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sábado, 23 de janeiro de 2016

Papalo e Gutemberg - Incelença para terra que o Sol matou (Elomar Figueira Mello)



Nesse blog, mais uma amostra encantada da poesia e musicalidade única do grande mestre Elomar.

Incelença para Terra que o Sol Matou é primeira faixa do álbum Fantasia Leiga para um Rio Seco (1981).



O vídeo é uma gravação feita nas varandas da Casa dos Carneiros, Vitória da Conquista, nas beiras do Rio Gavião, sertão da Bahia.

Maravilhosa interpretação de Papalo e Gutemberg, sob os olhares atentos e aprovação clara do Mestre Elomar e, mais importante, do povo sertanejo das redondezas, que com suas histórias e lendas são coparticipes de toda sua poesia.

Os tempos e espaços da música e de sonhos de um sertão mítico e encantado da luta pela vida. Uma amostra da paixão pela terra, da dor pela perda, do apego à esperança, no limiar da fé.

O grande menestrel deu o ar de sua graça por aqui novamente em João Pessoa-PB nesse dia 22/01/16. De forma rara, breve (e eterna) para alegria dos corações que sentem sua música em si para sempre.

Um agradecimento sincero de todas as alegrias que tive ouvindo suas belas canções. E pelo tanto que sei ainda ter que aprender a sentir com elas.

Nosso muito obrigado ao Bode Orelena, que tenha uma vida longa e feliz.   


Fonte e créditos pela foto: Porteira Oficial de Elomar



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Homenagem a David Bowie (1947-2016)


Hoje pela manhã fiquei sabendo da morte de David Bowie.

Não consegui conter as lágrimas.

Conheci tardiamente seu trabalho, mas depois, de alguma maneira ele se tornou muito íntimo. Suas músicas passaram a fazer parte de momentos importantes, como trilha sonora, cada vez com mais sentido, a medida que o tempo passava.

Era uma espécie de amigo distante de olhos coloridos que compartilhava um devaneio pelas coisas do espaço. De alguma forma sua música e atitudes traduziram para mim parte desse universo.

Livre, voltou algum lugar além desta galáxia. Nada parecia mais com ele do que o espaço. Dia 08 de janeiro lançou seu último disco e comemorou seus 69 anos. Dia 09 foi o dia do Astronauta. No dia seguinte partiu Major Tom, ou, melhor, Ziggy Stardust, para as estrelas, talvez estivesse dando a pista de seu rumo em Blackstar, seu último trabalho. 

De qualquer forma, ele estava sempre à frente, sempre soube mais do que nós.



Boa viagem, Starman.








quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Paper Tiger - Lost and Found


Trip hop e downtempo com um belo vocal. Vale a pena conferir o álbum: Paper Tiger (YouTube)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Nina Simone - Take Care of Business

Nina Simone

Para Futuras Histórias (conto)

Paul Almasy - Dancers

Não parecia tão tarde da noite, mas naquele momento a música já havia parado. Ela não sabia se sentia-se tonta pelo excesso de vodka, ou pelas voltas que deram lembrando antigas músicas da época em que se conheceram, mas via flashes de luzes coloridas quando fechava os olhos: vermelhas, brancas, amarelas.

Abriu os olhos, mas não conseguiu olhar para ele. Em um canto longe de todos, envoltos pelo silêncio, cada frase solta, cada pergunta desencontrada parecia mexer cada nervo do corpo. As falas e respostas dele a relaxavam e, ao mesmo tempo, a colocavam em um estado de alerta total. O perigo estava ali, no abrigo, no afago, no lugar em que estava, em sua teimosia poética de insistir em perder-se. No calor daquele abraço.


Seu coração já estava envelhecido, foi prematuro. O dele pulsava, pronto para tomar o Álamo, mas todos sabemos, este não caiu. De olhos bem abertos, sabiam, não falariam de amor. Ela não seria devorada por si mesma novamente e ele recolheria seus mortos. 

Desta noite guardariam apenas o silêncio como mote para futuras histórias. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

The Brian Jonestown Massacre - Wisdom

"My love
Is
Like a flower
Daisies
Are
Always free"


Tudo Que Conseguia Lembrar (conto)

Hugues Erre

No dia no qual que ela se sentiu mais só, todas as verdades que trazia consigo no peito se esvaiam em lágrimas discretas. No final da tarde, tentou voltar para casa e não conseguiu. Depois de alguns momentos de hesitação na portaria de seu prédio, seguiu adiante. Passou em frente a padaria, depois ao posto de gasolina, deteve-se na floricultura, onde lhe ofereceram algumas margaridas. Declinou da oferta. Um breve e forçado sorriso e continuou. Ao passar em frente a livraria quis tomar um café, mas sabia que não o faria sem um cigarro, mais um, foram tantos durante essa tarde. Melhor não. Quatro quadras a frente o bar estava abrindo. Foi a primeira cliente, mesa de frente para porta, primeira bebida e direito de escolher a primeira música do dia. 

Algum tempo e várias doses depois, ao decidir voltar para casa encontrou a luz da cozinha acesa e uma carta sobre a mesa. Ele não voltaria. Despiu-se, deu comida ao gato que faminto entrelaçava-se às suas pernas, pegou uma cerveja e afundou-se no sofá. Tentou lembrar de todas as formas o que dera errado, mas só conseguia lembrar de quando vira o sorriso dele pela primeira vez e de quando tudo parecia para sempre, até aquele momento, em que seu gato já andando sobre seu peito, lhe reclamava um afago.