Disco novo para ouvir e baixar: Fortaleza (2015), Cidadão Instigado
"DAVE BOWMAN: You see, something's going to happen. You must leave. HEYWOOD FLOYD: What? What's going to happen? DAVE BOWMAN: Something wonderful" (2010: The Year We Make Contact)
segunda-feira, 6 de abril de 2015
sábado, 4 de abril de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
Um Tipo de Adeus (conto)
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| Atribuído a Thomas Eakins (fonte: Les Yeux Clos) |
No dia em que ela se
despediu o fez como quem não quisesse ir. Na verdade não sabia que aquele
sorriso que ensaiou para ele, beirando o mais natural que podia, seria sua
última imagem. No fundo sabia sobre o que tudo significava. O fim é
irreversível, seus gatos sentiam, o mundo agora ganhava outra forma, fluida, numa
arquitetura sem ponto de fuga. E sua casa já não era um porto seguro. Aquele
era seu momento definitivo, a partir do qual tudo mais seriam lembranças, e os
sonhos, presságios apenas da manhã na qual não estaria. Sorriu no vídeo que
deixou para ele antes de partir. Aquele sorriso dela seria para ele sua forma de dizer eternidade.
Em memória de minha mãe.
domingo, 22 de março de 2015
terça-feira, 17 de março de 2015
Entre os Dedos II (conto)
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| Edward Hopper - Room in New York (1932) |
Os últimos dias foram os
mais difíceis para eles até ali. Os silêncios e as tentativas de gestos de boa
vontade se esvaziavam no ar. Se ainda havia amor entre eles, já não parecia
estar em nenhum lugar daquela sala de estar, nem nas plantas, nem nas
fotografias sobre a prateleira, nem além da janela. O desespero de verem-se sem
opções, tempo ou paciência tornou-se lágrimas que vinham em qualquer lugar. No
colo dele, ela ainda tentou retrucar o imponderável, quis dizer “mas eu te amo”.
Não teve forças. Nunca disse. Nunca dirá.
domingo, 15 de março de 2015
Entre os Dedos (conto)
Na noite anterior nenhum dos
dois dormira em casa. Se viram apenas pela manhã, dia alto, enquanto tomavam um
café na cozinha. A maquiagem pesada dela ainda marcava os olhos, as olheiras
dele denunciavam a bebedeira que ainda não passara. Havia um silêncio pesado
entre eles, nos últimos dias chegaram ao ponto mais profundo que podiam ao
tentar atingir um ao outro. Não conseguiam mais entender como chegaram até ali,
como os verdes anos de paixão, que pareciam tão próximos, caíram tão rápido no
esquecimento. Ela sussurrou: “o que nós fizemos com a gente?”. Seguiu-se uma
longa respiração. Pausa. Se abraçaram de uma forma que não se deixassem mais
ir. Não bastou. Escaparam-se entre os próprios dedos, como o tempo que não
conseguiram ver passando. Ao final do mês colocaram o apartamento à venda.
quinta-feira, 12 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
Se Vestiu de Sábado (conto)
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| Fonte: Zabava |
No dia que finalmente o esqueceu não se deu conta disso. Foi à rua de vestido floral, pernas ao vento. Nesse dia também não usava sutiã, também esquecera que um dia quisera muito por silicone nos seios, “não muito, mas pelo menos um pouco para não precisar usar sutiã com enchimento”, pensava. No dia que o esqueceu também não precisou mais lembrar, seja por nostalgia, desejo ou raiva de nenhum dos belos rapazes com quem deitou-se nos últimos tempos. Todas as promessas de amor instantâneas. Todas as farras e ressacas que a traziam para a mesma terra de ninguém da lembrança. No dia em que tudo isso acabou ela andava pela rua com o sorriso mais lindo e magnético que nenhuma mulher jamais teve. Seus cabelos refletiam o sol em uma cor nunca vista. Os meninos pararam o jogo de bola para ver suas costas nuas. Os homens deixaram o bar e se perderam no movimento de sua bunda rua abaixo. No dia que ela o esqueceu lembrou-se como era se vestir de sábado.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Uma Forma de Partida
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| René Groebli (via: Violadreamlover) |
Daquela vez não pensou. Seu cansaço era a medida de sua impaciência. E de
seu desejo. Cansara de se interrogar porque explicava tanto sobre ele. Cansou
de ouvir de si mesma por que precisava de tantas palavras. Essa noite ele não estava. Ela
também não, não mais. Se sentiu mais bonita do que nunca ao toque daquele recém chegado. Apenas as roupas dela pelo chão lembrariam em algum momento
quem fora. Talvez ela retorne ao que era pela manhã. Talvez não.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Ela Queria Mais
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| Morning Sun (Edward Hopper, 1952) |
Sua mudança estava
completa, uma nova cidade, uma nova vida. Neste novo lugar nem mesmo ela
se reconhecia. Ou talvez agora se conhecesse mais do que nunca. Sentia sua pele
acesa, vibrante como todo o resto do seu corpo. Ao passar as mãos sobre as
pernas, nuca, seios sentia-os ardentes, como espetados por milhares de minúsculos
alfinetes que lhe lembravam a cada segundo que tinha pressa, um desejo furioso,
uma fome de algo que estava lhe retesando os músculos, criando um permanente
sorriso nervoso, incontrolável. Havia voltado pra casa há pouco, do cara que conheceu
ontem trazia o pescoço marcado pelo arranhar da barba malfeita e um cheiro de
perfume masculino barato. Na beirada de sua cama via as primeiras luzes do Sol.
Toca-se excitando-se se como a vida dependesse da continuidade eterna desse
entorpecimento. Ela podia tudo. Rufaram os tambores de guerra. Ela queria mais.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
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