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domingo, 3 de maio de 2015

"NUNCA ESQUEÇA!" (CINEMONSTRO, 2015)


29/04/15 DIA DA INFÂMIA.

#nuncaesueçaquemébetoricha
#PSDBVergonhaNacional
#MassacreDosProfessoresParaná
#PMAssassina
#FimDaPM

SEM MAIS.


NUNCA ESQUEÇA! from CINEMONSTRO on Vimeo.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Cadafalso? (Conto)

Jeanloup Sieff - Femme nue couchée sur un lit(1969). Fonte: AQUI

Somente agora ela percebeu que o tempo passou. Naquela atribulada semana conseguiu parar um tempo em casa e ouvir seus silêncios. Eles gritavam coisas do passado, os segredos dela, o tudo mais que aprendera a organizar diligentemente junto com a vida para resolver. Iria casar-se em breve. Em meio à sua confusão interior apenas um murmúrio clamava para que pensasse mais sobre tudo. Estava demasiadamente ansiosa para admitir para si mesma a questão: “se tratava de uma solução ou de um cadafalso? ”. Apesar do sorriso convincente que trazia nos últimos meses, suas pequenas mudanças interiores já somavam o volume de uma grande barragem, prestes a explodir. Deixou-se cair na cama no meio da tarde, tinha um suor frio e abundante, coração acelerado. Com a intensidade de quem estava perto do fim excitou-se como se fosse a última vez. Com a respiração ofegante, por alguns segundos se viu livre, além de tudo que sempre acreditou ser a felicidade. Gritou para dentro sua agonia, as palavras que nunca seriam ditas para ele.



domingo, 12 de abril de 2015

#AceitaDilmaVez

#AceitaDilmaVez

Sem mais.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Um Tipo de Adeus (conto)

Atribuído a Thomas Eakins (fonte: Les Yeux Clos)
No dia em que ela se despediu o fez como quem não quisesse ir. Na verdade não sabia que aquele sorriso que ensaiou para ele, beirando o mais natural que podia, seria sua última imagem. No fundo sabia sobre o que tudo significava. O fim é irreversível, seus gatos sentiam, o mundo agora ganhava outra forma, fluida, numa arquitetura sem ponto de fuga. E sua casa já não era um porto seguro. Aquele era seu momento definitivo, a partir do qual tudo mais seriam lembranças, e os sonhos, presságios apenas da manhã na qual não estaria. Sorriu no vídeo que deixou para ele antes de partir. Aquele sorriso dela seria para ele sua forma de dizer eternidade.

Em memória de minha mãe.

domingo, 22 de março de 2015

terça-feira, 17 de março de 2015

URBS - Truly Majestic

Entre os Dedos II (conto)

Edward Hopper - Room in New York (1932)

Os últimos dias foram os mais difíceis para eles até ali. Os silêncios e as tentativas de gestos de boa vontade se esvaziavam no ar. Se ainda havia amor entre eles, já não parecia estar em nenhum lugar daquela sala de estar, nem nas plantas, nem nas fotografias sobre a prateleira, nem além da janela. O desespero de verem-se sem opções, tempo ou paciência tornou-se lágrimas que vinham em qualquer lugar. No colo dele, ela ainda tentou retrucar o imponderável, quis dizer “mas eu te amo”. Não teve forças. Nunca disse. Nunca dirá. 

domingo, 15 de março de 2015

Entre os Dedos (conto)


Na noite anterior nenhum dos dois dormira em casa. Se viram apenas pela manhã, dia alto, enquanto tomavam um café na cozinha. A maquiagem pesada dela ainda marcava os olhos, as olheiras dele denunciavam a bebedeira que ainda não passara. Havia um silêncio pesado entre eles, nos últimos dias chegaram ao ponto mais profundo que podiam ao tentar atingir um ao outro. Não conseguiam mais entender como chegaram até ali, como os verdes anos de paixão, que pareciam tão próximos, caíram tão rápido no esquecimento. Ela sussurrou: “o que nós fizemos com a gente?”. Seguiu-se uma longa respiração. Pausa. Se abraçaram de uma forma que não se deixassem mais ir. Não bastou. Escaparam-se entre os próprios dedos, como o tempo que não conseguiram ver passando. Ao final do mês colocaram o apartamento à venda.

quinta-feira, 12 de março de 2015