From the "B-Side" to the 'Forsaken Cowboy', CD single.
"DAVE BOWMAN: You see, something's going to happen. You must leave. HEYWOOD FLOYD: What? What's going to happen? DAVE BOWMAN: Something wonderful" (2010: The Year We Make Contact)
sexta-feira, 4 de maio de 2018
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Tempo e Cenas Banais de Aniversário
Cena 1:
Dia de aniversário. O seu. Chuva
forte. Muitos amigos e cervejas. Você toma caipiroskas com uma vodka cara que
havia ganhado de presente. Certa hora da noite estamos todos molhados na
varanda com os respingos do beiral do telhado. As risadas desenfreadas ganham volume com o grau etílico da hora adiantada e das piadas bobas que se revezam. Você me
abraça e não me solta mais. Está mais linda do que nunca. Seu beijo me faz esquecer mais uma vez porque queria ir embora. Quase manhã e você adormece em
meus braços.
Cena 2:
Dia de aniversário. O meu. Você não
está. Talvez esteja doente, talvez sei lá. Coisas do tempo que passa rápido
demais, talvez. Talvez.
Cena 3:
Tempo e silêncios. Perdas nossas em
meio a vida que segue. Escuto músicas tristes para lembrar de você.
sábado, 14 de abril de 2018
Saudades com Alecrim
![]() |
| Vsevolod Tarasevich (1963) Fonte: Soviet Postcards |
Ontem me
lembrei do dia em que você iluminou a casa com velas aromáticas, o perfume de
alecrim estava em tudo. No teto finas fitas coloridas.
Consigo
lembrar que não entendia, gostava, mas calava. Enquanto você me cobria de
beijos. Seu sorriso sob aquela luz amarela me fazia acreditar. Suas pernas e
ancas nuas, seus peitos e suas costas macias eram a única resposta.
Mas não
fiquei, nem você.
Hoje nos
encontramos naquele lugar impossível onde só a lembrança do aroma de incenso,
de primeiras confissões, desejos fofos ou sujos que não realizaríamos marcam as cartas
que nunca escreveremos.
Saudade é uma
palavra prenhe cheiros, cores, tato de coisas que poderiam ter sido.
Ou foram, apesar de que hoje mal consigamos lembrar delas.
sábado, 31 de março de 2018
segunda-feira, 12 de março de 2018
sexta-feira, 9 de março de 2018
Mudez
Na terceira ou quarta vez que conversaram sobre a
mudez de suas vidas, o fizeram na cozinha. A cozinha parecia o lugar onde essas
coisas sempre aconteciam. Os ritos do preparo do alimento, prazer, saciedade, o
descarte das sobras, a limpeza dos pratos e panelas, tudo de novo.
Ele lavava as louças – boa maneira de tentar
enganar a si mesmo do óbvio da cena que se desdobrava. Ela tomava um café – que
ele recusara. Estava claro que o café já não os encantava como em contos
passados.
O silêncio demorou tanto quanto o café
dela, uma eternidade. Então ela perguntou, quase sussurrando:
- O que nós fizemos da gente?
Mais silêncio. Apenas o som da água
escorrendo.
Ele se virou lentamente, aproximou-se da
mesa e com lágrimas nos olhos a abraçou tão forte como da primeira vez que se
viram.
Seria a última.
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