quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Federico Aubele - Diario de Viaje



Com Natalia Clavier.
Espero que curtam.
Em tempo: mais um videozinho enquanto aparece alguma ideia nova para postagem... estiagem criativa, a fonte seca.
A vida não está fácil pra ninguém...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Bronski Beat - Smalltown Boy

Bronski Beat

Françoise Hardy - L'amitié

Música tema do filme "As Invasões Bárbaras".

As Invasões Bárbaras - Cena Final

As Invasões Bárbaras
Pensei hoje na fragilidade da vida, no mistério que concedemos a tudo para que, na falta de respostas às perguntas fundamentais, possamos manter o equilíbrio, ou pelo menos algum.

Retomei hoje um desses filmes que faz o mais duro coração amolecer, As Invasões Bárbaras (2003), Denys Arcand. As Invasões Bárbaras, junto com seu irmão mais velho, "O Declínio do Império Americano (1986) ajuda-nos a traduzir parte dos sentimentos de desconforto e inadequação do espirito frente a um mundo de mudanças aceleradas pós-globalização.

Não há fórmula para encarar a finitude, pensar sobre é sempre um ato heroico, é preciso lembrar, os heróis sempre morrem no final. Acompanhar a travessia de Rémy Girard o personagem central da trama nos dois filmes, durante quase três décadas, nos passa impressão que uma vida é pouco, mesmo vivendo-a intensamente, como ele faz. Intensamente significa um profundo apego ao sentimento de liberdade, de amor, por tudo, por todos. Uma entrega à vida amparada na mais desregrada paixão frente a um mundo que muda engessado na reação à mudança, reativo à liberdade dos afetos. Não estamos preparados pra tanto.

A cena final é definitiva como marco do horizonte no qual todos podem se ver, ou pelo mesmo sentir, frente a um todo do qual passaremos a fazer parte apenas como memória e um afeto, quando as luzes se apagarem. Injustiça para com o herói, quem saberá? Todos que ocupam o posto sabem de alguma forma do risco de se fazer importante para os outros, e essa diferença na forma de poder mudar os mundos ao redor tem o peso de uma eternidade.

Algumas pessoas passam, simplesmente. Outras se materializam no mito que faremos delas e além delas, pra sempre.

Só o herói não saberá disso.

 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Legião Urbana - Love in the Afternoon

Cedo Demais


"É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais...
Quando eu lhe dizia:
'Eu me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada.'
Você sorriu e disse:
'Eu gosto de você também.'
Só que você foi embora
Cedo demais
Eu continuo aqui
Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim
Dia de chuva, dia de sol
E o que sinto não sei dizer.
Vai com os anjos, vai em paz!
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez
É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais"


Ps: Dica de Arlene Costa.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Tatá Aeroplano - "Night Purpurina" e "Par de Tapas que Doeu em Mim"


Uma Foto: Dia do Aviador

23 de Outubro - DIA DO AVIADOR
Parabéns do blog aqueles que fazem o sonho de voar uma realidade.


Festival Planeta Terra 2012: Um pouquinho do que foi

Visctoria Hesketh - Little Boots
Festival Planeta Terra 2012 - Beth Ditto e Gossip
(foto: Nalu Brito)
6ª Edição do Festival Planeta Terra. Pra quem não foi, uma amostra.
Minha quarta ida a esse Festival. Já virou uma espécie de ritual pessoal. Momento de uma reciclagem de sensações e encontro festivo com amigos por demais queridos.
O Terra continua um festival interessante, apesar das dimensões modestas e das limitações em relação às bandas convidadas este ano. 
Na relação final, nenhum grande nome, nada como Strokes ou The Smashing Pumpnks que vieram em edições anteriores. 
O Kasabian, que reconhecidamente traz consigo um enorme potencial para grandes shows teve que cancelar sua participação de última hora.
Pessoalmente falando, a falta do Kasabian foi irreparável, mas, paciência...
Por outro lado, foi extremamente gratificante ver o veterano Garbage! Sua primeira e provavelmente última apresentação por terras brasileiras. Pra quem os acompanha desde o final dos anos 90 foi um encontro indescritível.
O Gossip surpreendeu com uma Beth Ditto elétrica, magnética, carismática em extrema empatia com o público! 
Se tecnicamente a banda não estava a altura de rigores mais elevados, a atitude rock'n roll da diva gordinha, tomando caipirinha, falando "oi, oi, oi", pedindo "desculpas" em português, indo pra galera e compensando todo o resto numa energia gutural, fez o show do Gossip uma catarse que certamente apagou o parte do brilho das estrelas da noite, o Kings of Leon.
Foi legal a apresentação do Suede, com os principais hits dos anos 90. Pra quem os acompanhava àquela época, foi pura apoteose. Tecnicamente perfeitos.
Quem foi, viu.
Que venha o Terra 2013! 
E ai, quem vai?...

