sábado, 30 de abril de 2011

Casamento Real: SACO!


De saco cheio com o tal "casamento real" (asco!)
Gostei da síntese de Luís Carlos Azenha no Vi o Mundo (aqui) sobre essa coisa toda de imaginário de princesa e derivados.
Dois dias de TV desligada pela onipresença desse lixo cultural nos telejornais (de TODOS os canais, abertos ou fechados).
Quero minha TV de volta!


O casamento e o suspiro

Dá para ouvir o suspiro de alívio universal quando uma mulher assume o papel que muitos imaginam seja o “verdadeiro” papel de mulher: princesa.
Plebeia que ascende não por méritos próprios, mas pelo casamento.
É de passar mal.

Let's Rock? The Rifles - The Science is Violence


Outro bom nome pro Festival Planeta Terra 2011. Façam suas apostas!



of Montreal - The Past is A Grotesque Animal



Legal para um dia de chuva. E como chove nessa terra!
"...Do I have to scream in your face?
I've been dodging lamps and vegetables
Throw it all in my face, I don't care
Let's just have some fun, let's tear this shit apart
Let's tear the fucking house apart
Let's tear our fucking bodies apart
But let's just have some fun
Somehow you've red-rovered the gestapo circling my heart
And nothing can defeat you
No death, no ugly world..."



E DE BRINDE:

terça-feira, 26 de abril de 2011

Oração ao Tempo - Caetano Veloso

Marc Chagall - Time is a River Without Banks (1930)

Sobre O Tempo (Praça Tiradentes - Curitiba-PR - Abril/11)





Inflexões visuais de outono sobre (e sob) o Tempo. 
Praça Tiradentes, feriado, frio, Curitiba-PR

Curtam!

Todas as fotos: Van












segunda-feira, 18 de abril de 2011

The Strokes no Planeta Terra 2011



THE STROKES CONFIRMADO PARA O FESTIVAL PLANETA TERRA 2011.


Mais duas atrações já estão agendadas, os britânicos do Vaccines e o americano Toro Y Moi.
Agendas à mão, o festival será no dia 05/novembro.

domingo, 17 de abril de 2011

5000 acessos! Internet é mesmo uma caixa de surpresas.


Na verdade, quase isso. Quando comecei a escrever esse "post" (ou coisa que o valha) o contador estava em 4995. Não entendo como isso aconteceu. O jeito vai ser continuar colocando mais dessas coisas non sense no ar.

LET'S ROCK? The Vaccines / Planeta Terra 2011


O Festival Planeta Terra divulgou semana passada sua primeira grande atração, a banda britânica, The Vaccines.
Pra conferir, seguem dois vídeos. O festival está programado para 05 de novembro, não havendo alteração do lugar, a se realizar no Playcenter em São Paulo.

Que venham os Strokes também!



sábado, 16 de abril de 2011

Das Vantagens de Ser Bobo - Clarice Lispector

Cow with Sunshade. Chagall, 1946


Sou um bobo, vi esse texto de Clarice Lispector nessa madrugada e tirei todos os resquícios de dúvida que podia ainda ter sobre essa condição.


Uma das desvantagens de um dia na vida, mesmo que de soslaio, ter ousado pensar em escrever é saber que existem Clarices, que parecem já ter escrito tudo e tão bem! No máximo, posso fazer uma colagem de divagações costuradas pelo raso do conteúdo e pela inépcia da forma. Além, tagarelar um montão de coisas óbvias.


Mas voltando ao sentimento (e certeza) de ser bobo, lembrei imediatamente do "Vencedor" dos Los Hermanos. Mas pensei, por que me identificava com aquela música? Lá a letra diz "eu que já não quero mais, ser um vencedor...". A questão é: nunca quis ser um vencedor, por isso não arrisquei mais, não tentei mais, não e não tanta coisa mais... por que? Porque sou um bobo! 
Bobos vivem cem anos e não sofrem do coração, diz Clarice, parece ser verdade. 


Só sofrem com sua condição quando  olham pra si e se percebem, inexoravelmente... bobos, isso ela não não notou.


