sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Nina Simone - Take Care of Business

Nina Simone

Para Futuras Histórias (conto)

Paul Almasy - Dancers

Não parecia tão tarde da noite, mas naquele momento a música já havia parado. Ela não sabia se sentia-se tonta pelo excesso de vodka, ou pelas voltas que deram lembrando antigas músicas da época em que se conheceram, mas via flashes de luzes coloridas quando fechava os olhos: vermelhas, brancas, amarelas.

Abriu os olhos, mas não conseguiu olhar para ele. Em um canto longe de todos, envoltos pelo silêncio, cada frase solta, cada pergunta desencontrada parecia mexer cada nervo do corpo. As falas e respostas dele a relaxavam e, ao mesmo tempo, a colocavam em um estado de alerta total. O perigo estava ali, no abrigo, no afago, no lugar em que estava, em sua teimosia poética de insistir em perder-se. No calor daquele abraço.


Seu coração já estava envelhecido, foi prematuro. O dele pulsava, pronto para tomar o Álamo, mas todos sabemos, este não caiu. De olhos bem abertos, sabiam, não falariam de amor. Ela não seria devorada por si mesma novamente e ele recolheria seus mortos. 

Desta noite guardariam apenas o silêncio como mote para futuras histórias. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

The Brian Jonestown Massacre - Wisdom

"My love
Is
Like a flower
Daisies
Are
Always free"


Tudo Que Conseguia Lembrar (conto)

Hugues Erre

No dia no qual que ela se sentiu mais só, todas as verdades que trazia consigo no peito se esvaiam em lágrimas discretas. No final da tarde, tentou voltar para casa e não conseguiu. Depois de alguns momentos de hesitação na portaria de seu prédio, seguiu adiante. Passou em frente a padaria, depois ao posto de gasolina, deteve-se na floricultura, onde lhe ofereceram algumas margaridas. Declinou da oferta. Um breve e forçado sorriso e continuou. Ao passar em frente a livraria quis tomar um café, mas sabia que não o faria sem um cigarro, mais um, foram tantos durante essa tarde. Melhor não. Quatro quadras a frente o bar estava abrindo. Foi a primeira cliente, mesa de frente para porta, primeira bebida e direito de escolher a primeira música do dia. 

Algum tempo e várias doses depois, ao decidir voltar para casa encontrou a luz da cozinha acesa e uma carta sobre a mesa. Ele não voltaria. Despiu-se, deu comida ao gato que faminto entrelaçava-se às suas pernas, pegou uma cerveja e afundou-se no sofá. Tentou lembrar de todas as formas o que dera errado, mas só conseguia lembrar de quando vira o sorriso dele pela primeira vez e de quando tudo parecia para sempre, até aquele momento, em que seu gato já andando sobre seu peito, lhe reclamava um afago.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Bárbara Eugênia - Frou Frou (2015)




Disco novo e excelente de Bárbara Eugênia, Frou Frou (2015). Seu terceiro álbum solo.

Baixar gratuitamente aqui: Frou Frou (2015)

Dica de meu amigo Natan.



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Brian Jonestown Massacre - Mary, Please

O Maior Presente


Queria dar-lhe um presente inesquecível. Pensava há tempos em ficar ali para sempre. Quem sabe marcada na pele dele, indelével, em alto relevo, sensível ao toque. O mesmo toque, que fazia as costas dela arrepiarem sempre.

Mas não hoje. Queria algo para ele lembrar quando ela partisse, quando fizesse silêncio, estivesse alegre ou triste. Não encontrou nada em nenhuma loja que chegasse perto de dizer o que sentia.

Deixou-lhe de presente um silêncio sem fim, arrematado com um beijo, do tamanho do amor que ela não podia mais carregar consigo. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Ruth Brown - I Don't Know

Mergulho (conto)



Letargia. Perdera a hora e o trabalho hoje. Sabe-se lá mais o que perdera.

Cedo, derrubou o despertador no chão. As pilhas rolaram para os lados. Os olhos semicerrados viam o caminho para a toalete, mas essa não era a saída. Aliás, não sabia mais por onde seguir. 

O celular tocou insistentemente, primeiro seu namorado. Logo depois, do trabalho. Não atendeu nenhum e o desligou.

Manhã alta, a fresta de luz da janela lhe incomodava, apenas isso importava. Cobriu a cabeça com o travesseiro, mergulhou no meio da cama. 

Nunca mais se teve notícias dela.

