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sábado, 12 de março de 2011

Poesia 15



Outro Carnaval que Acaba
                                                      
De quantos finais são feitos um querer?
De quantas maneiras não me deixei dizer?
E de quantas outras não sonhei,
Junto?
Talvez o lado mais certo de tudo seja o avesso
Nele há um aceno não visto,
Uma ligação perdida,
Um sorriso congelado,
Uma vontade secreta,
No tempo
Dos quereres de que são feitos os finais
Ficam sim sonhos e coisas que não passam
Ficam dores e desmantelos
Ficam flores e segredos
Os cortes profundos de onde brota poesia ruim
Que seria da poesia sem finais?
E do mundo sem Pierrots?
Óbvio,
Um lugar mais feliz!
A estrada apenas segue 
E o carnaval que nunca veio,
Apenas acaba
Mesmo
Ainda que com música e poesia


                                                                          Van



PS: bom FDS!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Poesia 14: MINGUANTE



MINGUANTE

É lua minguante.
a estrada se perde
no seu próprio correr.
É grande a noite,
ando só pelo extenso
e é só pó
e mato escuro.
Indo pela sombra,
piso e me entranho
entre cobras e aranhas no meio de folhas secas
e penso:
sonham as cobras?
Os insetos, todos os bichos peçonhentos?
Eu não.
Rio-me, quase acredito
na minha própria piada.
Mas continuo e crio um delírio:
uma velha feiticeira,
a essa hora,
Já se faz ver no tronco seco tombado.
Gargalho! Eco.
Só sonho da estrada,
Só alegoria do caminho,
Das cortinas do acaso
Que descortinam esquecimentos.
Passos ermos e lentos,
O caminho me desfaz.
Não sem dor, não sem um meio sorriso,
coleções de despedidas e poesia ruim.
Enquanto isso todos dormem,
o mesmo conto de fadas,
que não vejo pelo caminho.

                                              Van