Ela diz que os bobos, como Chagall colocam vacas no espaço, claro, bobos vivem no espaço, por isso se alimentam da sorte, do que a maré traz à praia. Quando os espertos levam o que ele, como bobo, achava que lhe seria destinado, ele não não entende, pois não consegue ver os espertos como espertos, ao contrário destes que identificam o bobo com o faro, a milhas de distância.


Existem dois tipos de pessoas no mundo, os predadores e os bobos, ou, como diria H.G. Wells, os Morlocks e os Ellois.


Uns terão tudo o que querem a hora que querem, mesmo que vivendo pouco, outros viverão mais, parecerão mais jovens, colocarão vacas no espaço como Chagall (que algum esperto venderá num leilão e ficará ainda mais rico). 


A grande vantagem de ser bobo é sê-lo sem a consciência de si. A sorte e o azar do bobo é fazer todas as coisas por amor e pensar mundos possíveis numa possibilidade muito particular e acreditar no sonho que pode voar sobre as casas, como a vaca de Chagall.


Aos que se sabem bobos, pensemos nas vantagens, sempre.




DAS VANTAGENS DE SER BOBO




                                                                                                Clarice Lispector




O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." 

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. 

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. 

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. 

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?" 

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! 

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. 

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. 

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! 

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cidadão Instigado no Projeto "Som das 6"



Post rapidinho pra lembrar que nessa sexta, dia 15/04 tem show dos meus conterrâneos do Cidadão Instigado no Ponto dos Cem Réis em João Pessoa.
Experimentação, psicodelía, brega, rock' roll, cearensidade e viagem a vontade...
Já postei algo sobre o Cidadão antes (aqui), vamos lá, todos à praça ouvir os sons do último disco deles "Uhuu" (2009) e outras coisas mais, como Urubus, Minha Imagem, O Tempo e O Pobre dos Dentes de Ouro.
Bom demais isso tudo, um gostinho de José Avelino, Anfiteatro do Dragão e Praia de Iracema soltos pelo tempo!

Curtam!







quarta-feira, 13 de abril de 2011

50 anos do homem no espaço: "A Terra é Azul!"

gagarin

O blog não podia passar batido nas comemorações dos 50 anos da conquista do espaço pelo cosmonauta russo Yuri Gagarin. Herói soviético, ídolo da humanidade. Com ele descobrimos, mesmo no auge da Guerra Fria, que existia um fio de esperança no ar, sensibilidade, humanidade. Lá do alto, se podia ver, Gagarin disse: "a Terra era azul!"... Naquele contexto, não era pouca coisa...

domingo, 10 de abril de 2011

LET´S ROCK?: THE PHENOMENAL HANDCLAP BAND - The Phenomenal Handclap Band (2009)




Banda nova iorquina que funde psicodelia, rock'n roll, funk, soul music e electro em porções largamente vibrantes, muito dançantes e pra lá de inspiradas.  
Altamente recomendado pra ouvir com volume alto no carro, na pista de dança ou em casa, na rede num dia de chuva.
Não percam o próximo show deles na sua cidade!


Pra ouvir mais: AQUI





Realengo: ou, dos massacres nossos de cada dia... qual a saída?


Recebi o texto logo mais abaixo de uma amiga por e-mail (deve estar circulando por ai no ciberespaço). O texto comenta sobre a tragédia de Realengo. Achei que merecia uma discussão menos romântica. Segue.

Sérgio Buarque sempre esteve certo, nós brasileiros sempre fechamos os olhos para tão quão perversa e cruel pode ser nossa pretensa "cordialidade". Quando trabalho esse conceito (a partir de Raízes do Brasil) com meus alunos (e que não são da sociologia) há sempre uma resistência imensa em se assumir parte de um povo não tão "bonzinho" assim...

Ao contrário do autor do texto anexo, não faria nenhuma associação com "Tiros em Columbine", nem pra dizer que não é por ai... A certa altura acho que as formas sociais estão disseminadas em todo lugar. Existe lugar mais adequado pra concentrar tantos dessabores e tensões do que uma escola? Mas poderia ter sido aleatório: uma feira livre, um shopping... Já houve o caso do cara de classe média (ou rico?) que disparou uma submetralhadora no cinema de um shopping em 1999, ou poderia ter sido num escritório... 