Ollano - Latitudes (Air Remix)

Helena Noguerra (vocal)
Versão bacana de Latitudes feita pelo Air. Irresistível voz de Helena Noguerra. A performance original pode ser conferida aqui: Ollano - Latitudes

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Volta


Não dormira essa noite, caminhou desde a madrugada por muitas ruas. Depois de tanto sentou-se numa mesa de canto em um bar perto da estação central. Desses que tem um ar úmido, acre de tempo desperdiçado, azedo e sem razões. O lugar para tomar uma cerveja que ninguém espera estar gelada – e nunca está. A longa e estreita porta para rua, mal iluminava o salão. Nos fundos, ao lado do balcão, já na penumbra um corredor estreito seguia para os quartos que serviam de motel. Pensava em como matara suas crenças tempos atrás, todas, inclusive as de afeto. Não fora sempre assim, mas a juventude era uma lembrança bastante gasta, dessas que não valia a pena tentar remontar. Viu alguns casais que ora ou outra entravam e saiam. Estava velho para aventuras, a única coisa que dá alguma razão para vida. Entendia a todos que permaneciam vivos de fato. A cerveja quente naquele bar fedido confirmava que estava fora do jogo. Mais tarde voltaria para seu caminho. Definitivamente, havia sido uma péssima ideia ter voltado para vê-la.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Frito Sampler - Frank Black Meeting Calling Days (Aladins Bakunins, 2015)



Sem Respostas



1944, outono. Ela não tinha notícias de seu jovem marido há meses. Tempos de guerra, não havia respostas para as cartas, restavam as horas, a solidão, a esperança. Mas nenhuma notícia. Casaram-se pouco antes da convocação dele, cerimonia coletiva, terno e vestido emprestados. Lua de Mel no pequeno sótão, que por três dias chamaram de lar. Levava os dias da fábrica, operadora de torno. Tempo que se arrastava, pois envolto no vazio dessa distância. Escrevera mais uma vez para ele há pouco, contara que estava agora no sétimo mês de gravidez. Na cama, sob a pouca luz do quarto acariciava lentamente a barriga, via seus seios fartos e pensava na nova vida a caminho. Em breve não mais estaria só. Seriam dois sobreviventes, haveria muita coisa a fazer. Era preciso mais amor, apesar de tudo. Sentiu-se mais bonita e mais forte do que nunca. Disse tudo isso para ele na carta que acabara de selar. Sabia que as chances de respostas eram cada vez menores. Ou nenhuma.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Aniversário a Flor da Pele




Muito mais do que o normal, estava tomada em euforia. Sua pele estava sensível, havia um formigamento ao toque, sentia graça nas formas dos objetos, ao seguir curvas e linhas, sentir o quente e o frio, o áspero e o suave. Seus ouvidos conseguiam ouvir músicas que não conhecera antes, assim, pelos cantos casa. Havia um perfume novo em suas narinas, tão apaixonante que juraria ter cor. Seus olhos brilharam com a luz filtrada pela cortina, parecia mágica. Tudo era como sábado, tinha torpor e nenhum limite em querer, queria o que não sabia ainda querer. Queria a vida diferente e pronto, não precisava de nenhuma resposta. Apenas lhes serviam os sinais de encantamento que as belezas mais impossíveis lhe mostravam. Vestiu seu vestido de todas as cores, ainda que quase nada vestisse. Foi para rua abraçar o desconhecido, pois era dia de aniversário.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

HashFinger - A1.December.11

The Electronic Circus - Direct Lines (1981)

Edward Hopper em Gotham City


Nada Fica

Edward Hopper


Meu bem,

Tenho trabalhado tanto e tanto não tenho feito nada. Pena, nunca consegui encontrar as pílulas de ascese do Dr. Weber. Parece que todos que conhecia as tomaram, estão sumidas do mercado. Tudo melhora às sextas, há o gosto de café e a noite, cerveja. Segunda a labuta tem um gosto de passado, não há como respirar o passado, parece com os sonhos sobre a Escola. Nunca são bons. Já basta a dor de cabeça ao acordar. 
Lembrei que você falava sobre o futuro. Agora nenhum dos meus amigos mais fala sobre o futuro, provavelmente por estar muito próximo, bem ali, poucos anos. Sem prorrogação. Preferem falar dos filhos. 
Há pouco tempo pra todos nós. Nada fica.
Quisera um carnaval como nunca tive na vida. 
E não ter que levantar na quarta-feira.


Sinceramente 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Cheiro de Mar (conto)



