sábado, 5 de maio de 2012

Felicidade...


Lá do sétimo andar. Intermares-Cabedelo-PB (Van)

Então meu amigo, me diga, por que as pessoas se vão? Por que morrem, desgostam-se, desinteressam-se, enjoam-se? Diga-me por que não estou sorrindo agora? Diga-me olhando nos meus olhos no que acreditar, que devo acreditar, quando estou tão cansado. Não de alguém, de algo, ou de algum lugar, mas estou cansado de ver partidas, a minha inclusive. Quero um porto, nem que seja algum velho e esquecido abrigo. Quero um porto, mesmo que impossível. Quero um porto ainda que digam que a vida é essa carreira desembestada em que todos fingem uma alegria infinita. Não sou alegre, não sou feliz e parem de me encher com falsas promessas. Não tentem me convencer com suas formas incríveis de felicidade. Não quero trabalho e assumo isso. Faço o que posso pra continuar, não vejo no que o primeiro lugar me fará uma pessoa melhor. Tudo é sorte. Nenhuma novidade. Los Hermanos musicou isso quinze anos atrás, Fernando Pessoa há quase cem. Os primeiros ganham muito dinheiro com isso, o outro está morto e a vida segue. A vida é blues, saudade e tristeza. Felicidade são os momentos em que nos distraímos. Enfim, breves. Ninguém nos treinou pra distração. Quero aquele calor do jardim de terra na hora almoço. Sentir de novo o sabor daquela brisa na sombra do jardim depois do almoço, quando na rede com cheiro de mala. Não sabia, quando menos esperava da vida, era feliz.

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