Ainda na contramão do texto em tela, os alemães e finlandeses  que também passaram por chacinas em escolas incorporaram o quê das frustrações do "sonho americano"? O quem tem a ver com o caso brasileiro? Frustrações consumistas?!...

E nossas chacinas praticamente diárias, invisíveis e democraticamente distribuídas pelo território nacional? Indigentes, favelados, sem terra, criminosos, meninos de rua, índios... Sobre nosso próprio "modelo" de massacres ninguém fala?!

E quanto à crítica ao desenvolvimento que o autor faz, é deveras romântico, as coisas andam assim, não há necessariamente uma relação entre chacinas e crescimento econômico, as pessoas estão até mais felizes no Brasil, creio. E os países ricos nos quais não se assinalaram crimes desse tipo?

É um exagero psicanalítico absurdo, meio fora de moda. Adorava isso quando estava na graduação pois resolvia tudo. Era o graal da sociologia!. 

É preciso reconhecer, e esse exercício é duro pra muitos, que afinal no Brasil hoje pra muita gente, a barriga ronca menos. 
Mas se não temos algo pra colocar no lugar do sonho de uma vida melhor com mais conforto pra pessoas, do que nos queixamos?  

Acho que devemos voltar às reflexões. 
Socialismo é uma idéia bonita, sempre foi, mas até que algo comece a fazer diferença em escala global, já teremos tido uma chacina nuclear ou ambiental total. Terá sido culpa do modelo americano?... ou chinês (segunda economia do mundo e credora dos papéis do tesouro norte americano)?

Grande pesar pelas famílias! Mas as análises-receitas de bolo socialistas de um mundo melhor não podem ser aplicadas a tudo indiscriminadamente, é tudo muito mais complexo. O que não quer dizer que esteja defendendo o capitalismo. Se é que você me entende.


Fonte: AQUI


A TRAGÉDIA DE REALENGO E A “AMERICANIZAÇÃO” DA VIOLÊNCIA
Daniel Feldmann 



"Mas todo o drama é que o sonho americano não existe sem a sua contraface de pesadelo: uma sociedade que, a despeito de sua vitalidade e de suas virtudes, tem claros sinais de paranóia e senilidade, frutos dos valores capitalistas..."
Antes de ficar marcado pela horrível tragédia em que Wellington Menezes de Oliveira matou doze crianças e feriu outras doze e depois foi baleado por um policial na Escola Municipal Tasso de Silveira, o bairro do Realengo no Rio havia sido imortalizado na célebre canção de Gilberto Gil “Aquele abraço”:
“O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro fevereiro e março
Alô, alô Realengo, aquele abraço...”

Depois da chacina é inevitável que os versos de Gil soem um tanto datados e contraditórios. Em “Aquele Abraço”, o cantor celebrava a alegria, a simpatia e o caráter amistoso do povo brasileiro, em especial do povo carioca. “Aquele abraço” é uma espécie de hino que exemplifica aquilo que o historiador Sérgio Buarque de Holanda caracterizava como o “homem cordial” brasileiro em seu livro Raízes do Brasil. Nosso “homem cordial” teria valores e atitudes opostas à da cultura anglo-saxônica protestante, marcada pela impessoalidade e distanciamento nas relações humanas. Já o brasileiro, segundo Sérgio Buarque, seria caracterizado pela “lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, que representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro (...)”

Seria um erro supor que o “homem cordial” brasileiro seria sempre alguém pacífico e pacato. Como ressalta o próprio historiador: “Seria engano supor que estas virtudes podem significar `boas maneiras`, civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante.” Ou seja, “cordialidade” implica em “agir com coração”, o que pode significar bondade mas também raiva e ódio.

Todavia, sob nenhuma hipótese, a idéia de “homem cordial” é compatível com o massacre do Realengo, brutalmente frio e totalmente impessoal. É necessário, portanto, uma reflexão adequada. A que ponto chegamos? Como o Realengo de Gil se transformou em 7 de abril de 2011 no Realengo de Wellington?

