sábado, 30 de outubro de 2010

DE AREIAS AO VENTO AO DRAGÃO DO MAR: UM PERCURSO VISUAL DE RECONHECIMENTOS E ESTRANHAMENTOS EM FORTALEZA





Texto publicado no jornal O Povo em 13/04/10 por ocasião das comemorações dos 283 anos da cidade de Fortaleza.


Vancarder Brito Sousa

Nas comemorações do aniversário de Fortaleza, começo este texto falando um pouco do que me move a escrever essas poucas linhas sobre os sentidos da visão em relação à nossa “loura desposada do sol”. Ou seria melhor dizer, morena, qual Iracema de Alencar? Bem, apesar da plena sintonia da questão das madeixas com o tema e a abordagem do olhar sobre o que se vê e o que se esconde em Fortaleza, este debate fica pra outra oportunidade.
Mas qual minha condição de articulador de reflexão a tamanhas questões que me foram sugeridas para participar desta homenagem? Antes de tudo esclareço as questões: “Como traduzir Fortaleza em imagens?” “O que a cidade aparenta ser?” e “Qual a análise da imagem do espaço urbano de Fortaleza?” Considero importante o leitor saber de onde falo e qual percurso que seguirei para recompor a minha cidade natal enquanto mosaico de vivências pessoais e coletivas ao longo desses últimos 40 e poucos anos nos quais em parte, testemunho seu vertiginoso crescimento e transmutar de formas e sentidos.
Neste momento escrevo de João Pessoa-PB, cidade onde moro e trabalho. Cidade bem menor que Fortaleza em população, porém ainda com certo charme bucólico de progresso com notas e ritmos mais humanizados, meio ambiente mais vigoroso e preservado e uma gente mais tranqüila no ir e vir, que aparentemente ainda não se importa em andar de carro com os vidros abaixados, diferente de Fortaleza.
Esta pequena digressão sobre outra localidade não é sem motivo. Não há como desvincular o olhar, do trabalho da memória e do esquecimento. Olhar é uma atitude, um posicionamento. Não acredito haver um olhar neutro sobre nada. É seleção afetiva. Nesse enlace entre memória e olhar percebo Fortaleza como aquela parte de mim que carrego sempre, me atravessa e se faz lente través da qual leio mundo.
Neste exercício de lembrar para escrever, estabeleço como qualquer visitante que chega a cidade um roteiro, e roteiros são feitos de tempo e espaço. Percorrer a cidade é um exercício de ver, olhar, perder-se e encontrar-se em tudo que ela é capaz de dizer simultaneamente. E Fortaleza, quinta metrópole brasileira em população guarda algumas imagens e sentidos particularmente intrigantes a quem se demora um pouco a pensar seus signos.
Quando propus elaborar um roteiro pessoal-emotivo para remontar esse mosaico, o fiz por entender que, me inspirando em Ítalo Calvino, uma cidade são sempre muitas e seus diversos nomes falam intimamente, portanto de diferentes maneiras a cada um que a lê.
Como dizia, chegando a cidade é impossível escapar às imagens de seus cartões postais, ou mais atual, das imagens digitais belíssimas que enchem as “áreas de trabalho” dos computadores e os álbuns fotográficos virtuais na internet. É desta forma, que eu, o sempre visitante de minha própria cidade, começo meu roteiro me deparando com os arranha-céus da Beira-Mar. Curiosa e estranha composição de concreto e cimento formando uma muralha para o Atlântico.
Uns os acham lindos, expressão de nosso progresso, outros apontam a ingerência ambiental e a insensibilidade daqueles que permitiram que tal bloqueio dos ventos e do horizonte se desse. Mas para qualquer um de nós fortalezenses que aceite o exercício de estranhar um pouco o superconhecido para exergá-lo de outra forma, pode-se compreender parte do sentido do porquê de suas existências. É preciso ver Fortaleza como aquela criança que durante a maior parte de sua existência foi muito tímida e reservada, pouco tinha pra mostrar as suas congêneres mais velhas e desenvolvidas, daí seu deslumbre com o novo e espetacular.
Se hoje nos espantamos e ou, nos admiramos com as torres que fecham os céus em Meireles, Mucuripe, Aldeota, Papicú, é preciso lembrar que pouco mais de 60 anos atrás, tudo era praticamente dunas, cajueiros, sítios e praias de pescadores ou desertas. Como mudou, e mudou rápido em uma escala de tempo urbana. Mas não foi só isso que mudou Fortaleza sempre ensaiou se abrir para mundo.
Se em sua belle-époque se mostrava com ares parisienses, era porque de fato, Paris estava logo ali, a algumas semanas de vapor pego ao largo do Viaduto Moreira da Rocha (a Ponte Metálica) na Praia de Iracema. Para nosso passeio imagético pela cidade, a sua belle-époque nos legou o Passeio Público, então ponto alto do lazer ostentatório de uma elite oligárquica que crescia com a exportação de algodão na virada do século XIX para o século XX.
Do seu terraço mais alto distintas senhoras de sociedade passeavam de mãos dadas com seus destacados consortes em passos quase rituais, devidamente ornados para o evento social de se apresentar publicamente. O Passeio público carrega consigo esse traço visual marcante da cidade que não deixará de sensibilizar o visitante mais atento e um pouco mais curioso, sua rigorosa estratificação social. Na qual do Passeio o fortalezense de posses mirava os navios ao largo, ansiando o progresso que viria por mar, enquanto nos patamares situados mais abaixo os populares e serviçais talvez só desejassem subir para os níveis mais altos.
Deste quadro do passado só a parte alta e melhor cuidada ficou. Porém distante, quase como uma pintura, vazia no interior de suas cercas. Seria hoje um “não-lugar”? De certo que não. A noite, seu entorno é marcado pela indefectível presença de garotas que se esforçam pra tocar a vida vendendo prazer e companhia fugazes. Disso todos sabem, quase todos os citadinos rejeitam e fingem esquecer... Os “contra-usos” sempre permitem a emergência daqueles que o discurso da ordem tenta esconder.
O Passeio público foi concebido como uma elaborada aquarela, produto da não tão distante belle-époque, legado de uma geração marcada por noções de civilidade baseadas no higienismo social urbano e que hoje, ironicamente, esta mesma memória convive com as surpreendentes novas usuárias.
Como anunciei antes, a cidade é mudança, sua imagem são formas e conteúdos em transformação, apropriação por seus cidadãos, aceitação-negação, dialética subjetiva e coletiva, enfim uma negociação de sentidos sempre aberta. A imagem urbana não é uma obra fechada, está se fazendo. Porém, como em uma receita gastronômica de um banquete antropofágico de imagens para nosso passante,  reservemos o contexto imagético da estratificação do passeio público, como a cereja-referência de um delicioso sundae: esta diz muito sobre quase tudo que talvez componha a essência do que existe de mais significativo nessa cidade apartada.
