"DAVE BOWMAN: You see, something's going to happen. You must leave. HEYWOOD FLOYD: What? What's going to happen? DAVE BOWMAN: Something wonderful" (2010: The Year We Make Contact)
domingo, 27 de setembro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Mergulho (conto)
Letargia. Perdera a hora
e o trabalho hoje. Sabe-se lá mais o que perdera.
Cedo, derrubou o despertador no chão. As pilhas
rolaram para os lados. Os olhos semicerrados viam o caminho para a toalete, mas
essa não era a saída. Aliás, não sabia mais por onde seguir.
O celular tocou insistentemente, primeiro seu namorado. Logo depois, do trabalho. Não atendeu nenhum e o desligou.
Manhã alta, a
fresta de luz da janela lhe incomodava, apenas isso importava. Cobriu a cabeça
com o travesseiro, mergulhou no meio da cama.
Nunca mais se teve notícias dela.
Ollano - Latitudes (Air Remix)
![]() |
| Helena Noguerra (vocal) |
Versão bacana de Latitudes feita pelo Air. Irresistível voz de Helena Noguerra. A performance original pode ser conferida aqui: Ollano - Latitudes
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
sábado, 22 de agosto de 2015
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Volta
Não dormira essa noite,
caminhou desde a madrugada por muitas ruas. Depois de tanto sentou-se numa mesa
de canto em um bar perto da estação central. Desses que tem um ar úmido, acre de
tempo desperdiçado, azedo e sem razões. O lugar para tomar uma cerveja que
ninguém espera estar gelada – e nunca está. A longa e estreita porta para rua, mal
iluminava o salão. Nos fundos, ao lado do balcão, já na penumbra um corredor
estreito seguia para os quartos que serviam de motel. Pensava em como matara suas
crenças tempos atrás, todas, inclusive as de afeto. Não fora sempre assim, mas
a juventude era uma lembrança bastante gasta, dessas que não valia a pena
tentar remontar. Viu alguns casais que ora ou outra entravam e saiam. Estava
velho para aventuras, a única coisa que dá alguma razão para vida. Entendia a
todos que permaneciam vivos de fato. A cerveja quente naquele bar fedido
confirmava que estava fora do jogo. Mais tarde voltaria para seu caminho. Definitivamente,
havia sido uma péssima ideia ter voltado para vê-la.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Sem Respostas
1944, outono. Ela não
tinha notícias de seu jovem marido há meses. Tempos de guerra, não havia
respostas para as cartas, restavam as horas, a solidão, a esperança. Mas
nenhuma notícia. Casaram-se pouco antes da convocação dele, cerimonia coletiva,
terno e vestido emprestados. Lua de Mel no pequeno sótão, que por três dias chamaram
de lar. Levava os dias da fábrica, operadora de torno. Tempo que se arrastava, pois envolto no vazio dessa distância. Escrevera
mais uma vez para ele há pouco, contara que estava agora no sétimo mês de
gravidez. Na cama, sob a pouca luz do quarto acariciava lentamente a barriga,
via seus seios fartos e pensava na nova vida a caminho. Em breve não mais
estaria só. Seriam dois sobreviventes, haveria muita coisa a fazer. Era
preciso mais amor, apesar de tudo. Sentiu-se mais bonita e mais forte do que nunca.
Disse tudo isso para ele na carta que acabara de selar. Sabia que as chances de
respostas eram cada vez menores. Ou nenhuma.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Aniversário a Flor da Pele
Muito
mais do que o normal, estava tomada em euforia. Sua pele estava sensível, havia
um formigamento ao toque, sentia graça nas formas dos objetos, ao seguir curvas
e linhas, sentir o quente e o frio, o áspero e o suave. Seus ouvidos conseguiam
ouvir músicas que não conhecera antes, assim, pelos cantos casa. Havia um
perfume novo em suas narinas, tão apaixonante que juraria ter cor. Seus olhos
brilharam com a luz filtrada pela cortina, parecia mágica. Tudo era como sábado,
tinha torpor e nenhum limite em querer, queria o que não sabia ainda querer.
Queria a vida diferente e pronto, não precisava de nenhuma resposta. Apenas
lhes serviam os sinais de encantamento que as belezas mais impossíveis lhe
mostravam. Vestiu seu vestido de todas as cores, ainda que quase nada vestisse.
Foi para rua abraçar o desconhecido, pois era dia de aniversário.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Nada Fica
![]() |
| Edward Hopper |
Meu bem,
Tenho trabalhado tanto e
tanto não tenho feito nada. Pena, nunca consegui encontrar as pílulas de ascese
do Dr. Weber. Parece que todos que conhecia as tomaram, estão sumidas do
mercado. Tudo melhora às sextas, há o gosto de café e a noite, cerveja. Segunda
a labuta tem um gosto de passado, não há como respirar o passado, parece com os
sonhos sobre a Escola. Nunca são bons. Já basta a dor de cabeça ao acordar.
Lembrei que você falava sobre o futuro. Agora nenhum dos meus amigos mais fala
sobre o futuro, provavelmente por estar muito próximo, bem ali, poucos anos. Sem
prorrogação. Preferem falar dos filhos.
Há pouco tempo pra todos nós. Nada
fica.
Quisera um carnaval como
nunca tive na vida.
E não ter que levantar na quarta-feira.
Sinceramente
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