"DAVE BOWMAN: You see, something's going to happen. You must leave. HEYWOOD FLOYD: What? What's going to happen? DAVE BOWMAN: Something wonderful" (2010: The Year We Make Contact)
sexta-feira, 10 de julho de 2015
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Aniversário a Flor da Pele
Muito
mais do que o normal, estava tomada em euforia. Sua pele estava sensível, havia
um formigamento ao toque, sentia graça nas formas dos objetos, ao seguir curvas
e linhas, sentir o quente e o frio, o áspero e o suave. Seus ouvidos conseguiam
ouvir músicas que não conhecera antes, assim, pelos cantos casa. Havia um
perfume novo em suas narinas, tão apaixonante que juraria ter cor. Seus olhos
brilharam com a luz filtrada pela cortina, parecia mágica. Tudo era como sábado,
tinha torpor e nenhum limite em querer, queria o que não sabia ainda querer.
Queria a vida diferente e pronto, não precisava de nenhuma resposta. Apenas
lhes serviam os sinais de encantamento que as belezas mais impossíveis lhe
mostravam. Vestiu seu vestido de todas as cores, ainda que quase nada vestisse.
Foi para rua abraçar o desconhecido, pois era dia de aniversário.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Nada Fica
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| Edward Hopper |
Meu bem,
Tenho trabalhado tanto e
tanto não tenho feito nada. Pena, nunca consegui encontrar as pílulas de ascese
do Dr. Weber. Parece que todos que conhecia as tomaram, estão sumidas do
mercado. Tudo melhora às sextas, há o gosto de café e a noite, cerveja. Segunda
a labuta tem um gosto de passado, não há como respirar o passado, parece com os
sonhos sobre a Escola. Nunca são bons. Já basta a dor de cabeça ao acordar.
Lembrei que você falava sobre o futuro. Agora nenhum dos meus amigos mais fala
sobre o futuro, provavelmente por estar muito próximo, bem ali, poucos anos. Sem
prorrogação. Preferem falar dos filhos.
Há pouco tempo pra todos nós. Nada
fica.
Quisera um carnaval como
nunca tive na vida.
E não ter que levantar na quarta-feira.
Sinceramente
segunda-feira, 29 de junho de 2015
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Cheiro de Mar (conto)
Ele aceitou o convite dela
naquela tarde para se verem. Nada demais. Talvez um chopp, mais um papo sobre as
poucas coisas que sabiam da vida um do outro. Já se conheciam há um tempo. Não
iam muito além de alguns limites interditos nas perguntas sobre as vidas
intimas de cada um, já sabiam o que precisavam saber desde a primeira vez que
se viram. Claro, já tinham ficado antes, duas, três vezes, não lembravam ao
certo. Não parecia mais ser o caso lembrar. Naquela tarde ele a pegou no
trabalho. Ambos deram um jeito de sair mais cedo. Para sua surpresa ela pediu
para ir a uma praia distante, não para o discreto café que sempre iam. O
percurso de quase uma hora ficou marcado pelo delicioso perfume dela. Harmonizava
com os movimentos das mãos, enquanto gesticulava para explicar-lhe algum ponto
de vista com veemência, quando sequer ele sonhava em discordar dela. Parou o
carro na areia. Pés no chão. Andaram vários minutos enquanto ela lhe falava de
mudanças, decisões e inseguranças. Ele só podia ouvi-la, não havia nada que
pudesse fazer ou dizer diante de tudo. Ela sabia, mas fazê-lo ouvir-lhe de
alguma forma lhe dava alguma segurança. Quase noite, entraram no mar. Lá ela
disse para ele que estava indo embora. Se beijaram com a certeza de ser a última
vez. Ela também estava se despedindo dele. No dia seguinte em seu carro ficaram, além de toda a areia, o cheiro de mar e o perfume dela que nunca mais o
deixariam.
domingo, 14 de junho de 2015
terça-feira, 26 de maio de 2015
Por um Triz
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| Rachael |
Essa semana quis escrever
algo para você. Por pouco não te liguei. Por um triz não mandei uma mensagem. Dias
depois só podia ver pernas, suor, as costas que não as suas. Quer saber, meu bem? Lembrei
de suas pernas e de seu inconfundível cheiro agridoce misturado com perfume,
quase disse seu nome por engano algumas vezes, pensei ter passado disso. Ontem tomei uma
cerveja interminável em sua causa. Na volta a pé, alta madrugada, parei frente
a um prédio que imaginei ser o seu, absurdamente bêbado, toquei o interfone e
fugi de forma desembestada. Tropecei num meio fio perto da esquina e abri a
testa. Impressionante como você ainda faz meu sangue jorrar. Ao longe jurava ouvir
sua risada.
sábado, 23 de maio de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
A Casa dos Azulejos Amarelos (conto)
Meu bem, ontem te vi em
meu sonho. Incrível como tudo parece tão real quando tu apareces. Ao mesmo
tempo, tudo é diferente. Dizem que não sonhamos com cores, mas sempre te sonhei
colorido. Dessa vez te vi numa casa de azulejos amarelos. Fascinante como os sonhos
nos pregam peças. Na infância havia uma casa de azulejos amarelos na minha rua,
tinha uma varanda ampla com uma garagem cuja entrada tinha um arco suave apoiado
nas extremidades por meia-colunas em espiral, ao lado da varanda uma ampla
janela com cortinas brancas. Me mudei dessa vizinhança muito cedo e não tive chance de entrar nessa casa, sequer cheguei a conhecer seus moradores. Mas nunca a
esqueci, embora não me lembre de ter parado em algum momento da vida para lembrá-la.
Até agora. Nessa sua nova casa do sonho você me abria os braços, o sorriso e
através da cortina branca eu podia ver a rua e um céu azul profundo e intenso, justamente
na hora mágica. O mais estranho do sonho, meu bem, é que ao me virar novamente, não lhe via mais. Parecia nunca ter estado lá. E a casa amarela era apenas
a casa da minha infância, e, voltando apressada para a janela, pude ver a
mim mesma quando criança, olhando na direção da janela na qual estava.
domingo, 10 de maio de 2015
sábado, 9 de maio de 2015
Um Segredo
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| "Vestiram suas roupas devagar" |
Vestiram suas roupas
devagar, de vez em quando ela olhava para ele sorrateiramente, de forma moleca,
de um jeito que só essa noite ela o fizera. Ele não tirava os olhos dela, não
conseguiria nem que tentasse. O banal da vida que se desenrolava parecia ganhar contornos surreais, nenhum cataclismo
anunciado, um desvairo apenas. O maior deles, o definitivo e o mais passageiro.
Ela tinha aquele jeito jovial, o seu sorriso o desarmava de toda sua seriedade,
os movimentos dela tinham uma graça que o fazia pensar estar em um filme
qualquer que vira há muito tempo, um o qual não lembrava o nome. Olhando
aquelas ancas, suas tattoos e a marca esmaecida do biquíni, claro que não
lembraria de filme nenhum. Sobretudo enquanto ela sussurrava o nome dele soprando
leve dentro da orelha e seus pelos arrepiavam. Sem pressa dirigiram-se para a porta.
Mesmo sabendo quase nada um do outro, agora dividiam um segredo que dissolvia
as grades da jaula que prendia a vida.
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