quinta-feira, 31 de maio de 2012

Homenagem do Blog a Nelson Jacobina



Morre-se Assim
Jorge Mautner / Nelson Jacobina

No meio das névoas e mergulhado na melancolia, ao lado de tristes ciprestes, ajoelhado, derramando quentes lágrimas de saudade perante o túmulo da minha amada.
Morre-se assim
Como se faz um atchim
E de supetão
Lá vem o rabecão
Morre-se assim
Como se faz um atchim
E de supetão
Lá vem o rabecão
Não não não não não não não não
Não não não não
Sim sim sim sim sim sim sim sim sim
Mas porém contudo todavia
No entanto outrossim


Uma bala perdida desferida na rua dos paqueradores de travesti voou e foi alojar-se no crânio de uma velha senhora que lia com fervor a sua bíblia lá no morumbi.

No cemitério, pra se viver é preciso primeiro falecer. Os vivos são governados pelos mortos. Que nada, os vivos são governados pelos mais vivos ainda. E no cemitério, devota alice, nós os ossos esperamos pelos vossos.


Censura do Facebook à Marcha das Vadias: Em quais valores nossa sociedade acredita?

Para saber mais, visite: MARCHA DAS VADIAS - JOÃO PESSOA

Um Gole de Café



Naquela manhã fria acordara estranhamente feliz, sua completa ignorância sobre esse estado, só rivalizava agora com todas as formas de amor que achava ser capaz de sentir. As paredes não seguravam a ânsia de alguma coisa nova que se desenhava a sua revelia em passado-futuro de uma distância difusa, mas próximo ainda, talvez. As mortes, assassinatos e suicídios em massa perpetrados covardemente pelo seu coração silenciavam agora num único gole de café. Hesitara em colocar o pé na rua, chovia. Já fora apaixonado por chuvas, frio e melancolia. Hoje desconfiava mais da chuva: pessoas deixam de se ver e o cheiro do mar ficava mais longe, aprendera isso recentemente, sob a chuva. Resolveu escrever sobre outras coisas e ansiou grafitar desconexas palavras de amor em um quarto estranho, recém pintado, que nunca conheceria. Nessa inusitada sessão de mudez e fuga interior pensou por alguns segundos em qual música ela estaria ouvindo no momento que o seu celular tocasse. Saiu e foi olhar a chuva nos olhos. Não se tem notícia dele ter voltado. Nem que tenha feito a tal ligação.

31/05/12

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Marcha das Vadias - João Pessoa: por uma sociedade sem machismo (urgente)

Marcha das Vadias - João Pessoa, 09/06/12, 9h. Lagoa.



Marcha das Vadias acontecerá no próximo dia 9 em João Pessoa

Mulheres paraibanas se uniram para reivindicar respeito e igualdade entre os gêneros humanos