   Continuemos o roteiro. Quem passa de Grande Circular apressado para pegar cedo o batente, talvez pouco possa intuir sobre esses e outros conteúdos, o tempo é pouco, em suas mentes pulsa um relógio e a cidade se acelera. O passado é o presente, e o tempo da contemplação é um item raro e mais do que tempo é preciso inspiração. Mas o que pode inspirar a parafernália de outdoors e toda a poluição visual comercial que gerações de gestores se recusam a atacar de forma decisiva?
Como dito por Kandinsky, “ver é estar doente dos olhos”. Contemplar uma cidade e se dedicar às bricolagens de seus quebra cabeças é um exercício exasperante, os olhos adoecem na tensão entre o belo e feio, frente às injustiças, frente ao abandono e indiferença. Adoecem quando não conseguem respostas efetivas para perguntas como: mas quem tem o poder de dizer o que é belo na cidade? Ainda nessa linha, seriam belos nossos arranha-céus? E o nosso céu frequentemente azul sem nuvens, quem repara nele? Quem consegue reparar nele? Talvez apenas os visitantes de outras latitudes, que chegam em cada vez maior quantidade, oxalá, com olhares mais abertos e sensíveis.
Fortaleza parece se esforçar muito em se descolar de uma imagem ligada às belezas naturais e de seu passado. Repito, pois fundamental, não distante passado de vila assentada sobre um areal escaldante açoitada por fortes ventos vindo do mar. Fora dos roteiros comerciais até o ciclo do algodão, de navegação litorânea difícil, literalmente um ermo que assustava e ao mesmo tempo intrigava os cronistas viajantes: _ “Como poderia se viver assim tão longe de tudo? Que povo é esse tão afeito ao sono em redes depois do almoço? É o mormaço, difícil escapar a ele”. Lembrar Fortaleza é sentir calor, com sorte, amainado por uma brisa que escapa ao paliteiro de prédios de sua porção rica e próspera.
Nesta cidade que se acelera, e pouco se atém a olhar pra trás, as imagens do passado estão quase sempre escondidas ou fora dos roteiros visuais e das atenções mais elitizadas dos formadores de opinião, da classe média e de sua burguesia branca fortemente inspirada em novos ares, agora vindos não mais de Paris, mas de Miami ou de São Paulo.
Alguns estudiosos arriscam dizer que parte desse sentimento se dá por não termos vivido um vibrante passado colonial como Olinda, Recife ou a mais próxima João Pessoa. De fato, em termos arquitetônicos, desta época localizamos com mais facilidade a Fortaleza de Nossa Assunção (a 10ª região Militar), e já com um pouco mais de dificuldade, pois bem escondida atrás da Praça General Tiburcio (a Praça dos Leões), a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1730) e o palácio da Luz (final do século XVIII), pouca coisa além...
À luz desta memória urbana relativamente recente parece que Fortaleza se esforça pra esquecer seu humilde passado. Fortaleza é uma cidade sem memória? Com que facilidade colocou-se abaixo quase todo o casario do final do final do século XIX e das primeiras décadas do século passado! A “destruição criativa” se acelera, as imagens do novo se sobrepõem sempre mais rapidamente, dificultando a elaboração de sínteses pelo observador. Além de tudo, já são as casas de classe média e mansões dos anos 1970 que desaparecem para ceder lugar a novos e “indevassáveis” arranha-céus. _“É a violência!” Todos respondem unânimes para justificar as mudanças, e nosso quadro ganha contornos definidos por muros instransponíveis, cercas eletrificadas, câmeras remotas e sensores de movimento.
Os cartões postais e panfletos turísticos atraem o olhar, as imagens seduzem, já o concreto assusta, o cotidiano anda tenso, conflitivo, “há perigo nas ruas”! A sensação de medo grassa.
Hoje a imagem de Fortaleza se compõe de um jogo de mostrar e esconder. Ela não mostra mais o interior dos condomínios, onde “fechados” ganhou um sentido literal. Das casas remanescentes, pelo menos de quem pode pagar, só se vê os telhados. No espaço público os mais ricos ou os remediados apenas se “encontram” enquanto condutores de veículos, por trás de cada vez mais escuras películas de proteção. A nova leitura de espaço público para os que ditam os rumos desta jovem cidade são shoppings e praias cada vez mais distantes e exclusivas.
Assim os carros de nossa “aldeia-aldeota” exigem cada vez mais duplicações de ruas e avenidas, novos e absurdos viadutos, vias expressas que matam mecanicamente quem não porta a proteção de aço e se interpõem desavisadamente frente às máquinas. Fortaleza impressiona pela sua voracidade por mais asfalto e mais soluções de trânsito para os carros, mas o fato de desumanização de seu trafego não parece ser importante para o motorista no panorama confuso e lento dos engarrafamentos, o que importa é chegar. Fortaleza é uma meta, um compromisso agendado, uma venda, um cliente, a faculdade, enfim, tudo está à venda. É um grande negócio imobiliário, disputa mercado contra outras cidades, e a luta é encarniçada, e o filão, é a nova demanda nacional e internacional de lazer e entretenimento – o sucesso de sua imagem refletida nas vitrines do image-making.
Fortaleza mal teve tempo pra deixar de ser apenas a capital de um estado eminentemente agrário e marcado pelas secas para se tornar industrial com os incentivos oriundos da criação da SUDENE (1958), BNB (1952). Este processo se deu pelos idos dos anos 1960 e 1970 com a consolidação de seu distrito industrial em Maracanaú na região metropolitana, concomitantemente à construção dos grandes conjuntos habitacionais como o Conjunto Ceará e o Prefeito José Walter, entre outros.
Nestes conjuntos habitacionais, convenientemente afastados do centro, sujeitos ao urbanismo elitista da época, via-se os mais pobres longe do centro da cidade e de seus lugares de trabalho para os quais tiveram que se acostumar às intermináveis horas de apertos em escassos coletivos.
Este período, “industrial”, melhor qualificado pelas aspas, pois muito mais pela pretensão de alcançá-lo do que pelo fato ocorrido, além do imaginário de apartação entre a “cidade dos ricos” e a “cidade dos pobres” gerou também toda uma arquitetura pública momumetal que encheu os olhos mais deslumbrados dos anos 1960, 1970 e início dos 1980.
Desta forma, se revela em nosso roteiro imagético os símbolos de uma burocracia estatal e tecnocrática, mas que representava a este tempo a nova versão do progresso. Imagens ícones de outra época de deslumbre com as novidades têm-se o Palácio da Abolição, o prédio da Receita Federal, a sede INCRA, o DNOCS, a EMBRATEL, SERPRO, a rodoviária Engenheiro João Tomé, a sede da extinta TV Ceará Canal 2 e sua antena, qual “uma pequena torre Eiffel”.