Numa primeira aproximação, poderíamos dizer que Wellington seria um produto de uma “americanização” da violência. Afinal, é dos EUA que sempre recebemos notícias de assassinos e psicopatas que invadem escolas e metralham indiscriminadamente estudantes, como nos mostra o ótimo documentário “Tiros em Columbine” do diretor Michael Moore.

Tal abordagem não deixa de ter seu apelo. Afinal, se incorporamos as mercadorias e a cultura de massa dos EUA, porque também não incorporaríamos suas neuroses e traumas? Todavia, isso ainda não é suficiente para explicar a tragédia do Realengo. Pois o que precisamos urgentemente entender é porque a sociedade brasileira, ela mesma teve de passar por tal tragédia.

Leon Trotsky enfatizou em sua vasta e rica obra o caráter desigual e combinado do capitalismo. Ao mesmo tempo em que o capitalismo reproduz um padrão técnico universal de acumulação do capital, ele convive com formas mais arcaicas de produção, como temos visto na história de países de passado colonial como o nosso. Poderíamos ainda acrescentar que o desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo no plano dos valores suscita uma universalização de certos padrões (consumismo, competição, individualismo, etc), ao mesmo tempo em que consegue até certo ponto conviver com padrões culturais específicos dos diferentes países (como caso brasileiro, a “cordialidade”).

Pode-se dizer ainda que nosso país, nas últimas décadas, incorporou profundamente tais valores negativos do capitalismo, ao mesmo tempo em que não alcançamos as condições materiais que poderiam generalizar um dado padrão de vida e de consumo tal qual existe nos países desenvolvidos. Isto, somado à difusão praticamente universal da televisão no Brasil, traz como resultado o fato de que vivemos numa sociedade que é diariamente bombardeada pela propaganda daquilo que não pode possuir e iludida com aquilo que não pode ser. Bombardeio esse que com certeza tem um eco mais forte na nossa juventude. Daí a nossa violência urbana, certamente uma das maiores do mundo, que não se explica apenas pela pobreza de grande parte da população, posto que países mais pobres que o nosso tem um índice de violência muito menor.

“Sim, ganhar dinheiro, ficar rico enfim” como diz o rap dos Racionais. Consumir, competir, ser alguém. Nossa “americanização” tem como pano de fundo um país subdesenvolvido onde muitas das mínimas condições de dignidade (educação, saúde, moradia, empregos decentes, etc...) ainda estão ausentes para enorme parcela do povo. Como se já não bastasse a exclusão que nosso próprio capitalismo produz, nossa juventude tem incorporado recentemente outro “americanismo”, o bullying. Jovens que por qualquer motivo não se enquadram no perfil do “vencedor” (são feios, gordos, homossexuais, estranhos, etc...) sofrem agressões de grupos no bairro ou na escola.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, se apressou em dizer que a tragédia do Realengo era fruto da atitude de um “monstro”, de um “animal”. Certo, quem poderá negar a monstruosidade e animalidade da morte covarde de crianças? Entretanto, reconhecer a inegável insanidade e maldade de Wellington, não responde por si só à questão mais importante: por que é que a nossa sociedade tem criado Wellingtons? Para Cabral, trata-se apenas de isolar os “animais” e “monstros”, como se casos como o de Wellington fossem meros raios em céu azul e não produtos de algo muito mais profundo e preocupante. Pensarmos a tragédia do Realengo sem indagarmos os rumos que a sociedade vem tomando é - além de inútil - uma atitude leviana.

Quem era Wellington? Pouco sabemos, além do fato de que era filho adotivo e depois órfão dos pais, portador de HIV, desprezado na escola, depois desempregado, e que recentemente teria aderido a seitas religiosas. Se é verdade que sua extrema violência e loucura é um caso único e inusitado, por outro lado, quem pode negar que Wellington também era o retrato de uma juventude sem perspectiva, em parte apologista e em parte vítima da “americanização” e dos “bullying”, uma juventude embrutecida pela frustração pessoal do capitalismo ultra-competitivo desse século 21?

