segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O MAR

Do fundo do mar

Quero falar-lhes de uma coisa que vi. Pode não ser muito, nem tão pouco perfeita, mas bela – com aquela beleza que todas as coisas que são do mundo possuem – com certeza o será, e a quero dividir. Descobri o maior segredo do mar: é que ele, de tempo em tempo, se vira numa coisa diferente e cada uma mais linda. Eu digo porque vi, tinha uma hora que ele estava cor de chumbo – dormindo – guardando todos os segredos do mundo, pesado, senhor de todas as verdades que não se vão com o dia; noutra estava azul-esverdeado, sua cor predileta (pelo que deu pra notar), quando brinca com tudo que há nele; era da cor da prata quando o sol lhe esquentava com mais força e o vento fazia-lhe encrespar os cabelos num movimento de vida no cio; e, por último, da cor d`ouro, quando sua trajetória pelo dia já estava prestes a se concluir – ele era o depositário da esperança de todos os homens da terra e nenhuma mágoa ou tristeza havia no mundo que ele não levasse. 
Guardei esse segredo até agora para poder contá-lo a alguém especial num momento especial – esse encontro! 
Amantes de coisas de Pátio Interno tremei! As maravilhas saltam aos olhos como um canguru, e é melhor ver o mundo assim, subindoedescendosubindoedescendosubindoedescendo...

Vancarder
Em algum momento de1997 ou 98 (não dá mais pra lembrar agora)

Nenhum comentário:

Postar um comentário