E como o setor de serviços e comércio se consolidava na aldeota, surgia em meados da década de 1970 o seu primeiro shopping center, o incrivelmente grande para os olhares ainda um tanto provincianos e desacostumados com as novas escalas, o Center Um, o do elefantinho... Não havia dúvidas, pra onde quer que se virasse Fortaleza se modernizava, alavancada talvez menos pelo investimento industrial e mais pelo capital imobiliário e por um funcionalismo público em expansão via “milagre econômico”.
A cidade “que se vê” e que “se quer mostrar” expande-se cada vez mais ao sul, novos e grande bairros de classe média surgem de antigas fazendas e vazios. Cidade dos Funcionários, Papicu, Cidade 2000, Água Fria (atual Edson Queiroz) a reboque da primeira universidade privada da cidade – que também era ponto turístico junto com o Centro de Convenções. A Praia do Futuro e suas imensas dunas intocadas se mostrava como a grande aposta imobiliária. Tornar-se-ia algo como uma nova Barra da Tijuca?
O presente mostrou que não, pelo menos o futuro foi adiado, ninguém contava à época com a “segunda maior maresia do mundo” e tudo ficou na promessa. Pessoalmente, e por ter morado lá por mais de quinze anos em uma época de cajueiros e pés de murici abundantes, me dói o desaparecimento das dunas, seja pela construção de ricas mansões, ou pelo reverso da moeda, pelas precárias favelas.
As periferias incharam e novas e antigas favelas passaram a abrigar cada vez mais migrantes em busca da sorte.
Fortaleza enquanto coletividade não se ateve à noção de sustentabilidade social e ambiental, pouco se preserva. Hoje quase não é mais possível ver o mar das Av Dioguinho e Zezé Diogo na Praia do Futuro, impedido pelas cada vez maiores estruturas das barracas que na prática privatizam o espaço público e se sustentam sobre o discurso da demanda turística e da oferta de empregos.
O Parque do Cocó também sofre com avanços sucessivos sobre sua antiga área. Em breve as melhores e últimas imagens naturais que a cidade tem só serão vistas depois do 20º andar das torres residenciais e comerciais mais caras.
A cidade pagou um preço por seu crescimento desmesurado e em tempo tão exíguo. Nossa imagem urbana é inseparável da imagem de favelas, só muito recentemente novas políticas começam a reparar aspectos da séria injustiça fundiária e do déficit de moradia populares destas décadas em que apenas muito poucos tiveram acesso às benesses da riqueza. O novo e polêmico Plano Diretor parece um fato indiscutível, o progresso tem que ser pra todos ou não será pra ninguém, nossa nova imagem deverá ser de uma cidade de mais tolerância e generosidade.
Vivemos um tempo de novas e marcantes imagens representativas da urbanidade na terra de Iracema. O industrialismo como ideologia produtiva e urbana ficou para trás. Fortaleza se reconheceu em uma tradição de cidade de serviços e comércio. A beleza de seu litoral, o sol e sua acolhida são suas principais moedas de troca. Se poucas belezas naturais ainda há por aqui, estas são as praias. As de Meireles freqüentemente impróprias para banho. Já a leste do Mucuripe, se próprias para o banho, estão semi-privatizadas, reservadas para os freqüentadores mais abastados. O visitante e o fortalezense precisam ir mais longe para encontrar lugares mais exclusivos, tendo praias como Cumbuco, Porto das Dunas, Praia das Fontes, Jericoacoara e Canoa Quebrada capitaneado esse processo.
A cena da praia lotada por populares em animados rituais de curtição do sol no fim de semana, com o jogo de bola e a merenda ou almoço trazidos de casa não constam de nosso portfólio. Parece que o povo ainda não tem lugar na foto, assim como nas antigas imagens que temos acesso pelos arquivos de Nirez e Marciano Lopes, nas quais muitas vezes as ruas bem urbanizadas eram documentadas vazias ou semi vazias, como se existissem por si e para si, como obra acabada e com sentido puramente estético.
A superação do legado industrial com tons politicos do coronelismo, viu surgir novos discursos de modernidade, os jovens empresários do CIC, O fenômeno Maria Luiza, o Governo das Mudanças, a era Juraci, a virada de Luizianne Lins. Neste meio-tempo, dos anos 1990 pra cá se somou à nossa imagem-memória, a “requalificação urbana” de Fortaleza na área da Praia de Iracema. Viu-se a revitalização desta praia, sua efervescência como roteiro de diversão e sua decadência e esquecimento (de novo).
A reforma da Ponte dos Ingleses, o anúncio de um arrojado discurso de desenvolvimento econômico baseado na instalação de uma indústria cultural local e ato contínuo, Fortaleza ganhou seu ícone atual, o sob muitos aspectos bem-sucedido Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A cidade está aprendendo a desfrutar conjuntamente os espaços públicos independente das classes sociais? Há um avanço em nossas relações sociais?
É preciso lembrar que talvez esteja se encaminhando para os capítulos finais a arrastada novela do Centro Multifuncional de Eventos e Feiras do Ceará (CDMAC), que alguém já quis construir em 20 hectares dentro mar, transferindo para isso uma comunidade inteira, o Poço da Draga. Parece que prevaleceu o bom senso e ele será mesmo em terra firme. À imagem real também se somam em nosso imaginário político e midiático as virtuais, como se realidades fossem, foi assim com o CDMAC, o Símbolo-Ícone e o Museu do Homem do Mar e nos últimos meses o Aquário da Praia de Iracema, tudo junto, ou dentro do mar.
Quando as elites fortalezenses “descobriram a praia” esta nunca mais saiu da nossa auto-imagem, nos modernizamos em grande medida pelas referências que o mar nos trazia e promessas e oportunidades vindas de alhures. Mas a imagem de uma cidade é sempre superior e surpreende quem francamente busca interpretá-la. As surpresas podem ser infinitas, desde que o viajante assim se permita. É desta forma que estamos aprendendo a nos ver na TV sudestina não apenas como referências da pobreza e do tradicionalismo, mas também pelos canais da cultura global, quando jovens do Conjunto Ceará se mostram vanguarda da onda cosplay por aqui. Aprendendo japonês uns com os outros e se comunicando e jogando via net em tempo real com outros garotos da terra lá na terra do Sol Nascente. Ou quando um grupo musical como o “Montage” vira referência na cena musical independente, dentro e fora do Brasil. Ambos os momentos trazem novas formas de vestir, de se mostrar, novas cores, maneiras de ler e viver a cidade. Reinvenções imprevisíveis de uma cidade que busca no futuro sua própria definição. Como já dizia o compositor Ednardo, em Beira-Mar:

Viva o som, velocidade
Forte praia, minha cidade
Só o meu grito nega aos quatro ventos
A verdade que eu não quero ver
                     

LET´S ROCK? BÁRBARA!

Ontem não estive na festa do Cine Betão em Fortaleza por motivos óbvios, não fui pra Fortaleza. Mas era sexta feira e teve Coletivo Mundo em João Pessoa. Dancei e me amarrei no som pesado das meninas do Bárbara. Rock N'Roll é por aí, autoral então... melhor ainda! Curtam:







http://www.myspace.com/bandabarbara

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Outros Tempos e Espaços de João Pessoa: "Bate com o pé xaxado"

Rio Sanhauá, visto do Hotel Globo, Varadouro (foto: Vancarder)

Toda cidade tem suas músicas e lugares, para os quais, certas músicas narram mais do que umas tantas histórias. Não entendo bem até hoje como vim parar aqui, mas consigo ter com clareza a riqueza infinita de cada pessoa, fala, momento, gesto, cheiro que forma o sentimento de estar onde estou e poder ver o mundo como vejo: minhas alegrias, tristezas, saudades, esperanças, medos. Dos sons que me ensinaram a gostar e dos gostos que não quero mais largar. Todas associadas a experiência de um lugar, João Pessoa. Mesmo não conseguindo entender muito das razões do mundo, se é que há alguma, basta um lugar e um acorde pra ligar instantaneamente mil mundos possíveis, onde tudo possa acontecer, num relance do horizonte visto do Hotel Globo.
Bate com o Pé Xaxado, de Vital Farias é uma dessas músicas...



"eu presto muita atenção no que o meu irmão ouve"

ESQUERDA X DIREITA: ou, você sabe exatamente no que e porque está votando?


