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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Cheiro de Mar (conto)



Ele aceitou o convite dela naquela tarde para se verem. Nada demais. Talvez um chopp, mais um papo sobre as poucas coisas que sabiam da vida um do outro. Já se conheciam há um tempo. Não iam muito além de alguns limites interditos nas perguntas sobre as vidas intimas de cada um, já sabiam o que precisavam saber desde a primeira vez que se viram. Claro, já tinham ficado antes, duas, três vezes, não lembravam ao certo. Não parecia mais ser o caso lembrar. Naquela tarde ele a pegou no trabalho. Ambos deram um jeito de sair mais cedo. Para sua surpresa ela pediu para ir a uma praia distante, não para o discreto café que sempre iam. O percurso de quase uma hora ficou marcado pelo delicioso perfume dela. Harmonizava com os movimentos das mãos, enquanto gesticulava para explicar-lhe algum ponto de vista com veemência, quando sequer ele sonhava em discordar dela. Parou o carro na areia. Pés no chão. Andaram vários minutos enquanto ela lhe falava de mudanças, decisões e inseguranças. Ele só podia ouvi-la, não havia nada que pudesse fazer ou dizer diante de tudo. Ela sabia, mas fazê-lo ouvir-lhe de alguma forma lhe dava alguma segurança. Quase noite, entraram no mar. Lá ela disse para ele que estava indo embora. Se beijaram com a certeza de ser a última vez. Ela também estava se despedindo dele. No dia seguinte em seu carro ficaram, além de toda a areia, o cheiro de mar e o perfume dela que nunca mais o deixariam.

domingo, 14 de junho de 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

Ringo Starr - Postcards From Paradise

"As ever p. s. I love you
Postcards from Paradise"

domingo, 31 de maio de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

terça-feira, 26 de maio de 2015

Por um Triz

Rachael
Essa semana quis escrever algo para você. Por pouco não te liguei. Por um triz não mandei uma mensagem. Dias depois só podia ver pernas, suor, as costas que não as suas. Quer saber, meu bem? Lembrei de suas pernas e de seu inconfundível cheiro agridoce misturado com perfume, quase disse seu nome por engano algumas vezes, pensei ter passado disso. Ontem tomei uma cerveja interminável em sua causa. Na volta a pé, alta madrugada, parei frente a um prédio que imaginei ser o seu, absurdamente bêbado, toquei o interfone e fugi de forma desembestada. Tropecei num meio fio perto da esquina e abri a testa. Impressionante como você ainda faz meu sangue jorrar. Ao longe jurava ouvir sua risada. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

A Casa dos Azulejos Amarelos (conto)


Meu bem, ontem te vi em meu sonho. Incrível como tudo parece tão real quando tu apareces. Ao mesmo tempo, tudo é diferente. Dizem que não sonhamos com cores, mas sempre te sonhei colorido. Dessa vez te vi numa casa de azulejos amarelos. Fascinante como os sonhos nos pregam peças. Na infância havia uma casa de azulejos amarelos na minha rua, tinha uma varanda ampla com uma garagem cuja entrada tinha um arco suave apoiado nas extremidades por meia-colunas em espiral, ao lado da varanda uma ampla janela com cortinas brancas. Me mudei dessa vizinhança muito cedo e não tive chance de entrar nessa casa, sequer cheguei a conhecer seus moradores. Mas nunca a esqueci, embora não me lembre de ter parado em algum momento da vida para lembrá-la. Até agora. Nessa sua nova casa do sonho você me abria os braços, o sorriso e através da cortina branca eu podia ver a rua e um céu azul profundo e intenso, justamente na hora mágica. O mais estranho do sonho, meu bem, é que ao me virar novamente, não lhe via mais. Parecia nunca ter estado lá. E a casa amarela era apenas a casa da minha infância, e, voltando apressada para a janela, pude ver a mim mesma quando criança, olhando na direção da janela na qual estava.

Paula Tesser - Luz Interior (Valha - 2013)

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