"DAVE BOWMAN: You see, something's going to happen. You must leave. HEYWOOD FLOYD: What? What's going to happen? DAVE BOWMAN: Something wonderful" (2010: The Year We Make Contact)
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Calendário (conto)
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| Via: Naked Women Drinking Coffee |
Acordou. Acarinhou o
gato. Ainda de camisola foi à varanda e regou suas plantas. Só então escovou os
dentes e olhou-se no espelho. Entre seus compridos cabelos de um sempre fiel castanho-escuro, agora lhe escapavam alguns rebeldes fios brancos. Sem jeito. Tomou um café preto forte.
Olhou o calendário, lembrou-se que era seu aniversário. Ficou
sem graça por tê-lo esquecido. Definitivamente não gostava de aniversários, em
especial, do seu.
Não havia mais tempo.
Sem mais, enrolou uma echarpe vermelha
no pescoço e foi trabalhar.
Se desse compraria uma garrafa de vinho na volta.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
domingo, 21 de setembro de 2014
Liberdade (conto)
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| Fonte: Insana_Mente, via: Violadreamlover |
Nessa manhã de sábado, logo depois de levantar, se via no espelho e pensava o quanto tinha acertado em suas últimas e arriscadas escolhas. Ela havia deixado para trás sua antiga vida há muito tempo.
Hoje olhava para si
mesma de forma diferente: Seu corpo, suas ideias, algumas imagens da noite
anterior que passavam rápido em sua cabeça, seu desejo e a pele ardente, a
maneira como se sentia em agitada mudança.
As coisas que deixou de fazer e que
lhe pareciam tão essenciais, as opções que lhe tiraram o sono, agora se perdiam
frente ao arrepiar de seus pelos enquanto pensava no que poderia acontecer. Na
imagem refletida curtiu seu novo cabelo curto.
Por sobre o ombro olhou sua cama
bagunçada e reparou nas roupas espalhadas pelo chão (formando um tipo de linha
desde a porta) e o cara que conhecera no bar perto do seu novo
trabalho.
Ele dormia ainda. No lado esquerdo um dos braços e um pé despencavam
pela beirada afora. Sentiu seus peitos emperdenidos. Tornou a deitar-se.
Abraçou-o forte pelas costas e embriagou-se de sua própria liberdade.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Pausa Para o Almoço (conto)
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| London: Lunch Time - A Time to Think (Source: HERE) |
Era sexta feira. Depois
de muito tempo, combinaram encontrar-se no intervalo do almoço. Trabalhavam no
centro da cidade. Ela, secretária em um escritório de cobranças. Ele,
assistente em um depósito de um grande magazine.
Conheceram-se através de uma
amiga em comum, uma prima dela, também em um almoço em restaurante barato pelo centro. Hoje se veriam em um mais arrumadinho, ambos conseguiram mais
tempo e saíram ansiosos para o encontro. Ela falava sem parar. E ele controlava-se
para não fixar seus olhos nos dela. Impossível não reparar que ela também o
olhava, mesmo que muito rapidamente.
A conversa sobre tudo na vida dos dois se
passou em vinte minutos. Antes que tocassem na comida estavam se beijando. Tempos
depois confessaram um para o outro terem temido que nunca parassem de falar, e
que o beijo jamais ocorresse.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
De Cartas e de Suculentas (conto)
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| Foto: Katrina Stranger
(via: Naked Woman Drinking Coffee)
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quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Algo Mais Sobre Perder-se (conto)
Noite, pouca luz pelo quarto. Quase
irreal tê-la ali em suas mãos: todos os cheiros, curvas e pelos. E mais aquele
jeito de dizer o nome dele em sussurro, que ela recentemente inventara.
O corpo dela em suas mãos, naquele
instante inesperado, parecia trazer algo de religioso, de mágico pelo proibido.
O algo que o salvaria, o redimiria por alguns instantes quando lembrasse isso
no futuro. Por enquanto, a feitiçaria que existia nos movimentos daquelas ancas
o fazia perder-se em danação. Sabia disso. Gostava cada vez mais.