Domingo é um dia estratégico para o futuro deste país. Pra quem acha que o importante na política são apenas os nomes e as personalidades (mais ou menos carismáticos ou eloquentes), uma dica, saiba de onde vem e o que significa a posição de cada candidato, sua rede de apoio e histórico do campo que atua.
Em outras palavras, entenda que direita X esquerda não é um simples jogo de cadeiras de representantes majoritários e parlamentares.
Ou alguém que preza, por exemplo, as idéias de Sustentabilidade Sócio-Ambiental, acha razoável pensar a senadora da bancada ruralista, Katia Abreu do DEM, como ministra do Meio Ambiente?


Pense mais a respeito. Ou você é do tipo que acredita no que a Globo e Veja mostram?!...


Pra ajudar na reflexão, o cientista político Emir Sader:

fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=446

Há ainda direita e esquerda?

Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.

Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.

Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.

Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.

Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.

Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.

Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.

Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.

Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.

Direita. O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.

Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.

Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.

Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.

Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.

Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.

Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.

Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.

Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.

Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.

Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.

Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.

Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.

Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.

Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.

Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.

Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.

Vovô, numa palavra: PAIXÃO!

Melhor forma de começar uma sexta feira:


No Castelão não tem pra ninguém! "O Castelão é o segundo Maracanã", a casa do Vovô.
Valeu Eug!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Poesia 3


Uma foto, uma música, um poema. Beth Gibbons nos conduz aonde, definitivamente, só vamos por absoluta incapacidade de resistir. Nesse ermo do sentimento tudo explode, como uma supernova. Se permita ouvir devagarinho, no escuro.
Gibbons é antes de tudo uma experiência solitária, incomunicável, intrasferível, universal e única. Quem já esteve lá sabe do que falo. A propósito, há quem diga que na verdade se trate de uma implosão, e o resultado seria um buraco negro.



O Dito e o Não Dito

Coisas não ditas que esperei ardorosamente não ouvir
Meias palavras em silêncio de uma conversa a um
Discursos subliminares proferidos pra dentro
Saliva seca na garganta
Havia muito ainda a ser dito
Nos dois segundos seguintes
Em que você não estava mais lá
  
Van

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

LADYTRON: ou robôs que fazem músicas de delicados sonhos sombrios.



Conheci Ladytron a relativamente pouco tempo. Na verdade, no segundo semestre de 2007, ou seja, bem ali, e perdi muito tempo pois seu primeiro disco é de 2001. O som deles imediatamente lembra uma base rítmico-melódica do Kraftwerk, com um tanto da mesma atmosfera distópica e, de certa forma, melancólica. Considero que suas músicas trazem um recorte sonoro envolvente por movimentar grandes associações entre nosso tempo, sensibilidades, perspectivas e frustrações. Tudo somado a uma coisa bem simples, música boa pra ouvir, idéias pra pensar e batidas pra dançar.


"Computadores fazem arte" e nos fazem sonhar com carneiros mecânicos em dias de aço e bytes... Se deixe embalar pelas guitarras, sintetizadores e sequenciadores dessas máquinas de fazer sonhar.









Agradecimento a Dani pela dica sobre o tema.

Uma foto

Pra começar a quarta feira: Barra de Gramame, litoral sul da Paraíba.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

As elites brasileiras questionam: nordestino sabe votar? Uma resposta.

Reflexão interessante sobre a racionalidade do voto nordestino além da estreiteza sudestina de pensar tudo que não é Sul sob a ótica da mecânica manipulatória dos currais eleitorais. Além disso, o texto ajuda a manter o debate sobre a sucessão presidencial nos limites saudáveis da objetividade programática, um outro modelo de desenvolvimento é possível, e isso assusta.

FONTE: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17065

 O voto do Nordeste: para além do preconceito
O Nordeste liderou o crescimento do emprego formal no país com 5,9% de crescimento ao ano entre 2003 e 2009, taxa superior a de 5,4% registrada para o Brasil como um todo, e aos 5,2% do Sudeste, segundo dados da RAIS. Daí a ampla aprovação do Governo Lula em todos os Estados e nas diversas camadas da sociedade nordestina se refletir na acolhida a Dilma. Não é o voto da submissão - como antes - da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto- confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas. É o voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, "Bolsa Família"), mas uma região plena de potencialidades. O artigo é de Tânia Bacelar de Araújo.
A ampla vantagem da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno no Nordeste reacende o preconceito de parte de nossas elites e da grande mídia face às camadas mais pobres da sociedade brasileira e em especial face ao voto dos nordestinos. Como se a população mais pobre não fosse capaz de compreender a vida política e nela atuar em favor de seus interesses e em defesa de seus direitos. Não "soubesse" votar.

Desta vez, a correlação com os programas de proteção social, em especial o "Bolsa Família" serviu de lastro para essas análises parciais e eivadas de preconceito. E como a maior parte da população pobre do país está no Nordeste, no Norte e nas periferias das grandes cidades (vale lembrar que o Sudeste abriga 25% das famílias atendidas pelo "Bolsa Família"), os "grotões"- como nos tratam tais analistas ? teriam avermelhado. Mas os beneficiários destes Programas no Nordeste não são suficientemente numerosos para responder pelos percentuais elevados obtidos por Dilma no primeiro turno : mais de 2/3 dos votos no MA, PI e CE, mais de 50% nos demais estados, e cerca de 60% no total ( contra 20% dados a Serra).

A visão simplista e preconceituosa não consegue dar conta do que se passou nesta região nos anos recentes e que explica a tendência do voto para Governadores, parlamentares e candidatos a Presidente no Nordeste.