POSTADO POR VIRGÍNIA EM NOTÍCIA, DIA: 29/05/2012 ÀS 14:34H
FONTE: POR VIRGÍNIA DUAN





"Acontecerá no próximo dia 9, a Marcha das Vadias em João Pessoa. A ideia da Marcha surgiu em 2011 no Canadá como forma de protesto, após um policial, que ministrava uma palestra de prevenção ao estupro em uma Universidade de Toronto, ter declarado que as mulheres não seriam vítimas de estupro se “evitassem se vestir como vadias”. Indignadas com o desrespeito, as universitárias organizaram a “Slut Walk” (Marcha das Vadias) que obteve grande repercussão na mídia e se espalhou pelo mundo. Segundo as declarações das organizadoras da Marcha das Vadias de Brasília, a ideia de fazer essas manifestações no Brasil é porque “infelizmente a fala do policial canadense ecoa em vários outros países”.
Diariamente milhares de brasileiras sofrem agressões de natureza física e/ou moral em ambientes de trabalho, transportes públicos, dentre outros. Cansadas desses abusos, algumas se uniram, trocaram ideias e organizaram suas marchas em defesa da integridade e respeito feminino. Em um vídeo de chamada para Marcha de Brasília, as organizadoras afirmam que para acabar com o machismo na sociedade faz-se necessário, antes de tudo, encarar o machismo em nós mesmas (os): “É por isso que dizemos, sem medo ou constrangimento: Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias!”
O problema deixou de ser de caráter privado e tornou-se de esfera pública. Em João Pessoa, mulheres de diversos segmentos da sociedade se preparam para fazer a caminhada em prol dos seus direitos. “O intuito da marcha é mostrar que os estupros acontecem por causa da visão patriarcal e machista que ainda considera o corpo da mulher objeto de dominação masculina. Queremos respeito no campo de trabalho e familiar, queremos uma sociedade que não nos impõe um padrão de beleza que mercantiliza e ‘objetifica’ os nossos corpos na mídia e no mercado, queremos que toda mulher tenha o direito de se vestir e de se comportar como bem entender, sem que isso seja uma justificativa à violação de seu corpo, queremos salários iguais para funções idênticas”, reivindica uma das organizadoras da Marcha em João Pessoa, Nathalya Ribeiro.
Em um primeiro momento as pessoas ficam chocadas pelo termo “Vadia”, inclusive mulheres que não estão informadas sobre o motivo deste nome, sentem-se ofendidas. “Utilizamos esse termo porque esta palavra é usada contra as mulheres diante de alguma atitude de liberdade, principalmente a liberdade sexual, pois na sociedade em que vivemos excludente e machista, a liberdade sexual da mulher é tabu e gera preconceitos diversos. Porque esta palavra provoca e faz refletir o que é e quem é uma mulher que não segue um padrão de conduta imposto pela sociedade, que se escandaliza com a palavra vadia, porém não se escandaliza diante dos casos de violência que acontecem com as mulheres”, esclarece Nathalya.
Muitas mulheres que se apresentam enquanto feministas, sofrem discriminações e são chamadas por termos pejorativos como “mal amadas”, por exemplo. Segundo Nathalya, o conceito de feminismo é muito deturpado pela sociedade: “É bastante comum a gente ler e ouvir comentários sobre o feminismo como se fosse equivalente ao machismo, mas não é nada disso. De forma bem simples, o feminismo, ao contrário do machismo, busca a igualdade de direitos entre homens e mulheres, trabalhando a ideia da liberdade e autonomia e lutando contra todas as formas de violência, exploração e opressão que as mulheres sofrem no cotidiano”, explica.
Para quem deseja apoiar a luta ou debater de forma pacífica e livre de preconceitos o assunto, a Marcha das Vadias de João Pessoa acontecerá no dia 9 de junho às 9h, em frente da “Pedra do Reino”, no Parque Solon de Lucena".

terça-feira, 22 de maio de 2012

De Salas e Varandas Vazias: um registro



Depois que suas últimas caixas foram levadas para o carro de mudanças ele ficou um tempo parado à porta da saída, sozinho, observando a agora vazia sala de estar do seu antigo apartamento. Durante aqueles últimos anos vira sua vida sendo inscrita ali. E quase sem nenhum esforço, podia reviver cada primeira cena, como também cada última. 
Além da sala, sua visão percorria a varanda, a cozinha, o quarto. O silêncio e o vazio de agora não eram compatíveis com os sorrisos, amores, alegrias, esperanças, dores, tristezas, chegadas e partidas que se desdobraram entre aquelas paredes. 
Na varanda já não havia mais a redinha, da qual obervara as estrelas tantas vezes, em noites tais que o som do mar parecia reverberar dentro de casa. 
Na cozinha nenhum cheiro de um prato especial feito para cada ocasião única, sempre como ritual, no qual o sabor demarcaria as expectativas de prazer do que viria. 
O quarto já não trazia o estimulante frescor da aventura, do gozo, da descoberta e do sonho (mesmo os breves, os vãos e os desfeitos). O vazio e o silêncio de agora não faziam justiça a tudo que acontecera ali, a tudo que se perderá inexoravelmente frente ao futuro. 
Fechou a porta. Já no hall, resignado, parou por alguns segundos e pensou o quão impossível seria dividir tudo que pensara naquele breve momento. Quis ligar para alguém, mas seria inútil. Pensou em escrever algo, apenas para desistir imediatamente. Quis chorar e se sentiu incapaz. Fez a única coisa que podia frente a tudo aquilo, seguiu e tomou o elevador para a portaria. 
Aquele lugar já não mais lhe pertencia. 


