marcarão de alguma forma, e para sempre, as sensibilidades mais abertas.


Particularmente, tomo-o como um marco.


Curtam!


Let's Rock? More Than This - Roxy Music (Lost In Translation)


"...It was fun for a while
There was no way of knowing
Like a dream in the night..."



CURTAM!

sábado, 7 de abril de 2012

Doces Bárbaros - São João, Xangô Menino

Cara de sábado de Sol!
Jeito de um São João de festa que nunca termina no peito da gente.
"Viva São João, viva qualquer coisa..."
Curtam!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vodka



Não ouvira seu adeus na despedida. A partida fora em silêncio numa madrugada em que a rua dormia um sonho que não era seu. Ao amanhecer uma escova de dente sobraria para sempre sobre a pia. Um vidro de perfume nunca mais seria aberto e um bom dia não seria mais ouvido. Não haveria recado nenhum, nem de batom, nem bilhete, nada fora do lugar, nada faltando, além daquele cheiro, daquele jeito. Mas sobrando, aquela falta, aquele espaço interminável do apartamento que se fazia ao mar, que morria na praia. Primeiro sol, primeiro dia, um café e um motivo pra escrever. Espalhar tinta pelo papel como quem canta um blues engolindo as letras, engasgando com sons que não podem mais serem ditos. Se esforçando a cada passo, pra chegar ao dia que tudo seja apenas saudade e, mais além, esquecimento e a vida pra levar. Feliz? Apagara essa noite da memória com uma boa garrafa de vodka. Estava tudo bem.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Roger Waters - The Wall. São Paulo - Morumbi (01/03/2012)


Roger Waters conseguiu elevar o conceito de show excelente para um nível absurdo de ser alcançado.
Segue uma amostra grátis.