Ps: um registro especial para o Little Boots, o eletropop bem executado do trio conferiu charme e envolvimento ao fim de tarde do Indie Stage. A vocalista Visctoria Hesketh estava, pra variar, uma gracinha (suspiros... hehe)

sábado, 20 de outubro de 2012

Estava Longe



Fazia muitos meses que ela o deixara. Ou se deixaram, já era difícil saber agora, talvez impossível, talvez desnecessário tentar saber. Pensou: “Drogas, ainda mais agora, por que essa chuva? Por que minhas roupas e pele até a alma?”. Mas se algo à toa, porque ainda ficava com os olhos rasos d’água quando lembrava? A sensação de perda e o vazio que dizem seguir esses momentos definitivos eram pouco para exprimir um único momento de sua respiração acelerada, no segundo quando se lembrou dela, em meio aquele temporal.

Encontrou refúgio em bar pediu uma cachaça e um cigarro. Há muitos anos não fumava, desde as brincadeiras de juventude, das noites de sarro, nas quais encontrar o amor era um jogo onde as promessas de aventura diziam muito mais do que os riscos de quedas absurdas e cortes abissais que a vida real costuma trazer pra quem se lança.

Tomou a cachaça como se tomasse o ar que lhe faltara aos pulmões. Tragou aquele cigarro como que para recuperar o chão que desparecera sob seus pés. A garganta queimando lhe lembrou de que estava vivo, embora custasse a acreditar que ela ainda o estivesse depois de tudo que havia feito para esquecê-la. Suas tentativas alucinadas de se autodestruir, redundavam num sentimento perverso de encontro com o mais intimo detalhe que ainda não havia conseguido remontar, a mais remota e quase inventada charada, que o derradeiro sorriso que ela lhe dera a tanto tempo poderia trazer consigo.

Não podia matá-la em sua memória. Prometeu-lhe fazê-lo para ter paz, ela seguia cada vez mais viva dentro dele, emergindo a cada chuva, crescendo pelas paredes úmidas de sua alma alquebrada como um fungo, tingido de um verde turvo como um musgo escuro sua alegria perdida.

Pediu mais uma dose. Apagou o cigarro na própria mão. A dor o acordou pra rua, pra ausência definitiva, pra hora de voltar pra casa.

Estava longe, amanhecia.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

domingo, 14 de outubro de 2012

Uma Foto: E despedidas...

Londres, maio de 1944. Um mês antes do desembarque aliado na Normandia.
Para muitos soldados, provavelmente as últimas horas em companhia dos seus entes queridos...
Fim de domingo.
Boa semana!
Ralph Morse

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um Poema: A Morte a Cavalo (Carlos Drummond de Andrade)

"Sleep" - Francisco de Goya
A Morte a Cavalo

"A cavalo de galope
a cavalo de galope
a cavalo de galope
lá vem a morte chegando.
A cavalo de galope
a cavalo de galope
a morte numa laçada
vai levando meus amigos


A cavalo de galope
depois de levar meus pais
a morte sem prazo ou norte
vai levando meus amores.
A morte sem avisar
a cavalo de galope
sem dar tempo de escondê-los
vai levando meus amores.
A morte desembestada
com quatro patas de ferro
a cavalo de galope
foi levando minha vida.
A morte de tão depressa
nem repara no que fez.
A cavalo de galope
a cavalo de galope
me deixou sobrante e oco."