21.05.12

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lucas Santtana - Para Onde Irá Essa Noite?



Clipe novo de Lucas Santtana para a música "Para Onde Irá Essa Noite?", do álbum "O Deus Que Devasta Mas Também Cura" (2012). 
Outro grande acerto do diretor Emílio Domingos, o mesmo que assinou o clipe de "Cira, Regina e Nana" (veja aqui).
Arriscaria uma continuidade entre as duas estórias e das duas pegadas. Recortes breves da vida de qualquer um, de um momento desses que a maior delicadeza tem o peso de um planeta. 
Grande registro, sensível por demais.
Curtam! 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Franz Ferdinand no Brasil 2012 - São Paulo/ Parque da Independência/ 27.05 (domingo)




Entrada: Gratuita (entrada limitada à lotação máxima do parque)


"A banda escocesa formada em 2002 completa o line-up do 16º Cultura Inglesa Festival, e sobe aos palcos doParque da Independência no dia 27 de maio para fechar e incendiar o domingo musical do #16CIF.
Franz Ferdinand roubou a cena da música na década de 2000, vendendo mais de 3 milhões de álbuns e levando prêmios importantes. Além de Alex Kapranos, vocalista e guitarrista, a banda é formada por Bob Hardy (baixista), Nick McCarthy (guitarra, teclado e backing vocals) e Paul Thomson (bateria e percussão)
A banda já lançou três discos de estúdio, sendo o último “Tonight: Franz Ferdinand”, em 2009. Os seus hits estão na ponta da língua de muita gente, e já embalou muita festinha por aí!
Ou você nunca cantarolou Take Me Out?
A última aparição da banda por aqui foi em 2010, mas agora eles voltam para um show gratuito. Não dá para perder, dá?"


Ps: Só pra quem tem Multishow!

domingo, 13 de maio de 2012

Das Curvas do Rio - Homenagem do blog a Elomar


Bode Orelana (Henfil). Personagem inspirado em Elomar
Homenagem do blog a obra atemporal de Elomar Figueira de Mello. Sertão, modernidade, trovadores, secas, amores perdidos na caatinga, saudade, encantamento. Tudo numa música que se localiza em algum lugar entre o agora e o passado sem limites de um tempo imemorial, armorial. Não vejo como não ouvir a música de Elomar sem associá-la a algum tipo de perda de nosso mundo, a um por do sol dolente em um horizonte inalcançável entre nuvens de nostalgia. Nessa mística entre memória, lendas e inconsciente "sertanico", suas tiranas, óperas, funções,  desafiam o ouvinte até os limites do sonho de "um amor que retirou". Pedindo licença a Guimarães Rosa, o sertão é sem fim e dentro da gente... pra sempre!
"Mas cadê meus companheiros, cadê?..."
Curtam!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Let's Rock? Beirut - Elephant Gun

Fim de tarde, Beirut cai bem...

Um motivo a mais para assistir Os Vingadores: Ela!


Depois de tantas resenhas, críticas e sinopses lidas, ainda não fui assistir Os Vingadores. Pretendo resolver isso rápido, mesmo porque, Ela, estará lá!
E por falar em resenhas, segue uma excelente: Os Vingadores (por Pensamentos fabiofreirianos)