Por fim, uma última reflexão sobre o Brasil contemporâneo. É fato que durante o governo do PT houve uma melhoria nas condições de vida de boa parte do povo brasileiro. Não entraremos no mérito da questão aqui, mas é fato que a eleição de Dilma expressa o apoio do povo contra o elitismo do PSDB e a favor de um sentimento geral de que o PT representa melhor os anseios do povo mais pobre e dos trabalhadores em geral.

Ao mesmo tempo, o próprio Lula se gaba de ter promovido no Brasil “um choque de capitalismo”. Ele mesmo afirmou recentemente que, a despeito de suas origens socialistas, seu governo foi o mais capitalista da história brasileira. Ele tem razão, mas ao mesmo tempo, não tirou a nosso ver as conclusões do que realmente está em jogo.

Pois, se é verdade que hoje certos padrões de consumo, antes inacessíveis, fazem parte da vida do brasileiro médio, e se também é verdade que a pobreza diminuiu, o que sem dúvida é positivo, por outro lado, nosso “choque de capitalismo” também tende a reproduzir consigo todos os efeitos perniciosos de um sistema que estimula o consumismo, a exploração, a alienação, a ausência de valores sociais, a competição e o individualismo, ainda mais quando pensamos na fase atual de um capitalismo cada vez mais desregulado, incontrolável e voraz.

Desse ponto de vista, tem razão o historiador britânico Perry Anderson que em texto recente afirmou que os governos do PT até certo ponto têm sido responsáveis pela tentativa de se reproduzir aqui o “sonho americano”. Não é à toa, aliás, que o governo tem feito referência ao crescimento de uma classe média de massas brasileira, tal como a dos norte-americanos.

Mas todo o drama é que o sonho americano não existe sem a sua contraface de pesadelo: uma sociedade que, a despeito de sua vitalidade e de suas virtudes, tem claros sinais de paranóia e senilidade, frutos dos valores capitalistas que já mencionamos. Wellington, ironicamente até em seu nome, pode ser nosso elo trágico com tal pesadelo americano. E o resgate do melhor de nossa cordialidade, exige que pensemos num outro sistema econômico que permita o florescimento de outros valores, mais solidários, humanos e elevados: o socialismo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

BLUEBELL - Eu sou do tempo que a gente se telefonava (2011)


Pra fechar a noite, Bluebell. Conheci agora. Como ela, eu também "Sou do tempo que a gente se telefonava" (título de seu disco). 
Curtam!







Para ouvir mais: http://www.myspace.com/blubellspace

ABRIL PRÓ ROCK 2011 - Programação Atualizada



08.04 - APR ClubZé Cafofinho & Suas Correntes(PE)
Sacal (PB)

09.04 - APR ClubCerebro Eletrônico (SP)Volver (PE)

15.04 - Chevrolet HallThe Misfits (EUA)
D.R.I. (EUA)
Musica Diablo (SP)
Violator (DF)
Torture Squad (SP) 
Facada (CE)
Desalma (PE)
Cangaço (PE)

16.04 - APR Club
Boss in Drama (SP)
MiM (SP)
Voyeur (PE)

17.04 - Chevrolet Hall
The Skatalites (Jam)
Arnaldo Antunes (SP)Chicha Libre (EUA)
Eddie (PE)Tulipa Ruiz (SP)Holger (SP)Karina Buhr (PE)
Mamelungos (PE)
Banda vencedora da promoção Bis Pro Rock

20.04 - APR Club
Bloco do Eu Sozinho

29.04 - APR Club
Wander Wildner (RS) e Caravana do Delírio (PE)
Ave Sangria (PE) e Anjo Gabriel (PE)

30.04 - APR Club
Matanza (RJ)
Diablo Motor (PE)



Para saber mais: ABRIL PRÓ ROCK 2011

Grandes Segredos Revelados: Jesus e Darth Vader



Cinema e história (mesmo as inventadas, quando aí, na verdade são estórias) tem algo em comum, guardam segredos que só com muito esforço, pequenos pedaços são revelados ora aqui, ora acolá. Hoje é um desses grandes dias onde dois grandes segredos hi(e)stórico-cinematográficos virão a tona! Vocês pensavam que sabiam tudo sobre a estelar maldade de Darth Vader, o superlativo vilão de toda a galáxia? Nunca se perguntaram o que fazia em suas horas vagas?... Hã? Hã? E sobre Jesus, tinham idéia de como sua vida e Paixão se deram de fato e como isso teve a ver com o Exterminador do Futuro?...

