sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

No Chão da Praça (conto de Carnaval)



Tantas vezes revisitei aquele dia de carnaval em que nos reencontramos.

Sua inescapável beleza foi o suficiente para encontrá-la na multidão. O imediato impulso foi ir até você, desesperadamente pegar sua mão e falar qualquer bobagem (para a qual você demonstrou pouco ou nenhum interesse em ouvir).

Definitivamente você não estava a fim de me emprestar sua atenção, sua mão, nem tão pouco que eu a seguisse, não ali, não naquele momento, talvez não outra vez. E assim se foi espalhar seus encantos por todas as ruas e praças onde eu não estaria. Embora arredia, bastou o segundo em que mirei seus olhos para entender porque não ficaríamos, afinal era carnaval, além do suor, havia muito brilho, muitos braços e beijos a se encontrar.

Talvez nos falássemos bem mais tarde, ou no outro dia. Talvez a gente voltasse a se ver depois do carnaval. Talvez nunca mais nos víssemos.

Em uma madrugada ainda lhe liguei e você não atendeu, no outro dia o carnaval acabou.
Foi assim, que não ouvimos juntos aquele frevo do Fausto Nilo e Moraes Moreira que lhe mostrara um tempo atrás. Nem tão pouco nos deixamos levar pela parte quente que canta Caetano.

No fim, mais uma estória de Carnaval. Tudo vira inspiração para algum poeta compor um novo frevo que não ouviremos juntos.


Mas depois de tudo, tenho que confessar, foi a melhor fantasia de todo aquele dia. 

E cá estou eu escrevendo, "você é que faz minha a vida variar".



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