terça-feira, 14 de março de 2017

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Luca D'Alberto - Wait For Me

Clipe dirigido por Harrier & Zinnerwell.
Pesquei aqui: Cultura Inquieta

No Chão da Praça (conto de Carnaval)



Tantas vezes revisitei aquele dia de carnaval em que nos reencontramos.

Sua inescapável beleza foi o suficiente para encontrá-la na multidão. O imediato impulso foi ir até você, desesperadamente pegar sua mão e falar qualquer bobagem (para a qual você demonstrou pouco ou nenhum interesse em ouvir).

Definitivamente você não estava a fim de me emprestar sua atenção, sua mão, nem tão pouco que eu a seguisse, não ali, não naquele momento, talvez não outra vez. E assim se foi espalhar seus encantos por todas as ruas e praças onde eu não estaria. Embora arredia, bastou o segundo em que mirei seus olhos para entender porque não ficaríamos, afinal era carnaval, além do suor, havia muito brilho, muitos braços e beijos a se encontrar.

Talvez nos falássemos bem mais tarde, ou no outro dia. Talvez a gente voltasse a se ver depois do carnaval. Talvez nunca mais nos víssemos.

Em uma madrugada ainda lhe liguei e você não atendeu, no outro dia o carnaval acabou.
Foi assim, que não ouvimos juntos aquele frevo do Fausto Nilo e Moraes Moreira que lhe mostrara um tempo atrás. Nem tão pouco nos deixamos levar pela parte quente que canta Caetano.

No fim, mais uma estória de Carnaval. Tudo vira inspiração para algum poeta compor um novo frevo que não ouviremos juntos.


Mas depois de tudo, tenho que confessar, foi a melhor fantasia de todo aquele dia. 

E cá estou eu escrevendo, "você é que faz minha a vida variar".



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Aniversário de Diane Keaton

05 de janeiro, aniversário de Diane Keaton.
Para sempre Annie Hall na tela dos nossos olhos.



De brinde, a cena do Balcão:


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Um Outro Conto Sobre Leia (em memória de Carrie Fisher 1956-2016)

Leia e Han

Havia tempo que se prometiam um reencontro, assim, despretensioso, apenas os dois. Como se fosse possível esconder algo deles mesmos e só falar sobre a vida. Depois de tanta correria, tantos desencontros e distância, umas cervejas naquele bar onde se viram pela primeira vez seria o ideal. Ideia dela, sempre dela, mas, porque não?

Ela surgiu mais linda do que nunca, havia cortado os cabelos, nunca a vira assim. “O tempo, e o pilates foram generosos”. Disse para ele em meio a um sorriso confidente.

A conversa alegre e fluída do início da noite foi sucedida por uma intensa euforia   intercalada por alguns silêncios nos quais olhavam para os lados, para os copos de cerveja, para as telas inertes dos celulares, menos nos olhos um do outro.

Já se encaminhavam para o momento que certamente falariam sobre eles e o real significado de estarem ali, quando ele, sempre ele, mudou o rumo de tudo para comentar sobre a inesperada morte de Carrie Fisher naquele dia. Fã de Star Wars, confessou que Princesa Leia tinha sido sua primeira musa do cinema, ainda na infância lá na década de 1970, algo que, pelo tempo que ela o conhecia, claro, já sabia. Ela lembrou que no início ainda sentiu uma ponta de ciúmes, mas depois passou a ver com ternura aquela paixonite atávica de criança que ele (ainda) trazia.

Chegou a hora de se despedirem. Sabiam ambos que aquela janela seria única, não mais teriam oportunidade assim de se verem. Já na rua, antes dela entrar no táxi eles se abraçaram. Já sob evidente efeito das cervejas, ele disse para ela que ela havia sido sua própria Leia Organa. Ela respondeu que sabia, pois para ela ele sempre seria de alguma forma o seu Han Solo. Porém, como na continuação da saga, também não ficariam juntos para sempre.


Ela lhe deu um beijo perto da boca e partiu. 

Leia se fora. Duas vezes em um mesmo dia. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Sonhos ao Café (conto)


Quase todos os dias, ao café, ele contava seus sonhos. Ela os ouvia, um tanto a contragosto,  mas meio curiosa.

Os dela porém, raros. Quase nunca os falava. Ficava em silêncio, não sabia serem imagens do seu futuro, ou de seu passado, que voltavam a lhe afligir como presente. Ou simplesmente, esquecimento.

Essas conversas terminavam quase sempre com os dois mudos. Seus olhares atravessando o inalcançável de cada um, esbarrando na parede branca por trás.

Um dia, devagar as mãos de ambos cruzaram a mesa, se tocaram, entrelaçaram os dedos de leve.

O toque delicado disse a eles tudo sobre o futuro.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

terça-feira, 1 de novembro de 2016

domingo, 23 de outubro de 2016