Lia em cada reentrância um sinal, pra
ele só o caminho que os peitos dela apontavam poderia levar-lhe para o lugar
comum de onde nenhuma vida consegue voltar. Era um caminho sem volta. Ela lhe
segurava forte uma das mãos. Com a outra cravava as unhas nas costas dele. E assim
o conduzia para sabe-se lá onde.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
The Coasters - Down in Mexico (1957)
Death Proof (Tarantino, 2007)
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Nunca é Dia do Caçador (conto)
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| Death Proof (Tarantino, 2007) |
Na tarde que ele a procurou
novamente, depois das primeiras (poucas) vezes que se viram, não fazia ideia o
quanto estava se tornando perdidamente apaixonado por aqueles olhos escuros, fala rápida,
gestos juvenis e balanço displicente daqueles cabelos longos.
A pele dela agora lhe parecia ter a textura e cor que combinavam com a foto perfeita que pensou dela sem roupa. A
nova estória que ela lhe contaria sobre algo banal e cheio de cores o faria
pensar o quanto festejaria pra sempre viver naquele sorriso de lábios vermelhos
e fartos.
Bastaria agora que ela dissesse o seu primeiro oi e ele mergulharia no transe irremediável daquelas pernas, como na cena
de Down in Mexico, do Tarantino. Mas ele ainda não sabia de nada disso.
O caçador, coitado, agora era a caça.
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terça-feira, 12 de agosto de 2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Conto: A Garota da Imensidão Azul
Sábado à noite e ele resolveu sair. Já era tarde,
depois de um dia longo e difícil precisava andar pelas ruas, sentir o frio no
rosto, animar-se um pouco coma vista das pessoas envolvidas entre nuvens de
fumo e cerveja em copos americanos. Sentar em alguns desses botecos de esquina
e tomar algumas geladas ao som dos carros, buzinas impacientes de quem não se
importa com a displicência boemia que anda a esmo pelo meio da rua às duas da
manhã. Ter pra si um pouco dessa madrugada de berros e falta de medo de estar
no mundo.
Entrou em um bar que não conhecia. Paredes
vermelhas, mesas antigas, ficou no final do longo balcão, ao lado do dancing interessante, com um piso
rebaixado, por trás de uma parede curva que lhe oferecia alguma reserva em relação
aos olhares que vinham do saguão. Quase vazio, salvo por uma única garota que parecia
ter se aventurado a seguir a música que ninguém mais conhecia ali.
A menina dançava sozinha, olhos fechados, jogando
seus cabelos compridos para os lados. Longas tatuagens lhe subiam as costas
nuas do vestido branco. Era iluminada por um azulado escuro brilhante, quase extraterrestre,
com a luz negra do salão. Fartas sobrancelhas escuras. Peitos proeminentes,
definitivos, daqueles que não se esquece nunca. E sua bunda e quadris faziam o
movimento certo que ele precisava em sua poética desgarrada de inspiração.
A moça desenhava movimentos suaves repletos de impressionismo.
Movia-se como em um ambiente sem gravidade, mergulhada na psicodelia da
tristeza retrô que preenchia o ambiente. Flutuava hipnótica nesse seu universo
interior, aquático. Repetia pra si mesma a letra minimalista que rolava nos
alto-falantes, era possível ler nos seus lábios, inacreditavelmente rubros.
Um momento abriu os olhos e olhou exatamente para ele.
Quatro ou cinco segundos entre um e outro movimento bastaram. Chamou-o para perto.
Ela era aquele algo que quebraria seu silêncio
interior, que romperia bruscamente a voz em off
que narrava sua maçante intolerância com quase tudo.
Desejava menos estar em mais um de seus frames do que apenas um passante
descendo bêbado abraçado com ela uma rua de bares barulhentos pela
madrugada, pronto para tropeçar em qualquer coisa que o destino lhes colocasse
no caminho.
Viram o dia raiar juntos. Chamou-a pra si mesmo de "a
garota da imensidão azul".
Não esqueceu mais seu perfume.
Seu batom não largou
mais da gola de sua camisa.
domingo, 3 de agosto de 2014
Moby - Sunday (The Day Before my Birthday)
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