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Jards Macalé - Soluços (1970)


O genial Tropicalismo à flor da pele de Jards Macalé.
Ouvir até lembrar que a pele já não está mais lá, arrancada pela raiz.
Vibrante onde agora só há nervos, veias, músculos e sangue.
Curtam!




Quando você me encontrar
Não fale comigo, não olhe pra mim
Eu posso chorar
Quando você me encontrar
Não fale comigo, não olhe pra mim
Eu posso chorar
E quando eu choro eu tenho soluços
E os soluços estragam minha garganta
E além disso eu uso lenços de papel
Eles se desfazem quando molham
Meus olhos ficam vermelhos e irritados
Eu ainda não comprei meus óculos escuros
Quando você me encontrar
Não fale comigo, não olhe pra mim
Eu posso chorar
Quando você me encontrar
Não fale comigo, não olhe pra mim
Eu posso chorar
E quando eu choro eu tenho soluços
E os soluços estragam minha garganta
E além disso eu uso lenços de papel
Eles se desfazem quando molham
Meus olhos ficam vermelhos e irritados
Eu ainda não comprei meus óculos escuros

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Uma Foto

Celeridade...
Alécio de Andrade. 1975. Coleção Pirelli/MASP

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Através da Fresta


Das coisas que precisava dizer-lhe, a maioria não fora dita quando se despediram. Ficaram penduradas por um último fio, em algum suspiro, em algum olhar de canto, numa piscadela mais falante que o fechar suave da porta silenciou de súbito. 
O último carinho nos cabelos dela, enquanto estava distraída neste dia em frente a TV, era o máximo que podia trazer ainda na memória da ponta de seus dedos. Ali nesta mesma oportunidade, ela oscilou entre estar presente e em qualquer outro lugar no seu incrível universo sem fim, pelo menos umas trintas vezes. Almoço, vinho, café, conversa e o tempo que passava, cada minuto como instantâneo de um jogo no qual o final era previsível, pois já descrito num conto-poema que falava que eles não podiam estar juntos, mesmo enquanto seus olhares diziam o contrário. 

Nessa tarde conversaram sobre todos aqueles pequenos fatos da vida, as pequenas grandes coisas, dessas que fazem mais sentido quando compartilhamos, como que mostrando um antigo e desbotado álbum de fotos de família, aquelas pequenas histórias de vizinhança, de jogos no colégio, de arenga com irmãos, o flerte com a prima, a zanga com o pai. Essas coisinhas que quando não datadas e narradas, perdem-se como as coisas que ansiamos nos deixarem pra sempre. Durante o tempo em que estiveram vendo, ou pensavam que viam aquele DVD, o lapso em que se tocaram se estendeu pela dimensão toda do universo, a primeira vez, a primeira sugestão e todas as possibilidades que a pele intuía em algum automatismo de prazer. Negar, permitir, fingir, tudo estava presente na imobilidade congelante de algo que estava inexoravelmente acontecendo. Demasiado tarde para fugas. Registro efetuado, dali em diante tudo seria diferente, mesmo quando não mais fosse.

Hoje, depois de tanto tempo, quando ele lembrou de tudo isso, pensou em ligar-lhe, pensou no desconserto evidente de sua voz ao dizer-lhe que sentia saudades, e a expectativa do vácuo amistoso, e delicadamente distante que viria em sequência. Ah, a distância: a segurança daquele castelo de nuvens, o pequeno passo a ser dado para que toda a aventura recomeçasse quando novamente se desapercebessem. 

Ainda lhe ocorreu: Mais uma taça de vinho e ela se foi. 
A porta não fechou de todo, ficou uma fresta por onde ela, sem cerimonia, se mostraria. Ela sabia, nunca haveria segurança.
Quanto a ele, começou a entender.