quinta-feira, 25 de outubro de 2012

As Invasões Bárbaras - Cena Final

As Invasões Bárbaras
Pensei hoje na fragilidade da vida, no mistério que concedemos a tudo para que, na falta de respostas às perguntas fundamentais, possamos manter o equilíbrio, ou pelo menos algum.

Retomei hoje um desses filmes que faz o mais duro coração amolecer, As Invasões Bárbaras (2003), Denys Arcand. As Invasões Bárbaras, junto com seu irmão mais velho, "O Declínio do Império Americano (1986) ajuda-nos a traduzir parte dos sentimentos de desconforto e inadequação do espirito frente a um mundo de mudanças aceleradas pós-globalização.

Não há fórmula para encarar a finitude, pensar sobre é sempre um ato heroico, é preciso lembrar, os heróis sempre morrem no final. Acompanhar a travessia de Rémy Girard o personagem central da trama nos dois filmes, durante quase três décadas, nos passa impressão que uma vida é pouco, mesmo vivendo-a intensamente, como ele faz. Intensamente significa um profundo apego ao sentimento de liberdade, de amor, por tudo, por todos. Uma entrega à vida amparada na mais desregrada paixão frente a um mundo que muda engessado na reação à mudança, reativo à liberdade dos afetos. Não estamos preparados pra tanto.

A cena final é definitiva como marco do horizonte no qual todos podem se ver, ou pelo mesmo sentir, frente a um todo do qual passaremos a fazer parte apenas como memória e um afeto, quando as luzes se apagarem. Injustiça para com o herói, quem saberá? Todos que ocupam o posto sabem de alguma forma do risco de se fazer importante para os outros, e essa diferença na forma de poder mudar os mundos ao redor tem o peso de uma eternidade.

Algumas pessoas passam, simplesmente. Outras se materializam no mito que faremos delas e além delas, pra sempre.

Só o herói não saberá disso.

 

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