Entre as Ondas do Mar


Então ela desceu as pedras em direção à praia. Disse apenas que era hora, que voltaria naquele momento para seu mundo. Mais abaixo, as ondas quebravam e desenhavam inefáveis cortinas de fim de tarde no caminho que o olhar dela perseguia. O destino estava traçado, desde sempre, tudo aquilo estava pra acontecer, daquele único jeito. Trazia seu vestido de prata de finas contas transparentes, translucido, deixava antever seu corpo, pernas, peitos, ancas. Ultima visão que viraria memória pra sempre naquela urgente despedida de tão poucas linhas. Havia um mar infinito lá embaixo. Nesse fim de tarde o canto de Iemanjá se fazia ouvir límpido ao longe, as danças as quais não tive tempo de desfrutar ficarão para um dia de festa no futuro. A moça cruzou as pedras da barra e sumiu devagar em meio as ondas. Estava em casa.

sábado, 5 de maio de 2012

Uma Foto: Snoopy goes to the moon


Micro Conto Lunar


 - Quero morar na luaaaaa! Disse a moça para ele (assim mesmo, com muito "a"s) e com um sorriso de orelha a orelha.
 - Pois venha! Respondeu a ela. 
Quando ele emendou
- Já estou aqui.
Dela nunca mais se soube. 
Um astrônomo sustenta, que pelo telescópio potente de Monte Palomar, viu alguém sentado em uma rocha na superfície cinza brilhante da última Lua cheia.
Ninguém deu crédito a ele. Teria sido São Jorge a ser avistado? Seria o rapaz? 
Onde estaria a moça?...
Hoje tem super Lua no céu. Todos olharão pra lá e poderão tirar suas próprias conclusões.

Felicidade...


Lá do sétimo andar. Intermares-Cabedelo-PB (Van)

Então meu amigo, me diga, por que as pessoas se vão? Por que morrem, desgostam-se, desinteressam-se, enjoam-se? Diga-me por que não estou sorrindo agora? Diga-me olhando nos meus olhos no que acreditar, que devo acreditar, quando estou tão cansado. Não de alguém, de algo, ou de algum lugar, mas estou cansado de ver partidas, a minha inclusive. Quero um porto, nem que seja algum velho e esquecido abrigo. Quero um porto, mesmo que impossível. Quero um porto ainda que digam que a vida é essa carreira desembestada em que todos fingem uma alegria infinita. Não sou alegre, não sou feliz e parem de me encher com falsas promessas. Não tentem me convencer com suas formas incríveis de felicidade. Não quero trabalho e assumo isso. Faço o que posso pra continuar, não vejo no que o primeiro lugar me fará uma pessoa melhor. Tudo é sorte. Nenhuma novidade. Los Hermanos musicou isso quinze anos atrás, Fernando Pessoa há quase cem. Os primeiros ganham muito dinheiro com isso, o outro está morto e a vida segue. A vida é blues, saudade e tristeza. Felicidade são os momentos em que nos distraímos. Enfim, breves. Ninguém nos treinou pra distração. Quero aquele calor do jardim de terra na hora almoço. Sentir de novo o sabor daquela brisa na sombra do jardim depois do almoço, quando na rede com cheiro de mala. Não sabia, quando menos esperava da vida, era feliz.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Let's Rock? Jack White - Weep Themselves to Sleep


Uma Foto: Lennon e Guevara

The sounds of  Revolution

Sóley



Longe do Mar

Perto do Mar (Tambaba-Conde-PB) 
Desde a última vez que a encontrara não podia deixar de pensar em suas ultimas palavras. Duas ou três coisas falavam de quatro ou mais vidas possíveis, um caleidoscópio onde ele se encontrava girando, colorido, como por efeito de sua presença. Totalmente imerso em sua presença. Depois de sua ida, aquelas coisas tomaram de assalto sua poesia, sua vida. Nessa ausência, sua imaginação se impregnou de sua cor, de seu cheiro, da forma que seu corpo desenhava recostado ao dele. Não sabia para onde ela ia, não quis perguntar, a mágica continuaria enquanto houvesse mistério e um motivo para um grande sorriso quando voltasse. Enquanto ele mesmo estivesse perdido. Depois que ela se foi, se deu conta, que quando estava feliz, sentia mais forte um cheiro de mar, quando por alguns instantes, se via na areia da praia, solto de tudo, preso a ela pela linha do horizonte.

terça-feira, 1 de maio de 2012