domingo, 7 de abril de 2019

Porque Defendo Lula Livre





Por quê defendo Lula? Porque não é difícil interpretar a história desse país, se houver sinceridade e coração aberto para fazê-lo.

Explicar para quem não que ouvir é inútil. É preciso se permitir estudar, ouvir, conhecer e ir além da mídia e das redes sociais, dos zaps com suas correntes suspeitas nas quais o consenso, com uma verdade na qual todos falam, parece um lugar seguro para estar. Engano, não há porto seguro para um navio que está afundando e levará a todos.  
 
O processo de conhecer dói, maltrata nossos lugares de segurança. Mas libertam. Só o conhecimento com a sensibilidade e a empatia libertam das correntes da história cruel, de todo nosso passado e presente autoritários, dor, sofrimento e humilhações de nosso povo.

Lula foi o único político de expressão desse país a abraçar essa história e tentar domá-la, como a uma besta selvagem, com as mãos limpas, coração aberto sem medo de encarar as armadilhas visíveis de toda nossa história de conchavos, corrupção e violência sobre as quais esse país se formou resultando numa mal colada versão de nação harmônica na negação dos outros, dos mais fracos, dos desde sempre indesejáveis não-privilegiados na roda da fortuna ingrata da escassez imposta por quem por 500 anos teve as ferramentas para fazer diferente, e nunca fez.

Defendo Lula porque esse país foi feito de golpes e quedas de regimes e presidentes. Sua elite nunca cansou de derrubar qualquer que fosse de suas crias para rapidamente substituí-la por outras mais eficientes na sanha de depredar, extorquir, corromper.

A nossa Democracia se prova mais frágil com o tempo, com as artimanhas de novas formas de subtração de direitos, controle, de sedição, exploração e concentração das riquezas humanas e naturais. Lula foi o único que teve coragem e a capacidade para tornar-se um líder democrático que tentou fazer esse país menos injusto e assim iniciar um rascunho de uma nação solidária que nunca fomos.

Um primeiro parágrafo de uma longa obra a ser escrita por todas e todos que tragam consigo o coração aberto para a alegria, o amor à ideia que todos podem ser felizes, que um país pode ser amado porque sua alma coletiva é transparente e deseja que o futuro seja de confiança e não de medo.

Defendo Lula porque sou um dos brasileiros que consegue ver facilmente todos os sinais de um golpe bem urdido no qual absolutamente todas as chances de defesa de um cidadão foram desrespeitadas com se não existissem. Vícios processuais, erros e arbitrariedades que se mostram, quando muito, em tímidas matérias de pé de página da pouco envergonhada grande mídia corporativa. Desta forma o sistema de desinformação dos mais poderosos vai revelando o quanto é conveniente manter a injustiça em favor de interesses transacionais deletérios, a destruição de nosso meio ambiente, precarização e “comodização” de nossos trabalhadores, privatizações de ativos estratégicos como se fossem meros penduricalhos num bazar de frivolidades.

Defendo Lula porque ele ousa defender um futuro diferente para nosso povo do que sua venda como mercadoria barata, nunca escondeu isso. Como político extremamente habilidoso que é usou sua inteligência para fazer que nosso sistema político e econômico extremamente corrupto - sim, é preciso honestidade também para ler a História e saber que a corrupção destes segmentos não nasceu nos últimos 15 anos - aceitasse um programa de desenvolvimento que se voltasse para o bem-estar de seu povo. Povo esse que nunca o abandonou, basta olhar também com o mínimo de franqueza para as intenções de voto antes de sua condenação nas últimas eleições. Só subtraindo a democracia ele deixaria de ser reconduzido ao comando desse país pela vontade do povo, de forma soberana, transparente, sem ardis midiáticos. Por isso não podia concorrer, é uma matemática simples, ganharia e evitaria o ritmo frenético da pilhagem que estamos assistindo se desenrolar de forma desavergonhada de nossas riquezas, de nosso futuro.

Defendo Lula pelo que ele representa de esperança. Defendo-o pela chance que nos deu de que nosso povo pela primeira vez na sua breve história ter podido sonhar em ser grande, pois começou a ter três refeições e ser visto como portador de direitos.

