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quinta-feira, 7 de março de 2013

Amanhecer (Bríggida Lourenço, 18/06/12)*

Pela Janela (15/06/12)

Poderia falar aqui de meus problemas, sobre meu dia, minhas noites sem sono
pensando em você, na chuva que não para de bater em minha janela...
Mas não posso, não posso citar teu nome,
Você não gostaria. Você teme muitos sons.
Você teme que outras pessoas ouçam seu nome... Saindo de minha boca.
Algo mais intimista... E a chuva insistente.
Não quero falar... Quero sossego.

Não direi, talvez nunca o diga, nem no vem e nem no vai.
Agora me lasquei. Já é tarde para tudo isso. Sinto falta do cheiro do café.
Fios de cabelos caem, é preciso dormir, isso me incomoda... O cheiro da chuva e não do café.
Se eu fosse eu, amanheceria outra.
Sussurrei que sim, agoniada... Vou dormir.
Falta o som, da chuva, da música, do riso... Falta sono.
Falta sorte? Ou falta amor?

* Fonte: AQUI

Nota: Bríggida Lourenço, professora da Universidade Estadual da Paraíba, escreveu esse texto na noite do dia 18/06/12. Foi assassinada pelo ex-companheiro em sua própria casa na manhã do dia 19/06/12.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Quando Ela Partiu



Aquela manhã parecia estranha por tudo, a noite tão pouco o fora menos. Além da chuva infernal, daquelas que marcariam os editoriais de todos os jornais, seu telefone não tocara. Passara a noite só. Pensava: “seria necessário, qual o sentido disso?” Mas ele não viera. Pela manhã o café, solitário. Uma mensagem de bom dia, um comentário sobre a chuva (o último). Uma vontade infinita de estar junto, dessas de quem pressente o fim, sente o resto da eternidade esvaindo-se nos próximos minutos, enquanto o café esfriava na xícara. Mas ele não veio. O dia veio como o último, nos próximos minutos, a própria vida iria assim mudar de lugar, sem avisar, a ninguém. Pra onde o som da sua voz não estaria mais em lugar nenhum. E o desespero não mais a atingiria.
E ela partiu em seu vestido azul. Faz um mês amanhã. 
Aquela chuva continuou pra sempre, como testemunha de um dia que a graça precisou ser reinventada no mundo.

"Pode ser a eternidade má
Eu ando em frente pra sentir saudade" (Marcelo Camelo)