A marca importante do Governo Lula foi a retomada gradual de políticas nacionais, valendo destacar que elas foram um dos principais focos do desmonte do Estado nos anos 90. Muitas tiveram como norte o combate às desigualdades sociais e regionais do Brasil. E isso é bom para o Nordeste.

Por outro lado, ao invés da opção estratégica pela "inserção competitiva" do Brasil na globalização - que concentra investimentos nas regiões já mais estruturadas e dinâmicas e que marcou os dois governos do PSDB -, os Governos de Lula optaram pela integração nacional ao fundar a estratégia de crescimento na produção e consumo de massa, o que favoreceu enormemente o Nordeste. Na inserção competitiva, o Nordeste era visto apenas por alguns "clusters" (turismo, fruticultura irrigada, agronegócio graneleiro...) enquanto nos anos recentes a maioria dos seus segmentos produtivos se dinamizaram, fazendo a região ser revisitada pelos empreendedores nacionais e internacionais.

Por seu turno, a estratégia de atacar pelo lado da demanda, com políticas sociais, política de reajuste real elevado do salário mínimo e a de ampliação significativa do crédito, teve impacto muito positivo no Nordeste. A região liderou - junto com o Norte - as vendas no comercio varejista do país entre 2003 e 2009. E o dinamismo do consumo atraiu investimentos para a região. Redes de supermercados, grandes magazines, indústrias alimentares e de bebidas, entre outros, expandiram sua presença no Nordeste ao mesmo tempo em que as pequenas e medias empresas locais ampliavam sua produção.

Além disso, mudanças nas políticas da Petrobras influíram muito na dinâmica econômica regional como a decisão de investir em novas refinarias (uma em construção e mais duas previstas) e em patrocinar - via suas compras - a retomada da indústria naval brasileira, o que levou o Nordeste a captar vários estaleiros.

Igualmente importante foi a política de ampliação dos investimentos em infra-estrutura - foco principal do PAC - que beneficiou o Nordeste com recursos que somados tem peso no total dos investimentos previstos superior a participação do Nordeste na economia nacional. No seu rastro,a construção civil "bombou" na região.

A política de ampliação das Universidades Federais e de expansão da rede de ensino profissional também atingiu favoravelmente o Nordeste, em especial cidades médias de seu interior. Merece destaque ainda a ampliação dos investimentos em C&T que trouxe para Universidades do Nordeste a liderança de Institutos Nacionais ? antes fortemente concentrados no Sudeste - dentre os quais se destaca o Instituto de Fármacos (na UFPE) e o Instituto de Neurociências instalado na região metropolitana de Natal sob a liderança do cientista brasileiro Miguel Nicolelis que organizará uma verdadeira ?cidade da ciência? num dos municípios mais pobres do RN (Macaíba).

Igualmente importante foi quebrar o mito de que a agricultura familiar era inviável. O PRONAF mais que sextuplicou seus investimentos entre 2002 e 2010 e outros programas e instrumentos de política foram criados ( seguro ? safra , Programa de Compra de Alimentos, estimulo a compras locais pela Merenda Escolar, entre outros) e o recente Censo Agropecuário mostrou que a agropecuária de base familiar gera 3 em cada 4 empregos rurais do país e responde por quase 40% do valor da produção agrícola nacional. E o Nordeste se beneficiou muito desta política, pois abriga 43% da população economicamente ativa do setor agrícola brasileiro.

Resultado: o Nordeste liderou o crescimento do emprego formal no país com 5,9% de crescimento ao ano entre 2003 e 2009, taxa superior a de 5,4% registrada para o Brasil como um todo, e aos 5,2% do Sudeste, segundo dados da RAIS.

Daí a ampla aprovação do Governo Lula em todos os Estados e nas diversas camadas da sociedade nordestina se refletir na acolhida a Dilma. Não é o voto da submissão - como antes - da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto- confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas e da esperança na consolidação de avanços alcançados - alguns ainda incipientes e outros insuficientes. É o voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, "Bolsa Família"), mas uma região plena de potencialidades.

(*) Tânia Bacelar de Araujo é especialista em desenvolvimento regional, economista, socióloga e professora do Departamento de Economia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

SEM FAZER NADA? ACERTE A BOLINHA NO SERRA



Um pouco de política pra relaxar:

Bem, que o episódio da bolinha de papel do Serra deu toque especial à campanha presidencial na semana passada ninguém discorda. Mas foi tudo tão rápido... reviva as fortes emoções desse momento de forma lúdica e interativa:

http://www.gordonerd.com/jogo-acerte-a-bolinha-de-papel-no-serra

domingo, 24 de outubro de 2010

Poesia 2

Encontrei a pouco, gostei.



NA ESTRADA

Escute o som dessa paz que vem como um trovão
O cheiro de pó da chuva que secou seus sonhos
O bilhete é apenas de ida
E na chegada já sabemos o que nos espera
E o bilhete é apenas de ida
O silêncio dessa estrada perfurou meus ouvidos
Levou-me pra além daquelas montanhas
E fui ver o mar
Você estava por lá
Pensei ser o final
Mas você me disse que nada havia acabado
E que a estrada ia além
Você me disse quase sem convicção
Você me disse dessa paz que não chegará
E me embalou em seus braços

Vancarder

DeVotchka - How It Ends - PEQUENA MISS SUNSHINE

Pequena Miss Sunshine é um filme encantador. Difícil não se render ao carisma improvável da família tão sem noção quanto unida. Centrada pelo menos na honestidade da vivência coletiva de suas dores e angústias, afetos e fraquezas, coragem e dúvidas. O importante é a viagem, as coisas podem se recusar a serem como queremos, como no caso do irmão que se descobre daltônico e impedido da meta/sonho de vida, ser piloto de caça. Mas elas podem dar certo de alguma forma, quando a ordem se desfaz, as regras são burladas e o inusitado se apresenta como a catarse que vai redimir a todos em torno da simplicidade do possível... acreditar na beleza, e em como tudo isso termina... se é que termina... Kronos é um Deus irônico. Acredito que ele está representado na Kombi amarela.