Pois vejam e caiam duros pra trás com a verdade!



Qualidade de Vida nas Cidades: mais espaço para pedestres e ciclistas


Nas grandes cidades brasileiras, em meio ao caos de engarrafamentos, poluição sonora e atmosférica, perda de tempo, stress e violência no trânsito, vêm à cabeça uma idéia simples, porque não existem políticas públicas que promovam a saúde e qualidade de vida urbana e que tenham o espaço público e o trânsito como alvos prioritários?... Em outras palavras, prioridade para pedestres e ciclistas?

Em parte porque custa dinheiro (talvez bem menos que os gastos com saúde pública e reformas de infra-estrutura para carros), em parte porque ninguém individualmente quer ceder em nada do seu "privilégio" e da liberdade de ir e vir de carro particular pra todo canto a qualquer hora, e, por último, porque nossos governos tem medo de se tornarem impopulares por tentarem fazer o que óbvio e urgente diante de tantas acidentes, mortos, feridos e degradação ambiental....
Esquecem que pode dar certo e todos ganhar com isso e ficar mais felizes em suas cidades, agora menos violentas, mais ambientalmente limpas e acolhedoras. Algumas cidades mundo afora já avançam nesse sentido. Marcaremos passo até quando?


Fonte: O Povo Online


É preciso mais espaço para pedestres e ciclistas


O pesquisador norte-americano Robert Cervero acredita que cidades saudáveis só serão construídas com o incentivo ao uso de meios de transportes ativos, como a caminhada e o andar de bicicleta

Imagine uma cidade com espaços onde o pedestre possa caminhar, sem medo de ser atropelado. Um lugar onde as pessoas deixem os carros em casa e utilizem transporte público. Um local onde o pedestre e a bicicleta sejam prioridade, na hora de pensar o planejamento urbano. De acordo com o pesquisador Robert Cervero, PhD em Arquitetura e Planejamento Urbano pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, esse modelo, chamado por ele de “cidade saudável” existe e pode ser adaptado para outros lugares.

Ontem, no último dia do Fórum de Ideias Inovadoras em Políticas Pública, realizado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Ceará (Inesp) da Assembleia Legislativa, o pesquisador apresentou opções de mobilidade urbana, já vivenciadas em outros lugares do mundo. Um exemplo é Bogotá, capital da Colômbia, na América do Sul. Pedestres, carros e ônibus, segundo registros fotográficos apresentados por Cervero, têm espaços próprios na cidade.

A solução, segundo o pesquisador, foi planejar a cidade para que as pessoas possam andar mais a pé ou de bicicleta. “As calçadas eram tomadas por carros estacionados, que foram tirados”, exemplifica. Além disso, medidas foram colocadas em prática para evitar o uso do carro, como a restrição de automóvel em alguns horários e espaços. Em Hong Kong, na China, Cervero ilustra outro bom exemplo. No entorno das estações de metrô, parte dos terrenos não são vendidos pelo governo à iniciativa privada. Isso evita a construção de prédios, deixando o espaço livre.

“Foi dada muita atenção ao ambiente de se caminhar. Eles têm a noção de que estão planejando os espaços para pessoas e não para veículos”. Além de priorizar o pedestre e o ciclista, é preciso articular a distribuição da população e dos serviços pela cidade. Como exemplo de “densidade articulada”, o pesquisador citou Curitiba, capital do Paraná. Lá, segundo ele, a população está distribuída em vários pontos diferentes, com acesso fácil ao transporte público.


Descentralização

O outro eixo para construção da “cidade saudável” é desconcentrar os serviços, criando os “centros de multifunções”. Ele explica que, enquanto Curitiba tem diferentes bairros que unem residências, escritórios, restaurantes e escolas, Brasília prefere setorizar os serviços. “É baseada no uso do automóvel. Tem o setor dos varejistas, outro para os escritórios. Você tem que percorrer distâncias longas”. 