Defendo Lula nesse dia de domingo porque sinto gratidão. Porque sinto vergonha pelos retrocessos humanísticos que tomaram as ruas e as mídias desse país para negar nossos tímidos avanços enquanto civilização. Defendo porque me envergonha a atitude pretensamente isenta de quem se ausenta da luta política enquanto concorda silenciosamente com a injustiça.

Defendo Lula porque essa nação lhe deve, lhe deve à medida que ainda se importa em ser vista como uma igual pela comunidade internacional. Lhe deve se ainda se importa com algum valor de justiça e democracia. Lhe deve seus direitos de volta, tomados de forma infame. Lhe deve porque sabe que sua liberdade é único caminho para a retomada da democracia nesse país.

Nós como país lhe devemos sua liberdade de ir e vir, apenas, pois do alto da dignidade desse homem, ele há muito se tornou uma ideia que iluminará todas as narrativas de liberdade, igualdade e justiça pelas quais teremos que lutar para termos um país de verdade no futuro. E como já bem sabemos, ideias não se prendem. Já faz um ano.



Estaremos sempre juntos. Até sua liberdade total.

Forte abraço!

07/04/19

domingo, 31 de março de 2019

sábado, 12 de janeiro de 2019

Still Corners - The Message (1000º post do Blog)


"Driving through the dawn
Calling from the station
Leaving you a message
That I'm gone"

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

No Ônibus


Autobús em Buenos Aires

Vi você outro dia no ônibus. Estava voltando do trabalho, acho que você também. Desculpa não ter falado. Nada pra tanto, pois sei que você também me viu, e não falou. Pelo menos nesse conto curto de ônibus, deixemos de cerimônias. 
Dois bancos atrás, quase dava pra sentir o arrepio de sua nuca. Seu toque nervoso da ponta dos cabelos. Longe demais para dois passos, a distância das coisas que se tornam improváveis depois que tudo mais passa. 
Queria ter visto seus olhos naquele dia, como você falaria comigo. Vi por uma fenda de dois segundos as coisas absurdas que ainda poderíamos fazer juntos antes de nos desistirmos novamente. Nesse tempo ínfimo havia a possibilidade de não nos perdermos para o mundo que nos queria felizes como todo mundo, normais como todo o resto, confortáveis sendo iguais. Não sou mais aquele. Hoje sei que você também não é. 
Você puxou a cordinha e desceu. Segui viagem. 
Quase torci o pescoço olhando pra trás enquanto você sumia.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Dronedeus - Eco ao Fundo da Canção Mórbida

"De todos os tipos e formas escolhi as mais bizarras.
Das mulheres e homens preferi os que tinham perdido" (Lenildo Gomes).

Dronedeus sobre conto de Lenildo Gomes. Uma desconstrução cirúrgica da vida como o somatório de certezas e conquistas. A perda e insegurança como matrizes inconfessáveis das poucas coisas que todos levarão consigo  e das banalidades que ousamos (precisamos) repetir até o fim.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Anódino


Alexander Rodchenko, Girl with a Leica 1934 (fonte: aqui)

Quis escrever um conto pra ti, para descrever a última vez que te vi. Deveria ter sido como uma daquelas cenas da Nouvelle Vague, longe de tão incrível por não dispor da liberdade da câmera para escolher os enquadramentos, como também pelo argumento. Mais simples, a cena teria planos banais de uma cidade em qualquer momento mais inexpressivo, cinza, corroído, cansado.
Neste cenário anódino, quando não havia mais amor, a direção de arte falhava em tudo, a fotografia se perdia sem propósito, sem diálogo com o expectador. Assim, você estava muda, o olhar vazio para o celular. Destaque apenas para o blasé da vida que seguia, pontuado pela sua forma de tocar a ponta dos cabelos, o pigarro da boca seca, o incomodo, a pressa de ir embora.
Os anos lhe fizeram bem, devo admitir sem nenhuma reserva. Seu silêncio até o momento de partir, a confirmação que em meio a tantos tropeços ainda era possível ver alguma arte em tudo isso.