Poesia


Uma pausa com tudo numa tarde de domingo, "para ver se acontece alguma coisa nessa parte do caminho"...

TULIPA RUIZ



sábado, 23 de outubro de 2010

EDDIE, LUA CHEIA: "PODE ME CHAMAR QUE EU VOU"


Na verdade uma noite mais que singular, quase impossível em João Pessoa, na mesma noite em lugares diferentes, Mombojó e Eddie! De quebra, ainda com primeiro dia de lua cheia.
Alguém viu?
Mombojó poderia ter parado a carreira no primeiro disco e fazer os shows repetindo as faixas Cabidela e A Missa. Mas não deixa de ser legalzinho (como estou amargo).
Quanto a Eddie, bem, ai tivemos um show inteiro, de gente grande, puro "desequilíbrio" a "Olinda style"...





sexta-feira, 22 de outubro de 2010

GREEN ONIONS (Booker T & The Mgs) - A SINGLE MAN

E porque hoje é sexta feira, nada melhor do que Julianne Moore (com toda sua ruiveza) dançando aqui no blog


Ah, quase esqueço, na cena aparece o Colin Firth também, detalhe.

Uma micro arqueologia da música eletrônica: ou como o futuro envelheceu.



É surpreendente perceber a aceleração da percepção na era da comunicação instantânea. Como tudo, inclusive a noção de antigo se dobra à aceleração do tempo e dos lugares de uma forma surpreendente. A sucessão desenfreada de mídias, do vinil e cassete passando pelo já antigos CDs DVDs até o recentíssimo Blue-Ray (sob a tutela da já madura internet) torna as coisas em antigas de forma avassaladora. Houve um tempo, hoje aparentemente muito distante, que pensar se sobreviríamos como espécie para alcançar as estrelas ou mesmo resistir à guerra nuclear, eram questões para um tipo de musica hoje absolutamente "velha". Não quero dizer que a sonoridade, acordes e temas precisem ficar atuais para sempre, nem tão pouco comparar momentos passados e presentes num recorte maniqueísta, mas só ressaltar esse ponto, como trinta anos na era digital podem parecer um eternidade quando tomados os produtos midiáticos. O futuro envelheceu e caducou de forma irresistível. O tempo tem que passar! Aliás o espaço-tempo contínuo (se é que você me entende).

Algumas velharias espaciais/nucleares:

VANGELIS


Blade Runner - End Titles (1982)




Espiral (1977)




ISAO TOMITA


Planets - Holst (1976)




MIKE OLDFIELD


Tubular Bells - Part One - 1973 (lembram do Exorcista?...)





JEAN MICHEL JARRE


Equinoxe 5 (1979)




KAFTWERK


Metropolis - 1978 (reparem a sincronia do clip com as cenas do filme homônimo de Fritz Lang)




Radioactivity (1975)







quarta-feira, 20 de outubro de 2010

THE ECSTASY OF GOLD - THE GOOD, THE BAD, AND THE UGLY



Para encerrar o dia, um pouco da poesia músico-visual da dupla Sergio Leone/Ennio Morricone em The Good, The Bad, and The Ugly (1966). Os planos abertos de Leone e sua riqueza visual geram uma atmosfera de detalhes quase barroca, somada à melodia de Morricone, The Ecstasy of Gold vai além da promessa do título da trilha, e quase somos nós a cair de vertigem (e de tanto rodopiar) frente a sua beleza.

E agora para onde ir? Nesse momento é o espectador/ouvinte que, entorpecido, também não sabe...





ps: sorte, muita sorte de quem viu isso no cinema...

Broken Flowers, Bill Murray, Malatu Astatke e... Whitefield Brothers: ou como um filme puxa uma música, uma música um filme... sei lá!


Pois é, um filme puxa outro que puxa uma música que puxa outra. A cadeia é sem fim! O filme do cartaz acima, BROKEN FLOWERS é um dos meus prediletos por trazer três coisas que prezo muito em filmes, além de ser bom, claro: boa música, anti-heróis (ou, gente como a gente), zero de final feliz (ou finais como os da gente) e... Bill Murray, um dos meus anti-heróis favoritos.
Quem não o assistiu ainda, e se liga de alguma forma aos três itens acima. É redundante dizer, corra!




Nos primeiros segundo do trailer, somos surpreendidos por um jazz com tons orientais que parece nos fazer dançar sobre um tapete voador em uma savana africana, a música chama-se YEKERMO SEW. A mesma é de um etíope chamado Malatu Astatke.



















Você pode conferir mais Astatke aqui: 



Em seguida o trailer do filme de Jim Jarmusch nos apresenta outra maravilha desta trilha sonora, There Is An End, do Greenhorns na voz de Holly Colightly (moça de voz apaixonante e nome complicado):



Se não cortou os pulsos com There Is An End (como já pensei algumas vezes hehehe), vamos em frente!  E como uma coisa coisa puxa outra, a partir dos hiperlinks infindáveis da internet se chega a um grupo que se inspirou em Astatke e nos políssêmicos ritmos africanos , Whitefield Brothers.