Com a criação de bairros, onde é possível ter todos os serviços próximos à residência, conforme Cervero, as distâncias se encurtam e as pessoas vão procurar menos o automóvel. Além disso, há outras alternativas como o transporte urbano de qualidade. “Nessas cidades bem planejadas, as pessoas têm carro. Mas não usam para qualquer percurso. Tem alternativas”. (Gabriela Meneses)

O quê


ENTENDA A NOTÍCIA

O Fórum de Ideias Inovadoras em Políticas Públicas foi realizado nos dois primeiros dias da semana na Assembleia Legislativa. Com o tema “Vida, Mobilidade e Felicidade Urbana”, os palestrantes trataram sobre trânsito, transportes, mobilidade urbana e qualidade de vida.

SAIBA MAIS 

Área verde


Em Copenhagen, na Dinamarca, Robert Cervero informou que existe uma divisão por áreas que concentram serviços. E todas essas áreas são bem articuladas entre si.


Além disso, são protegidas por áreas verdes. “Eles entendem para onde a cidade deve crescer e para onde a cidade não deve crescer”, explicou o pesquisador.


Obesidade


Durante a palestra, Cervero criticou a sociedade norte-americana, por se basear no automóvel. 


Segundo ele, nos Estados Unidos, há estudos que relacionam a obesidade ao andar de carro. “Com o carro, as pessoas caminham menos, andam menos de bicicleta”.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Bajofondo Tango Club / Federico Aubele / Gotan Project



Você já foi a Buenos Aires? Eu não, pena, um tanto ridículo isso a essa altura da vida. As coisas são o que são. Mas pretendo resolver isso em breve. 
Penso sempre em Buenos Aires com trilha sonora, tango, nostalgia, ritmo, sedução. Algo como calor e frio simultaneamente, trazendo sempre uma inquietação a mente, ao mesmo tempo que promete o repouso. 
Buenos Aires em minha imaginação é fria e quente, como nos vídeos a seguir, possíveis trilhas sonoras de uma possível ida a essa cidade de gélidos ventos austrais... e sangue quente.





sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pessoal do Ceará 4: Ingazeiras / Cebola Cortada

Praça da Gentilândia, Benfica, Fortaleza-Ce. Preciso de uma cerveja já!


Mais uma homenagem ao pessoal do Ceará (primeira geração).
Duas canções com sabor, cheiro e som de Benfica, praça da Gentilândia e Treze de Maio num inicio de noite de sexta-feira...
Saudade dos amigos que estão longe.
Curtam!




Fraude Acadêmica em tempos de Google: existe um limite?



Quando dava aulas numa recém criada faculdade particular em Fortaleza uma parte (pequena) dos professores começou a perceber e a se escandalizar com o crescente número de papers de disciplinas, e mesmo Trabalhos de Conclusão de Curso com graus variados de plágio oriundo da internet. Infelizmente a cultura do control-C+control-V diz mais sobre nosso tempo do que gostaria de admitir (já comentei alguma coisa nesse blog sobre as redes sociais e comunicações instantâneas via MSN e afins), tempos líquidos diria Bauman e tempos de cara lisa, onde tudo parece um amálgama confuso sem as pretensas definições de limites que outro momento passado parecia trazer. Sem nenhuma amarra, no qual tudo e qualquer informação é dada, escancarada, perscrutada como condição de pertencimento e aceitação, e nem mesmo a intimidade é resguardada, nada mais lógico do que um cultura da cópia. Compreensível, no sentido weberiano do termo? Sim. Tolerado? Nunca! Mas o que fazer com o volume crescente de papers, TCCs, dissertações e teses para serem corrigidos e avaliados? Na verdade uma avalanche que acompanha o número crescente de alunos por turma. Quanto tempo um professor e/ou avaliador precisa ficar na internet qual Sherlock Holmes cibernético para ter a consciência tranqüila que não está sendo lesado? Dilemas de tempos de Facebook. Os desdobramentos disso, o tempo dirá.