Ele aceitou o convite dela naquela tarde para se verem. Nada demais. Talvez um chopp, mais um papo sobre as poucas coisas que sabiam da vida um do outro. Já se conheciam há um tempo. Não iam muito além de alguns limites interditos nas perguntas sobre as vidas intimas de cada um, já sabiam o que precisavam saber desde a primeira vez que se viram. Claro, já tinham ficado antes, duas, três vezes, não lembravam ao certo. Não parecia mais ser o caso lembrar. Naquela tarde ele a pegou no trabalho. Ambos deram um jeito de sair mais cedo. Para sua surpresa ela pediu para ir a uma praia distante, não para o discreto café que sempre iam. O percurso de quase uma hora ficou marcado pelo delicioso perfume dela. Harmonizava com os movimentos das mãos, enquanto gesticulava para explicar-lhe algum ponto de vista com veemência, quando sequer ele sonhava em discordar dela. Parou o carro na areia. Pés no chão. Andaram vários minutos enquanto ela lhe falava de mudanças, decisões e inseguranças. Ele só podia ouvi-la, não havia nada que pudesse fazer ou dizer diante de tudo. Ela sabia, mas fazê-lo ouvir-lhe de alguma forma lhe dava alguma segurança. Quase noite, entraram no mar. Lá ela disse para ele que estava indo embora. Se beijaram com a certeza de ser a última vez. Ela também estava se despedindo dele. No dia seguinte em seu carro ficaram, além de toda a areia, o cheiro de mar e o perfume dela que nunca mais o deixariam.

domingo, 14 de junho de 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

Ringo Starr - Postcards From Paradise

"As ever p. s. I love you
Postcards from Paradise"

domingo, 31 de maio de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

terça-feira, 26 de maio de 2015

Por um Triz

Rachael
Essa semana quis escrever algo para você. Por pouco não te liguei. Por um triz não mandei uma mensagem. Dias depois só podia ver pernas, suor, as costas que não as suas. Quer saber, meu bem? Lembrei de suas pernas e de seu inconfundível cheiro agridoce misturado com perfume, quase disse seu nome por engano algumas vezes, pensei ter passado disso. Ontem tomei uma cerveja interminável em sua causa. Na volta a pé, alta madrugada, parei frente a um prédio que imaginei ser o seu, absurdamente bêbado, toquei o interfone e fugi de forma desembestada. Tropecei num meio fio perto da esquina e abri a testa. Impressionante como você ainda faz meu sangue jorrar. Ao longe jurava ouvir sua risada. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

A Casa dos Azulejos Amarelos (conto)


Meu bem, ontem te vi em meu sonho. Incrível como tudo parece tão real quando tu apareces. Ao mesmo tempo, tudo é diferente. Dizem que não sonhamos com cores, mas sempre te sonhei colorido. Dessa vez te vi numa casa de azulejos amarelos. Fascinante como os sonhos nos pregam peças. Na infância havia uma casa de azulejos amarelos na minha rua, tinha uma varanda ampla com uma garagem cuja entrada tinha um arco suave apoiado nas extremidades por meia-colunas em espiral, ao lado da varanda uma ampla janela com cortinas brancas. Me mudei dessa vizinhança muito cedo e não tive chance de entrar nessa casa, sequer cheguei a conhecer seus moradores. Mas nunca a esqueci, embora não me lembre de ter parado em algum momento da vida para lembrá-la. Até agora. Nessa sua nova casa do sonho você me abria os braços, o sorriso e através da cortina branca eu podia ver a rua e um céu azul profundo e intenso, justamente na hora mágica. O mais estranho do sonho, meu bem, é que ao me virar novamente, não lhe via mais. Parecia nunca ter estado lá. E a casa amarela era apenas a casa da minha infância, e, voltando apressada para a janela, pude ver a mim mesma quando criança, olhando na direção da janela na qual estava.

Paula Tesser - Luz Interior (Valha - 2013)

TESSER


sábado, 9 de maio de 2015

Um Segredo

"Vestiram suas roupas devagar"

Vestiram suas roupas devagar, de vez em quando ela olhava para ele sorrateiramente, de forma moleca, de um jeito que só essa noite ela o fizera. Ele não tirava os olhos dela, não conseguiria nem que tentasse. O banal da vida que se desenrolava parecia ganhar contornos surreais, nenhum cataclismo anunciado, um desvairo apenas. O maior deles, o definitivo e o mais passageiro. Ela tinha aquele jeito jovial, o seu sorriso o desarmava de toda sua seriedade, os movimentos dela tinham uma graça que o fazia pensar estar em um filme qualquer que vira há muito tempo, um o qual não lembrava o nome. Olhando aquelas ancas, suas tattoos e a marca esmaecida do biquíni, claro que não lembraria de filme nenhum. Sobretudo enquanto ela sussurrava o nome dele soprando leve dentro da orelha e seus pelos arrepiavam. Sem pressa dirigiram-se para a porta. Mesmo sabendo quase nada um do outro, agora dividiam um segredo que dissolvia as grades da jaula que prendia a vida.

Cat Power - Love and Communication

Cat Power (Charlyn Marie Marshall)

domingo, 3 de maio de 2015

"NUNCA ESQUEÇA!" (CINEMONSTRO, 2015)


29/04/15 DIA DA INFÂMIA.

#nuncaesueçaquemébetoricha
#PSDBVergonhaNacional
#MassacreDosProfessoresParaná
#PMAssassina
#FimDaPM

SEM MAIS.


NUNCA ESQUEÇA! from CINEMONSTRO on Vimeo.