Tente ficar indiferente se for capaz: 


Para saber mais sobre os alemães do Whitefiled Brothers, um início: http://www.parisdjs.com/index.php/post/The-Whitefield-Brothers-Earthology


BOA VIAGEM!



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Télépopmusik

E ainda por falar em música francesa...
Se estamos mais acostumados a ouvir (e gostar) de grupos franceses contemporâneos com o Air e Daft Punk, o menos badalado Télépopmusik certamente não fica atrás. Seus três integrantes, Fabrice Dumont, Stephan Haeri e Christophe Hetier, conduzem pop e eletrônico em uma fusão harmônica e envolvente, quase onírica. 
E nos sonhos que nos acena a voz de Angela McCluskey em Breathe, sigo...


E PORQUE HOJE É SEGUNDA FEIRA: Kind Of Latyn Rhythm!!!

THE JUJU ORCHESTRA - BOSSA NOVA IS NOT A CRIME

















Georges Garvarentz, a música do filme - vai dançar rapaz!


Vocês conhecem Georges Garvarentz? Eu não conhecia, pelo menos até duas semanas atrás. Sempre fui fascinado pela  música de filmes e séries dos sessenta início dos setenta. Agora mais ainda! E há uma série francesa de trilhas e compositores de arrepiar, o próprio Garvarentz que citei acima, Jean-Pierre Mirouz, Philippe Sarde, Michel Magne & Jean Yanne, ufa! Entre outros! É pra ouvir, delicia-se e dançar sem medos! E quanta coisa parece ter saido de lá e chegado via releituras e citações até os dias de hoje, mas no todo, pelo menos pra gente, leigos do grande público, origens perdidas ou obscuras. Mais menos assim, onde foi que já ouvi isso ou aquilo?... Isso quando se escuta algo do... Air, por exemplo!

Ouçam, balancem e me contem depois como foi rsrs

AIR


"La Femme D'Argent" http://www.youtube.com/watch?v=VH5bL_XbO64&feature=related e

"Love" http://www.youtube.com/watch?v=_eH-HCF3cl0

Em seguida:

De Georges Garvarentz:  http://www.youtube.com/watch?v=DBFhJ3sugyw&a=GxdCwVVULXcXrTQ0IkzT5xs8Y32jFuon&list=ML&feature=BF



Michel Magne & Jean Yanne: http://www.youtube.com/watch?v=USX0fZbO-ps






Karl Heinz Schäfer:





domingo, 17 de outubro de 2010

Segundo turno: aborto e a onda neocon

Uns se mostram mais tensos, outros dão risadas (merecidas), já alguns, indiferentes. Eu tou em pânico com a truculência e virulência da onda neocon!
Um amigo acabou de me encaminhar e repasso pra vocês:


Para Marilena Chauí, segundo turno não pode se tornar ‘plebiscito sobre aborto’
Rede Brasil Atual
13 de outubro de 2010 às 16:31h

Por Guilherme Amorim*

A filósofa Marilena Chauí fez palestra na última sexta-feira (8), ao lado de intelectuais e membros do corpo docente da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FDUSP), em um ato organizado para defender a candidatura da governista para a Presidência da República. Ela afirmou que o monopólio da imprensa no Brasil transforma a mídia em um agente antidemocrático e que a disputa não pode se tornar em um plebiscito sobre o aborto, baseado em boatos.
A maioria dos participantes usou seu espaço de discurso para, além de diferenciar os projetos de governo dos candidatos, fazer críticas ao comportamento da imprensa.
Marilena Chauí defendeu que lideranças de esquerda e do PT deixem de atender jornalistas da imprensa convencional, em uma espécie de boicote a pedidos de entrevista. “Para defender a liberdade de expressão é preciso não falar com a mídia”, propõe Marilena Chauí. Ela acredita que a mídia dá espaço para figuras do partido e de movimentos sociais apenas para “parecer plural”, mas promovendo um “controle de opinião” sobre o que é publicado.
A professora aludiu ao caso da dispensa da colunista Maria Rita Kehl pelo jornal O Estado de S. Paulo. “A democracia não é simplesmente um regime da lei e da ordem”, explicou, defendendo que é necessário haver diversidade de opinião na mídia. A professora esclareceu que não se pode permitir que três ou quatro famílias mantenedoras dos meios de comunicação pautem a agenda política do Brasil.
“Temos que impedir que o segundo turno das eleições se torne um plebiscito nacional sobre o aborto”, definiu. Para ela, a cada semana é definida uma nova temática para o debate político – se referindo às discussões eleitorais levantadas recentemente, como a da liberdade de imprensa e a da religião.
O ato abordou questões referentes ao segundo turno das eleições. Sobre a definição do apoio do PV a José Serra (PSDB) ou Dilma Rousseff (PT), o professor de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito Otávio Pinto e Silva ironizou. “Serra não precisa do PV, ele já tem o ‘PVeja’”, disse, em alusão à revista semanal da Editora Abril. Recentemente, Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, assumiu a posição para a imprensa como partido de oposição no país. Para o professor, a mídia jogou a favor do candidato tucano nesta campanha.
A necessidade de garantir espaço para a diversidade de opiniões foi defendido também pelo deputado federal reeleito pelo PT de São Paulo Paulo Teixeira: “Defendemos uma democracia com liberdade de imprensa e liberdade de opinião; nós queremos diversidade de opinião na imprensa brasileira”. Para o ele, o governo nunca quis censurar a imprensa. “Isso nunca esteve no nosso horizonte”, afirmou.

*Matéria originalmente publicada na Rede Brasil Atual


PS: Não consegui pensar em nenhuma faixa pra acompanhar. Sorry!