domingo, 22 de janeiro de 2012

Poesia 23 - Desmanche

Um Cão Andaluz, Luis Buñuel, 1929

Desmontado
Pedaço a pedaço com uma gilete e uma britadeira sutil
Montar-me não faz mais tanto sentido
Ao avesso, sentir é contorcer-me noutro mundo
De largas sombras de um sol escuro
Entregar-me ao vazio de sua garganta
Além de sua língua
Dos interstícios de seus dentes
Raspar do tacho quebrado sem bordas
A saliva e o suor que restaram
Da hora que você suspirou pra sempre
Todo meu desejo
E me disse com todo amor
Da urgência ensandecida
De sua partida
Que faz o brilho de seus olhos
E do sorriso besta
Por um corpo revirado
Deglutido
Aos pedaços
Pendurado
Pelas paredes

                                                Vancarder

3 comentários:

  1. Fiz um samba disso, está tudo em minha cabeça!

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  2. Eu logo compreendi que os versos de Vancarder Brito
    transformar-se-iam em sambas desde os sons e tempos
    de: "Meu sorriso amarelo", que li e distribui
    na Biblioteca do CH da UECE, naquelas anos do 90
    do Séc. XX.
    A Clara suspirava quando recitava-se o poema que jugo deveria ser postado neste sítio em breve.

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  3. muito massa,eu tabem criei um blog sobre poesia e poemas quem quizer entra lá: http://vozdaalma-jhonn.blogspot.com

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