Bem, mas em tempos de cópias, coisas cada vez mais assustadoras tendem a aparecer. E o que poderia ser pior do que um pesquisador nível 1A junto ao CNPq acusado de fraudar onze artigos científicos internacionais?... Se verdade, pensem que ele deveria dar o exemplo!...


FONTE: Folha Online

31/03/2011 - 11h32

Químico da Unicamp é acusado de fraudar 11 estudos científicos


RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO
REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA




Uma investigação internacional apontou fraude em 11 artigos científicos de um respeitado professor titular de química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Tudo indica que se trata da denúncia mais séria de má conduta científica da história da ciência brasileira, apesar da escassez de levantamentos sobre o tema. Em geral, os casos envolvem plágio, e não invenção de resultados.
Os trabalhos que conteriam fraude saíram em várias revistas científicas da Elsevier, multinacional que é a maior editora de periódicos acadêmicos do mundo.
Os estudos da Unicamp foram retratados (ou seja, "despublicados", não tendo mais validade para a comunidade científica). A Elsevier afirmou que os sinais de manipulação são "conclusivos".
Claudio Airoldi, de 68 anos, é um dos pesquisadores mais experientes da Unicamp: está na universidade paulista desde 1968.


NO TOPO


Na classificação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, principal órgão federal a financiar ciência no país), ele é bolsista de produtividade nível 1A, o mais elevado, e membro da Academia Brasileira de Ciências. É o associado nº 17 da Sociedade Brasileira de Química.
Airoldi teria falsificado imagens de ressonância magnética que servem para estudar características de novas moléculas. Um dos artigos dizia que uma delas delas, por exemplo, tinha uma estrutura que serviria para absorver metais tóxicos da água.
Os trabalhos foram publicados entre 2008 e 2010 em colaboração com um aluno de pós-graduação, Denis Guerra, hoje professor adjunto na Universidade Federal de Mato Grosso.
A Elsevier diz que o procedimento de investigação envolveu três cientistas revisores independentes, e que todos eles concluíram que "estava claro que os resultados tinham sido manipulados". A editora diz ter pedido e recebido uma defesa dos cientistas brasileiros, mas, segundo ela, o material enviado não prova nada.
"Estava previsto que algo assim ia acontecer. Ia ser muito difícil segurar isso porque a pressão para publicar é muito grande e existe leniência em relação a esse comportamento", diz Sílvio Salinas, físico da USP que segue de perto os casos de má conduta científica no país.
De fato, diferentemente dos Estados Unidos, que contam com uma agência federal para investigar casos assim, o Brasil deixa o acompanhamento dos casos e possíveis punições nas mãos das instituições onde ocorrem.
Não existem estatísticas consolidadas sobre o tema por aqui. Mas, num clima de competição científica acirrada e globalizada, com pesquisadores cada vez mais pressionados para mostrar sua produção em números, mais casos são esperados.
Nos próprios EUA, em 16 anos as fraudes científicas cresceram 161%. Em países como China e Brasil, onde a publicação bruta de artigos científicos tem crescido muito sem que a qualidade acompanhe esse ritmo, o fenômeno deve aparecer mais.
"As universidades e as agências de fomento precisam tomar providências quanto a isso. Nunca tinha tido conhecimento sobre algo dessa dimensão no Brasil. A ordem de grandeza é similar a casos de fraude que ocorrem na China", diz Salinas.
A Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. Segundo a universidade, ela deve ser concluída em 30 dias.


OUTRO LADO


Procurado pela Folha, Airoldi desligou o telefone assim que a reportagem se apresentou, dizendo não ter tempo para falar. Ele foi contatado também por e-mail, mas não respondeu até o fechamento desta edição.
Guerra disse já ter entrado em contato com a Elsevier. "Mandamos toda uma defesa dos trabalhos, apresentando provas de que as imagens são verdadeiras, mas não recebemos nenhuma posição."
Ele diz que a retratação da Elsevier "incomoda seriamente". "Pode acontecer de você nunca mais conseguir publicar um trabalho. Um editor vê uma coisa dessas e vai pensar o quê? Somos do Terceiro Mundo, a verdade é essa, sem dúvida nenhuma contra pesquisadores do Primeiro Mundo a crítica teria uma peso menor."